Uma década. Esse foi o tempo que a Justiça precisou para pôr o empresário Sebastião Pagotto no banco dos réus. Na parte criminal, tudo foi resolvido em pouco mais de 15 horas de júri. O empresário foi condenado a 17 e 10 meses de prisão por ser o mandante do crime que executou o advogado Marcelo Denadai, em abril de 2002, na Praia da Costa, em Vila Velha.
Em torno do aguardado júri, havia a expectativa de que o esquema de fraude montado na prefeitura de Vitória, que provocou a instalação de uma CPI na Câmara, a da Lama, trouxesse toda a sujeira que o título da CPI sugere, com os depoimentos de pessoas que acompanharam o escândalo, como o vereador Ademar Rocha (PTdoB), que, à época, presidia a Casa. Rocha admitiu apenas que Pagotto teria “montado uma maternidade de empresas laranja para contratar com o poder público”. Na época, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) estava à frente da prefeitura da Capital.
A própria irmã do advogado, a deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), durante seu depoimento, também acabou não fazendo nenhuma menção ao esquema de corrupção instalado na prefeitura e ao crime do advogado. Embora tenha feito pronunciamentos na Assembleia com críticas à permanência da empresa de Pagotto em contratos com o então governo de Paulo Hartung.
O ex-governador, que também foi “esquecido” nos depoimentos, era bastante próximo do empresário. O ex-militar Pagotto, que foi segurança de Hartung, se transformou num empresário bem-sucedido graças aos contratos que beneficiaram a Hidrobrasil.
Para a família do advogado, ainda bem, ficou o consolo de que a Justiça tardou, mas não faltou. A deputada Aparecida declarou após o julgamento que o sentimento “não é de alegria, mas de alívio”.
Falta agora julgar o outro crime, o de corrupção, que continua enterrado em algum lugar em meio à CPI da Lama. Os interessados em não apurar o crime continuam se valendo da estratégia tempo, que é capaz de esmaecer e até apagar as máculas do passado, como se nada tivesse acontecido.

