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Quarta, 15 Julho 2020

​Entregadores Antifascistas se organizam no Espírito Santo

entregador_app_marcello_casas_jr_agencia_brasil Marcello Casa Jr/ Agência Brasil

O Espírito Santo é um dos estados brasileiros em que o coletivo Entregadores Antifascistas se organiza. A articulação política dos trabalhadores de aplicativos de entrega tem chamado a atenção de analistas políticos e da sociedade em geral e deve ter uma prova de força na greve geral convocada para o próximo dia 1º de julho, que pode ser a primeira grande paralisação da categoria a nível nacional.

Um dos integrantes do coletivo capixaba, identificado como Lemão, apontou como um dos principais pontos das reivindicações o estabelecimento de auxílio alimentação, o que poderia abrir caminho para a conquista de outros direitos. Mas também entram na pauta questões como o aumento das taxas cobradas pelas empresas, o fim de bloqueios indevidos a entregadores pelos Apps e fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) para os entregadores durante a pandemia.

Outras reivindicações pedem pontos nas cidades com banheiro, carregador de celular e manutenção dos equipamentos utilizados para as entregas. E há, ainda, demandas específicas para alguns aplicativos, como o pedido para fim da cobrança de taxa para transferir dinheiro do aplicativo para o banco, como é praticado pela Shipp.

"Tem aplicativo que força a gente a ficar de olho na tela para conseguir pegar a entrega. Aí você vê motoboy pilotando de olho no celular, você vê ciclista pedalando de olho no celular para não perder a entrega, e isso aumenta o risco gigantescamente", aponta Lemão sobre a prática de algumas empresas. "Enquanto isso, os empresários estão lá ganhando milhões sem dar nenhuma tipo de suporte", critica o entregador.

Nacionalmente, os Entregadores Antifascistas ganharam expressão a partir das manifestações antifascista organizadas em São Paulo, tendo como figura destacada Paulo Lima, conhecido como Galo. Ele criou um abaixo-assinado pela internet que já reúne mais de 360 mil assinaturas pedindo que as empresas contribuam com alimentação e álcool gel para os entregadores. Dali, o coletivo já derivou para grupos estaduais, tendo páginas oficiais os coletivos de Pernambuco, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Espírito Santo.

Em vídeo recente, Galo ressaltou que os Entregadores Antifascistas são contra o governo Jair Bolsonaro (sem partido), mas essa não é necessariamente a posição da paralisação, que não surgiu a partir do coletivo, mas sim da revolta de diversos trabalhadores com as condições que enfrentam. "A greve do dia 1 de julho é um movimento apartidário, que surge de uma revolta coletiva", declarou.

No Espírito Santo, além dos Entregadores Antifascistas ES, também convocam a paralisação entidades como o Sindicato dos Trabalhadores de Aplicativos do Espírito Santo (Sintappes), fundado em dezembro de 2019.

De acordo com grupos envolvidos, será realizado um ato no dia da greve, cujo local e horário ainda estão sendo discutidos coletivamente.

Os Entregadores Antifascistas devem atuar durante a greve com ações como colagem de cartazes, distribuição de panfletos e realização de pequenos reparos gratuitos para os entregadores ciclistas. Também devem contribuir com a doação de alimentos a serem compartilhados durante o ato, simbolizando um dos principais pontos de reivindicação, que é o fornecimento de alimentação para os entregadores, que passam até 12 horas trabalhando sem nenhum tipo de apoio nesse sentido por parte dos aplicativos.

Além de realizarem sua paralisação nacional, os entregadores também convidam os consumidores que utilizam os aplicativos ou outros apoiadores da luta por direitos a participarem por meio de uma série de iniciativas como: boicote aos aplicativos no dia dia 1º de julho, usando a hastag #1DiaSemApp. "Se for necessário, compre a sua comida diretamente no restaurante. Caso não possa sair para ir ao mercado, programe-se para não precisar pedir compras pelos aplicativos neste dia", diz a campanha nacional.

Os entregadores alertam que já aconteceu de empresas de entrega lançarem promoções em dias de paralisações para enfraquecer o movimento, por isso estimula também que as pessoas optem por fazer comida em casa no dia e sugerem a hastag #ApoioBrequeDosAPPs. Outro pedido do movimento é para ajudar na divulgação da luta dos trabalhadores, compartilhando as publicações dos movimentos e usando as hastags sugeridas. 

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