Sexta, 21 Janeiro 2022

Decisão barra imóvel próximo a Poço dos Jesuítas em Guarapari

poco_jesuitas_guarapari_acervo_beatriz_bueno Acervo Beatriz Bueno

Localizada no Morro do Atalaia, o Poço dos Jesuítas é uma das mais antigas construções de Guarapari, que data de 1585, antes mesmo da fundação da cidade. Recentemente, a mobilização de moradores e grupos sociais conseguiu barrar a construção de uma casa nas proximidades do local da fonte de água, que poderia interferir na paisagem e acesso ao local.

Um projeto arquitetônico para construção com dois pavimentos havia sido aprovado no entorno da fonte em 2016. Porém, o Plano Diretor Municipal mudou em 2017, transformando a região de zona de uso residencial para zona de proteção ambiental. As disposições transitórias permitiam recursos do proprietário da área, mas este foi reprovado recentemente pelo Conselho do PDM.

Construído com pedras sobrepostas e argamassa composta por areia, conchas trituradas e óleo de baleia, o poço encontra-se nas proximidades do Centro de Guarapari, com bela vista para o mar da Praia da Fonte. O entorno possui outros patrimônios históricos, como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e as ruínas remanescentes de outra igreja, que tinha o mesmo nome. É também um dos pontos de parada e visita da caminhada anual Passos de Anchieta.

"Guarapari era um dos municípios que tinha mais monumentos da época dos jesuítas, mas estão acabando com tudo, queremos tombamento para tentar mantê-los preservados", diz a professora Beatriz Bueno, moradora do entorno.

O cuidado do patrimônio tem sido feito sobretudo por vizinhos e entidades da sociedade civil, diante da pouca atenção do poder público pelo patrimônio histórico que vem de longa data. A água do Poço dos Jesuítas era potável, mas foi contaminada pelo esgoto das construções do entorno, que poluíram os lençóis freáticos. Beatriz realizou pesquisas buscando o tombamento do Poço dos Jesuítas e aponta em registros de seu livro Guarapari: muito mais que um sonho lindo que no Morro do Atalaia havia outros dois poços antigos que foram destruídos, sendo que um deles serve de criadouro de peixes dentro da propriedade de um morador.

Um pedido de tombamento no Conselho Estadual de Cultura (CEC) data de 1989 e implicaria sustar qualquer obra ou projeto que significasse mutilação ou modificação da construção. Mas o processo não foi adiante, apesar das várias tentativas.

Para além do Poço dos Jesuítas em si, a polêmica em torno deste patrimônio histórico levanta outros questionamentos sobre a cidade de Guarapari. "O patrimônio histórico precisa ser valorizado. Guarapari não tem memória. Não há turismo, há veranismo, invasão turística e expulsão do povo pobre que morava aqui, que foi afastado para as periferias", critica Beatriz Bueno. Enquanto isso, vários imóveis permanecem vazios na região central da cidade, sendo ocupados apenas para veraneio, num turismo sazonal e baseado nas belezas naturais do município, valorizando pouco sua cultura, história e patrimônio.

O empresário Gustavo Guimarães, representante do setor de turismo e hotelaria no Conselho do PDM, cita como exemplo a região de Porto Seguro, que consegue em sua rota turística as belas praias com aspectos históricos e patrimônio histórico e cultural. Ele fala da importância de envolver as escolas e crianças no processo de valorização da história local, comprometendo as novas gerações com a preservação dos espaços. "Quando há comprometimento, a população denuncia ameaças à proteção dessas áreas", comenta.

Sua sugestão é que o poder público encaminhe a desapropriação da área ao redor do Poço dos Jesuítas, com a devida indenização ao proprietário das terras, conforme lhe é de direito.

Assim, o local poderia ser transformado numa área verde, com recuperação das plantas nativas e proteção ambiental e do patrimônio, servindo tanto para a convivência de moradores do entorno como ponto de visita para turistas.

