Eleição no MPES: Francisco Berdeal larga sozinho, “baixa” na oposição e silêncio…

Depois de um cenário favorável à oposição em 2024, que acabou em “balde de água fria”, o início do processo eleitoral para o comando do Ministério Público Estadual (MPES) deste ano abre ainda menos perspectivas de mudanças. O atual procurador-geral de Justiça, Francisco Martínez Berdeal, representante do grupo que se perpetua no poder há 14 anos, é por ora o único candidato declarado no pleito marcado para 6 de março. Já a promotora Maria Clara Mendonça Perim, conhecida candidata de oposição, já anunciou que não vai concorrer, caminho que deve ser seguido por outro nome também do mesmo campo, o procurador Marcello Queiroz, crítico costumaz das gestões anteriores. A única esperança de embate, que se faz necessário, é bom que se registre, recai sob o promotor Pedro Ivo de Sousa, mais votado que Berdeal na lista tríplice, mas incapaz de romper as relações já estabelecidas com o governador Renato Casagrande (PSB), que escolheu na ocasião, como há muito tempo não acontecia, o segundo colocado da lista. Pedro Ivo recebeu 146 votos, pouco à frente de Berdeal, resultado que indicou o desejo de mudança dos membros do órgão ministerial, mais uma vez ignorado. Até a próxima segunda-feira (26), prazo final das inscrições de candidatos, permanece no ar o desenho desse tabuleiro. Agora…a se repetir Berdeal versus Pedro Ivo, qual a chance de Casagrande mudar, enfim, a rota do Ministério Público do Estado? Apostas abertas e…nada animadoras!
O ‘x’ da questão
Em carta divulgada na semana passada, em que comunica de sua decisão, Maria Clara não sinalizou apoio a outro candidato, mas reiterou sua defesa por oxigenação no comando do MPES, “para garantir entusiasmo, criatividade e eficiência”. Ela e Marcello representam o mesmo grupo, diferente do bloco de Pedro Ivo. No caso de uma candidatura, a pergunta seria uma só: alguma composição possível?
Posições
Maria Clara conquistou 97 votos no pleito passado e Marcello Queiroz ficou em quarto, com 82. Eles superaram os outros dois nomes da situação: o promotor Danilo Raposo Lírio, que ficou na penúltima colocação, com 64 votos, e o procurador de Justiça Josemar Moreira, com 26 votos.
Embate amigo
No caso de Danilo, importante recordar que foi o nome apoiado por Eder Pontes, atual desembargador do Tribunal de Justiça (TJES), o que gerou um racha no seu grupo, pela primeira vez após anos, por divergências com a ex-procuradora Luciana Andrade, sua sucessora, que bateu pé em favor de Berdeal. Os dois candidatos já atuavam na cúpula do MPES, e Luciana levou a melhor.
Sem adversário
Desde 2012, Eder Pontes vinha conseguindo emplacar todas suas cartadas no órgão ministerial. Elegeu sucessoras – Elda Spedo e Luciana – e, por duas vezes, alçou o grupo a disputar em condição de unanimidade, com candidaturas únicas – o próprio Eder, em 2014, e Luciana Andrade em 2022. Seria a vez de Berdeal também reinar sozinho?
Com adversário
Em 2024, o promotor Pedro Ivo Souza circulou bastante não só por áreas jurídicas como políticas, junto com detentores de mandato e candidatos das eleições municipais. Ele é ex-presidente da Associação Espírito-Santense do Ministério Público (AESMP) e filho do procurador de Justiça Eliezer Siqueira de Sousa. Até agora, se mantém em silêncio sobre a candidatura. Vai encarar mais essa? A conferir!
Marca federal
Pulando para outra eleição deste ano, de outubro, o deputado federal Helder Salomão cola cada vez mais sua imagem na do presidente Lula. Com foto dos dois e a chamada “Lula e Helder do lado do povo capixaba”, tem divulgado nas redes sociais investimentos do governo federal por aqui. O palanque deve ser o único de esquerda no Estado, marcando convergência inédita com o Psol.
Espólio
Quem também aplica mais uma estratégia é Serginho Vidigal, filho do ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, e que pavimenta sua candidatura à Câmara Federal. Ele virou entrevistador do pai em uma sequência de vídeos que focam na família e na profissão – ambos são médicos. O nome do podcast: “Se 1 Sérgio já é bom, 2 é bom demais!”. A família Vidigal, como se sabe, é produtora de votos, e Serginho está atrás desse espólio.
Espólio II
O palanque à Câmara, vale lembrar, não será erguido pelo PDT, que está esvaziado no Estado. Serginho encontrou algumas portas fechadas, devido ao peso eleitoral do pai e da mãe – ex-deputada federal Sueli Vidigal -, como no PSB, mas também tem uma lista de convites, incluindo a superfederação União Progressista (UP), após conversas com o deputado federal Da Vitória (PP).
Nas redes
“Um recorde que envergonha o país! Em 2025, quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, e as tentativas de feminicídio chegaram à média de dez por dia. É um crime abominável. Enquanto houver homens que se sintam donos da vida e do corpo das mulheres, seguiremos convivendo com essa barbárie (…)”. Fabiano Contarato, senador pelo PT.

