Casagrande só não diz, mas aqui e no campo nacional, o Senado é aposta certeira

Embora emita sinais, o governador Renato Casagrande (PSB) não bate o martelo oficialmente de que disputará o Senado neste ano. Adia o anúncio para mais próximo do prazo que tem para passar a cadeira ao seu vice, Ricardo Ferraço (MDB), que é até 4 de abril. Mas tanto no mercado político local quanto de fora, já é considerado candidatíssimo. Os discursos que marcaram o retorno dos trabalhos na Assembleia Legislativa nessa segunda-feira (2), com exaltações aos dois, somados a recados políticos, reforçaram a vitalidade desse projeto, assim como recentes levantamentos dos cenários nacionais. Um deles da Folha de S.Paulo, que inclui Casão entre os nove dos 27 governadores que tentarão o Senado em outubro. Em 10 estados, a sucessão será justamente com os vices, como também ocorre por aqui. A não ser a certeza considerada irreversível sobre o projeto que é prioritário do PSB no Estado, os outros personagens do tabuleiro seguem indefinidos. Na própria chapa palaciana, se apresentam para a segunda vaga o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), o deputado federal Da Vitória (PP) e a ex-senadora Rose de Freitas (MDB). Euclério é o que mais tem se movimentado com Ferraço e o governador nos últimos meses; Da Vitória iniciou o processo mais enfático e depois segurou; e Rose pouco apareceu nas articulações eleitorais. Do lado oposto o congestionamento também ocorre, tendo como ingrediente relevante a presença do principal adversário de Casagrande, o ex-governador Paulo Hartung (PSD), a quem sobra a mesma disputa ao Senado na chapa de outro opositor, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Ao contrário das convicções sobre Casagrande, porém, ninguém ousa cravar os planos de PH, por um motivo é simples: passa eleição, entra eleição, com ele prevalece a máxima: “pode acontecer tudo, inclusive nada”.
Direção
Nos discursos da Assembleia, além das falas eleitoreiras do presidente, Marcelo Santos (União), já citadas aqui na coluna, em favor de Casagrande e Ferraço, o governador também decidiu puxar um discurso contra o “retorno ao passado”, ao autoritarismo e à falta de diálogo, características dos governos e do modus operandis político de quem? Isso mesmo, de Paulo Hartung!
Direção II
No caso de Marcelo, vale repetir: o deputado exaltou Casagrande e seu vice como candidatos, indicou o movimento de desincompatibilização, e tratou Ricardo Ferraço como “futuro governador”. O plenário estava lotado, com representantes dos principais órgãos e instituições de poder do Estado.
Marca
Por falar em campanha e Casão, repercute nesta semana um vídeo com o uso da Inteligência Artificial (IA) que explora o que acabou virando uma marca do governador, a barrinha de cereais, que na verdade é torresmo. Alguns dos trechos, ao som de forró, dizem: “em todo canto capixaba tem a barriga do Casão” e “barrinha que dá energia é a barrinha do Casão”. A eleição com a IA promete, hein?!
Quem é o ‘pai’?
Os prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), que se articulam para disputar o governo do Estado, têm repetido as mesmas entoadas em eventos e publicações nas redes sociais: “Viva Vitória, viva o Espírito Santo” e “Viva Vila Velha, viva o Espírito Santo”. Os dois disputam tudo.
Área de votos
Arnaldinho, aliás, participou, na noite dessa terça-feira (3), de evento Fogo na Vila Sunset, da igreja evangélica Assembleia de Deus Fonte de Vida, em Itaparica. Junto com o vereador Devanir Ferreira, que transita bem por essa área, e é filiado ao…Republicanos! Pazolini também teve um holofote desse para chamar de seu há poucos dias, com o Jesus Vida Verão, na Praia de Camburi.
Que coisa…
De volta à Assembleia, nos últimos dias, diante do fim do recesso parlamentar, Marcelo Santos vem repetindo, em discursos e entrevistas, que o ritmo de trabalho dos deputados, todos candidatos este ano, será mantido. Também chegou a realizar reunião, nessa terça-feira (3), com o Colégio de Líderes, sobre condutas no ano eleitoral. Pois bem…
Que coisa II…
…as duas primeiras sessões do ano indicaram exatamente o contrário. Na terça durou 1h30, e nesta quarta, 42 minutos. O que repete o trabalho arrastado já dos últimos meses de 2025, resultado da antecipação do processo eleitoral no Espírito Santo. Enquanto isso, os projetos de acumulam, as demandas também.
Só pensam nisso
No legislativo estadual, como se sabe, são 23 candidatos à reeleição; cinco à Câmara Federal – incluindo Marcelo Santos -; e dois postulantes ao Senado – Callegari (DC) e Sérgio Meneguelli (Republicanos).
Nas redes
“(…) entre um prato e outro, dialogamos sobre Cariacica e o Espírito Santo, reforçando a parceria, a proximidade e o compromisso com o desenvolvimento do nosso Estado. Trabalho, diálogo e parceria, tudo junto – do jeito que o capixaba gosta. Construindo o presente, de olho no futuro (…)”. Euclério Sampaio, em mais um encontro com o aliado e correligionário, Ricardo Ferraço.