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Comentários: 9

Carmen Lúcia em Terça, 16 Junho 2020 04:44

Estamos falando de um bem cultural e histórico intimamente relacionado com a identidade do local e que, por isso, ajuda a construir em nós uma sensação de pertencimento. Isso basta para proteger e lutar pela preservação e integridade dessa fonte. Além disso, mais uma construção, implicaria na impossibilidade ainda maior de acesso à Praia da Fonte, que é um bem público cercado por propriedades particulares que tentam"esconder a praia" . O certo é tombar a fonte e viabilizar o acesso a ela e à praia. É um dos lugares mais bonitos da cidade, carregado de significado.

Estamos falando de um bem cultural e histórico intimamente relacionado com a identidade do local e que, por isso, ajuda a construir em nós uma sensação de pertencimento. Isso basta para proteger e lutar pela preservação e integridade dessa fonte. Além disso, mais uma construção, implicaria na impossibilidade ainda maior de acesso à Praia da Fonte, que é um bem público cercado por propriedades particulares que tentam"esconder a praia" . O certo é tombar a fonte e viabilizar o acesso a ela e à praia. É um dos lugares mais bonitos da cidade, carregado de significado.
Beatriz em Terça, 16 Junho 2020 15:31

É isto mesmo Carmen Lúcia, vc que nasceu e foi criada aqui no Caminho da Fonte e como muitos que usaram as águas desta nascente, sabe do valor e da importância deste monumento.

É isto mesmo Carmen Lúcia, vc que nasceu e foi criada aqui no Caminho da Fonte e como muitos que usaram as águas desta nascente, sabe do valor e da importância deste monumento.
Adriano Albertino em Terça, 16 Junho 2020 15:46

Parabéns Profa Beatriz Bueno Graeser. Você é a guardiã n° 01 do nosso Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico. Parabéns à todos envolvidos na preservação e Valorização de nossa identidade cultural local. Este é um bem de todos , além de importante ativo turístico que infelizmente vem sendo mal explorado.

Parabéns Profa Beatriz Bueno Graeser. Você é a guardiã n° 01 do nosso Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico. Parabéns à todos envolvidos na preservação e Valorização de nossa identidade cultural local. Este é um bem de todos , além de importante ativo turístico que infelizmente vem sendo mal explorado.
Adriano Albertino em Terça, 16 Junho 2020 15:48

Como Professor de História e morador posso atestar a importância da Profa Beatriz Bueno Graeser para nossa querida Guarapari.

Como Professor de História e morador posso atestar a importância da Profa Beatriz Bueno Graeser para nossa querida Guarapari.
em Terça, 16 Junho 2020 18:02

Parabéns à população de Guarapari! É sem dúvida uma grande vitória para a preservação do que restou do nosso patrimônio histórico. Meus cumprimentos e minha admiração à professora e historiadora Beatriz Bueno, incansável em seu esforço no resgate da história e cultura de Guarapari e ao empresário Gustavo Guimarães, sempre na luta pela valorização do município. Sou favorável ao tombamento do Poço dos Jesuítas e desapropriação do terreno ao redor. Muito orgulho de morar aqui!

Parabéns à população de Guarapari! É sem dúvida uma grande vitória para a preservação do que restou do nosso patrimônio histórico. Meus cumprimentos e minha admiração à professora e historiadora Beatriz Bueno, incansável em seu esforço no resgate da história e cultura de Guarapari e ao empresário Gustavo Guimarães, sempre na luta pela valorização do município. Sou favorável ao tombamento do Poço dos Jesuítas e desapropriação do terreno ao redor. Muito orgulho de morar aqui!
Gustavo Brandão em Terça, 16 Junho 2020 18:43

A luta pela preservação do patrimônio cultural material e imaterial de um povo é trabalho constante.
A conscientização em proteger os bens culturais, herança de nossos ancestrais, deve ser reavivada nas escolas e instituições públicas como matéria essencial para relembrar a caminhada do nosso povo sobre essas terras capixabas.
Parabéns professora Beatriz Bueno pela incansável batalha em preservar e divulgar as riquezas únicas de nossa região e nossa cidade.

