Vereadores expõem áudio atribuído a Pazolini com “ameaças”. E Dalto Neves, hein?!

A Câmara de Vitória protagonizou uma sessão muito agitada nessa terça-feira (17), que perpassou pelo debate sobre o projeto de reajuste dos servidores de Vitória até a eleição da Mesa Diretora, incluindo a repercussão de um áudio atribuído ao prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), justamente o ponto no qual vou me ater aqui primeiro. Depois de muitas faíscas em plenário, Luiz Emanuel Zouain, correligionário do prefeito, perguntou: quem gravou o prefeito e depois divulgou o áudio?, chamando o responsável de “mau caráter da pior espécie”, além de citar “mão peluda” e mão de gato” na Câmara. O resto do comentário, já tratando do teor, foi citado na sequência pela vereadora Ana Paula Rocha (Psol), relatando ameaças e perseguições feitas por Pazolini, e o fato dele já se autoproclamar governador do Estado na gravação. O tema por trás disso é a polêmica da disputa à Mesa. O prefeito quer alterar o Regimento Interno e jogar o processo para depois das eleições gerais, garantindo sua interferência na Casa. No entanto, um grupo de 16 vereadores, inclusive da base, se uniu para garantir a manutenção em agosto, convergindo em torno do nome de Dalto Neves (SD) para a Presidência. Pois o áudio que circula nos bastidores políticos nesta semana seria exatamente uma conversa entre Pazolini e o vereador, mas com outros ouvintes. No resumo, o prefeito avisa o seguinte: ou Dalto negocia com seu grupo para levar essa candidatura adiante ou sofrerá as consequências tanto do governador – que seria ele próprio – quanto da futura prefeita da Capital, a atual vice, Cris Samorini (PP), que assumirá até 4 de abril, com a desincompatibilização de Pazolini para disputar o Palácio Anchieta. Na sessão, em uma de suas falas anteriores ao áudio vir à tona, Dalto negou liderar o grupo, exaltou o “legado do prefeito”, mas defendeu o movimento do G16, destacado por ele como “maioria absoluta”, além de apontar a presença de “enviados do satanás”, que estariam “levando mentiras e fazendo a cabeça do prefeito”. Como ficarão a eleição da Mesa e os planos de Dalto Neves, afinal?! No aguardo das próximas cenas dessa “panela” de pressão…
Segue…
Interessante é que os dois grupos divididos da Câmara se queixam de “forças ocultas”. Fora do G16, além de Luiz Emanuel, estão o atual presidente, Anderson Goggi, e o primeiro secretário da Mesa, Davi Esmael, ambos também do Republicanos; e ainda o líder do Governo, Leonardo Monjardim (Novo), e Armandinho Fontoura (PL).
Modus operandi
A investida de Pazolini é porque o próximo presidente da Câmara estará na linha de sucessão direta de Cris Samorini (PP). Antes do áudio, ameaças já eram apontadas pelo mercado relacionadas a demissões da prefeitura de cargos comissionados ligados aos vereadores, questão também levantada durante os debates.
Choque
Sei que nessa história, algo deu muito errado entre Luiz Emanuel e Camillo Neves (PP), que protagonizaram um duro embate em plenário. O vereador do Republicanos solicitou a Goggi até que as “agressões” constassem na ata da sessão, e depois Camilo fez o mesmo. Ou seja, não os convide para a mesma mesa…
Sem bônus
Sobre o reajuste, cuja cobrança e longa espera dos servidores foram comentadas aqui na coluna algumas vezes, Pazolini só decepcionou. Segurou durante dois anos para entregar como ouro no período próximo de deixar a gestão, mas passou longe disso…
Sem bônus II
…o índice de 10% será em duas vezes, com os outros 5% somente em 2027. Vereadores de oposição fizeram protestos e campanha para a concessão do total agora, de uma vez. O projeto voltará ao centro do debate na próxima segunda (23), que promete seguir acalorado.
Cadê?
Os discursos da oposição se alternavam entre Karla Coser e Professor Jocelino, do PT, Ana Paula Rocha (Psol) e Pedro Trés (PSB). Ausência sentida de Bruno Malias, também do PSB, partido do governador Renato Casagrande, o líder do grupo que Pazolini quer liquidar este ano.
Ofensiva
A claque do prefeito compareceu em peso à Câmara, que estava lotada como não se costuma ver, com direito a vaias e até bate-boca com vereadores da oposição. Certa hora, Anderson Goggi precisou esvaziar as galerias. Ele também tentou uma reunião com os colegas de plenário, para um consenso, mas não obteve êxito.
Sintomático
De todo jeito, a prefeitura já sofreu uma derrota em plenário. Queria votar o projeto minutos depois de ser protocolado em plenário, mas não conseguiu. Tanto a oposição quanto a base reclamaram da pressa e que não tinham tido tempo hábil para ler o texto, que envolve ainda aumento para o secretariado e a extinção de 100 cargos em comissão.
Nas redes
“A cada dia que passa, as máscaras de Pazolini caem mais! Não pra mim. Porque eu não me engano e nem me surpreendo. Eu nunca me enganei! Mas ele faz um teatro querendo se dizer da “nova política”, da “política diferente”, mas o que ele mais faz é querer mandar aqui na Câmara (…) Eu não acredito nessa forma de fazer política, do medo que os servidores têm, da retaliação (…) Deus nos livre de ter o Estado governado pelo medo”, Karla Coser, vereadora pelo PT.

