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Turbilhão eleitoral

Lorenzo Pazolini e Arnaldinho Borgo: de adversários ideais a aliados?

Redes Sociais


O mercado político tenta entender, desde sexta-feira (6), a aparição em clima de festa e aliança, no Sambão do Povo, dos prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). A estratégia gerou um turbilhão por seus possíveis efeitos nas eleições de outubro, mas também desconfianças. Até outro dia integrantes de grupos adversários e sempre rivalizando nas entrelinhas para ver quem lidera, na primeira posição, o título de político jovem e em ascensão do Espírito Santo, o “namoro” na passarela do samba nem de longe era esperado. Pelo contrário, as movimentações colocavam Arnaldinho como o adversário ideal de Pazolini, um dos motivos pelo qual o prefeito de Vila Velha sempre insistiu na candidatura ao governo, mesmo ao preço de abalar suas relações com o governador Renato Casagrande (PSB) devido à preferência pelo vice, Ricardo Ferraço (MDB). Como de fato ocorreu, registrando capítulos públicos em dezembro do ano passado, e que agora deve se agravar, por razões óbvias. Não se sabe, ainda, se a dupla Pazolini-Arnaldinho vai acabar em casamento, mas já cumpriu o objetivo que atende aos interesses dos dois prefeitos, de demonstrar força e ameaçar o projeto de Casagrande. É claro que a união dos dois, que têm votos e atendem ao projeto de “renovação”, mexe com o tabuleiro, mas ao mesmo tempo, embora Arnaldinho tenha ficado isolado, é difícil imaginar um recuo tão rápido assim dele, depois de tanta obstinação ao Palácio Anchieta. Pazolini é certo no pleito, nenhum dos dois prefeitos vai ocupar uma posição de vice, e a outra possibilidade, que seria uma vaga ao Senado para Arnaldinho, não convence tanto de imediato. Afinal, onde desaguarão todas essas conveniências da política?

Mais…

O prefeito de Vila Velha, vale lembrar, não aceitou atuar apenas como cabo eleitoral de Ricardo Ferraço, que era o desejo do grupo de Casagrande. Vai ser somente cabo eleitoral de Pazolini?

Futuro

É de se considerar, também, que os dois são lideranças de futuro no Estado,  com ambições e sede de poder. O que uma aliança significaria para os projetos que vêm depois? Alguém disposto a ceder a vez de galgar mais espaços? Não é o que parece…

Barulho garantido

O desfile de Pazolini e Arnaldinho foi programado para sair de imediato nas redes sociais, até como collab (colaboração) no Instagram. Muitas fotos com pose de aliados, mas no caso do prefeito de Vila Velha, teve também registro ao lado de Casagrande, em meio a torta de climão.

Chapa

No caso desse namoro sair do lugar de “figuração” e virar casório sacramentado, Pazolini agregaria mais uma legenda ao seu palanque, o PSDB. Até agora, tem considerado como certo o PSD, do ex-governador Paulo Hartung. Partido esse que, vale lembrar, Arnaldinho tentou se filiar, espalhando insatisfações no seu ex-grupo aliado.

Chapa II

A vaga do Senado desse bloco está em aberto. Hartung joga para a plateia sobre seus planos – se é que tem algum -; e o deputado estadual Sérgio Meneguelli, hoje no Republicanos, aguarda ser avalizado pelo PSD. O deputado federal Evair de Melo (PP) é outra peça que se move nesse sentido e também circulou efusivocom Pazolini e Arnaldinho no Sambão.

Perna cobiçada

A questão de Evair passa pelo convencimento de levar a superfederação UP para o lado de Pazolini, o que é a meta também dos aliados do prefeito. Hoje, as legendas PP e União estão alinhadas no arco de Casagrande e o deputado Da Vitória chegou a se colocar na disputa ao Senado. O mesmo Da Vitória, como se sabe, também transita no lado de Pazolini e participou do desfile com Arnaldinho.

Sei não…

Embora lideranças jovens, à frente de importantes prefeituras – mas com diferenças em fazer gestão, é bom que se registre –, e com capitais eleitorais consolidados, há quem ache que a junção da dupla Pazolini-Arnaldinho não ornou. Esta colunista faz parte desse grupo.

Naufrágio

A articulação dos prefeitos ocorre também na esteira dos movimentos do PL de escalar o senador Magno Malta para disputar o governo do Estado, junto com sua filha Maguinha Malta ao Senado. Não é um projeto fechado, mas firmou de vez o afastamento dos bolsonaristas de Pazolini, depois de meses de tentativa de negociação por uma aliança. Neste caso, seriam duas candidaturas dividindo votos no mesmo eleitorado de direita.

Reações

Dito tudo isso, resta saber, agora, como será o contra-ataque de Casagrande e Ferraço para manter o Palácio Anchieta em suas mãos. A rasteira de Arnaldinho  não deve passar ilesa. Curiosa pelos próximos capítulos eleitorais do Estado…

Nas redes

“(…) temos a certeza absoluta que, assim como fizemos a revolução do samba, respeitando a velha guarda, a ancestralidade e aqueles que nos antecederam, mas trazendo a modernidade, é que nós vamos, Arnaldinho, reescrever essa história. Respeitando o passado, os que estiveram antes de nós, mas com a certeza absoluta de que o futuro será de paz e prosperidade (…). Lorenzo Pazolini em discurso no Sambão do Povo colado em Arnaldinho e próximo de Casagrande.

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