A luta pela preservação do patrimônio cultural material e imaterial de um povo é trabalho constante. A conscientização em proteger os bens culturais, herança de nossos ancestrais, deve ser reavivada nas escolas e instituições públicas como matéria essencial para relembrar a caminhada do nosso povo sobre essas terras capixabas. Parabéns professora Beatriz Bueno pela incansável batalha em preservar e divulgar as riquezas únicas de nossa região e nossa cidade.
Bento em Quinta, 18 Junho 2020 11:41

Parabéns para a perseverança histórica dessa heroína na defesa Histórica e cultural do município de Guarapari. Não nasci aqui, mas estou aqui desde 2012 e considero que realmente existe um planejamento de destruição do patrimônio sócio cultural na região, privilegiando os empreendimentos imobiliários. Como o da praia da Bacutia, Peraganga e tantas outras tão bem descritas no nobre trabalho da Beatriz em seu livro. A preservação do ambiente ecológico-Histórico-sócio- cultural, beneficia tanto a questão sócio educativa como também do turismo empreendedor que irá beneficiar a maior parte da população de Guarapari. Aja visto os exemplos de paizes como Portugal,Espanha,Estados Unidos, Canadá e outros e exemplos Brasileiros no nordeste e sul do país.
Podemos e devemos abrir frentes de conscientização, para a mobilização coletiva em defesa da preservação do ambiente histórico de Guarapari. Continue Beatriz

Parabéns para a perseverança histórica dessa heroína na defesa Histórica e cultural do município de Guarapari. Não nasci aqui, mas estou aqui desde 2012 e considero que realmente existe um planejamento de destruição do patrimônio sócio cultural na região, privilegiando os empreendimentos imobiliários. Como o da praia da Bacutia, Peraganga e tantas outras tão bem descritas no nobre trabalho da Beatriz em seu livro. A preservação do ambiente ecológico-Histórico-sócio- cultural, beneficia tanto a questão sócio educativa como também do turismo empreendedor que irá beneficiar a maior parte da população de Guarapari. Aja visto os exemplos de paizes como Portugal,Espanha,Estados Unidos, Canadá e outros e exemplos Brasileiros no nordeste e sul do país. Podemos e devemos abrir frentes de conscientização, para a mobilização coletiva em defesa da preservação do ambiente histórico de Guarapari. Continue Beatriz
Vilma Raimundo em Sexta, 19 Junho 2020 11:00

Guarapari tem o privilégio de ter alguém como Beatriz Bueno que desenvolve um trabalho intenso de resgate, de pesquisa exaustiva dedicado à memória histórica e material desta cidade que ainda patina com uma política sofrível de turismo, um turismo que degrada, sem um retorno aprazível. Parabéns Beatriz!

Guarapari tem o privilégio de ter alguém como Beatriz Bueno que desenvolve um trabalho intenso de resgate, de pesquisa exaustiva dedicado à memória histórica e material desta cidade que ainda patina com uma política sofrível de turismo, um turismo que degrada, sem um retorno aprazível. Parabéns Beatriz!
Alexia Caiado em Segunda, 22 Junho 2020 10:19

Parabéns a Beatriz, com certeza, um passo muito importante (de muitos que ainda temos a percorrer!). Temos que lutar pelo tombamento, mas mais importante, pela efetiva apropriação do local pela população! Esse bem faz parte da memória do povo guarapariense, e o que seria de nós sem memória? Já que ela representa tudo o que somos, não é mesmo?! Que as águas dessa fonte voltem a ser limpas!

Parabéns a Beatriz, com certeza, um passo muito importante (de muitos que ainda temos a percorrer!). Temos que lutar pelo tombamento, mas mais importante, pela efetiva apropriação do local pela população! Esse bem faz parte da memória do povo guarapariense, e o que seria de nós sem memória? Já que ela representa tudo o que somos, não é mesmo?! Que as águas dessa fonte voltem a ser limpas!
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Sexta, 21 Janeiro 2022

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