Terça, 21 Mai 2024

Quase 20 mil pessoas estão desalojadas devido às chuvas no Estado

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Giovani Pagotto/Ales

O número de pessoas desalojadas em decorrência das chuvas no sul do Espírito Santo chegou a 19,6 mil, segundo o Boletim Extraordinário da Defesa Civil divulgado no final da tarde desta terça-feira (26). A quantidade, portanto, quase triplicou em cerca de 10 horas, já que no boletim divulgado nesta manhã, o número era de 7,2 mil. O número de mortos se manteve o mesmo, ou seja, 18 em Mimoso do Sul e 2 em Apiacá.

O quantitativo de desabrigados saltou de 408 para 510, já o de desaparecidos reduziu de sete para três, sendo um em Mimoso do Sul e dois em Apiacá. Mais da metade dos desalojados, um total de 10 mil, são de Mimoso do Sul. Apiacá é o segundo município com maior número de desalojados, que são 4 mil.

Em seguida vem Bom Jesus do Norte (3 mil); Alegre (2,3 mil), que aparece pela primeira vez no boletim; Vargem Alta (341) e Muniz Freire (9). Com 332 pessoas desabrigadas, Apiacá lidera nesse quesito. Depois vem Mimoso do Sul (100), Bom Jesus do Norte (64) e Alegre (14).

A reconstrução dos municípios da região sul atingidos pelas chuvas foi tema de uma reunião entre o governador Renato Casagrande (PSB) e integrantes da bancada federal, na manhã desta terça-feira (26). Também estava presente o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Casagrande entregou o relatório inicial com as demandas de infraestrutura urbana, rural e rodoviária, além de habitação, com custo estimado em R$ 743 milhões.
Giovanni Pagotto/Governo ES

De acordo com o documento, será necessária a construção de 560 novas unidades habitacionais, além da reparação de quase 1,7 mil residências, com investimento previsto de R$ 275,3 milhões. Além disso, o Governo do Estado prevê a necessidade da recuperação de trechos de rodovias estaduais e pontes, bem como a contenção de deslizamentos em vários pontos. O relatório cita ainda a necessidade da recuperação de pavimento e da sinalização viária. Ao todo, o investimento necessário para este eixo é de R$ 124,3 milhões.

O governador destaca que trata-se do primeiro levantamento feito entre domingo (24) e essa segunda-feira (25), primeiros dias nos quais as equipes do Governo do Estado conseguiram entrar nas regiões afetadas e apontar a necessidade de construção e reforma de casas populares, pois muitas foram danificadas ou levadas pela enxurrada. "Construir moradia popular não é uma tarefa fácil, pois você tem que ter terreno, tem que ter a área, pois não é possível construir no mesmo local em que ficava e acabou sendo destruída", explica o governador.

No eixo Infraestrutura Urbana, foi indicada a necessidade de obras de pavimentação e recuperação de vias, contenção de encostas, serviços de macrodrenagem e desassoreamento, além da recuperação e reconstrução de pontes, com custo estimado de R$ 250 milhões. Na parte rural dos municípios, o Governo do Estado demanda a manutenção ou reabilitação geral de estradas vicinais, pavimentadas ou não, além de intervenções em pontes rurais, com investimento previsto de R$ 93,7 milhões.

"Estou em contato direto com os prefeitos para buscar uma solução. Conversei com o prefeito de Mimoso do Sul [Peter Costa, Republicanos] e os terrenos disponíveis são todos em áreas íngremes, não sendo possível construir lá. Então não é uma tarefa fácil decidir onde aplicar o recurso para resolver o problema. Por exemplo, Apiacá tem terreno, um ou outro município também, mas a maioria não tem. E quando há o terreno, você tem que montar a infraestrutura, colocar energia, esgoto e calçamento. Também precisaremos da reabilitação em pontes, pavimentação de ruas e rodovias, além da manutenção de estradas vicinais", informou Casagrande.

O ministro se colocou à disposição para auxiliar os municípios capixabas. "O presidente Lula orientou todos os ministros para que o Governo Federal atue de forma transversal em qualquer ocorrência no País. No Ministério, fazemos o reconhecimento da situação de emergência e calamidade pública. Sei que o Espírito Santo, ao lado de alguns outros estados, está em um nível mais alto de estruturação na resposta a desastres, inclusive, com ações de monitoramento e prevenção. A gente conhece e sabe da capacidade de resposta do Estado", afirmou.

Medidas

Nesse domingo (24), o governador Renato Casagrande anunciou medidas de apoio às famílias e empreendedores dos municípios atingidos pelas enchentes. Uma delas é a liberação do Cartão Reconstrução, no valor de R$ 3 mil, para aquisição de móveis, eletrodomésticos, roupas, alimentos, material de construção ou qualquer item que a família entenda como prioritário.

Com foco nos empreendedores, a gestão estadual vai liberar linhas de financiamento especiais e prorrogar as operações de crédito em curso pelo prazo de seis meses. Serão R$ 50 milhões para subsidiar as operações junto ao Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) e ao Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), por meio do Fundo de Fortalecimento da Economia Capixaba (Fortec). Além disso, serão abertas novas linhas para o microcrédito, por meio da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes).

Situação de Emergência

O governador, por meio do Decreto nº 501 – S, decretou situação de eEmergência nos municípios de Alegre, Alfredo Chaves, Apiacá, Atílio Vivacqua, Bom Jesus do Norte, Guaçuí, Jerônimo Monteiro, Mimoso do Sul, Muniz Freire, Muqui, Rio Novo do Sul, São José do Calçado e Vargem Alta. O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho (PSB), também assinou um decreto no município. De acordo com o gestor, Cachoeiro não foi tão afetada quanto os municípios vizinhos, mas o decreto é necessário para "atuar com mais vigor na recuperação do município".

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