sexta-feira, abril 10, 2026
23.4 C
Vitória
sexta-feira, abril 10, 2026
sexta-feira, abril 10, 2026

Leia Também:

Arrumando a casa

Interlocutores palacianos diziam no período pré-eleitoral, que após a disputa municipal, o governador Renato Casagrande passaria a implementar as mudanças em sua equipe a fim de atender aos anseios de sua enorme base aliada. São 16 partidos, entre eles o PMDB, de seu antecessor, essa seria uma chance para o socialista mudar o perfil de governo e fazer internamente as movimentações que garantirão a marca de sua gestão.

A critica nos meios políticos está no fato de que em se chegando ao fim da primeira metade do governo Casagrande, a equipe continua dividida, com forte influência dos representantes do governo passado. Basta ver o nome que comanda uma das pastas mais importantes do ponto de vista da nova cobrança das mídias por responsabilidade governamental.

A cunhada do ex-governador Paulo Hartung continua à frente da Secretaria de Transparência, uma pasta criada na gestão do ex-governador para abrigar Ângela Silvares, que era auditora geral, para fugir do nepotismo.

Mas isso é o de menos, no início do governo houve, sim, problemas de comando, mas Casagrande conseguiu contornar a situação. A base, porém, reclama, quer espaço. E a cobrança vai aumentar, sobretudo, das lideranças que saíram derrotadas na disputa deste ano.

Casagrande parece ter dificuldades para mexer nessas peças, basta ver a mudança de seu ex-secretário de Governo Robson Leite, que mesmo tendo trazido alguns desgastes com a classe política, não foi retirado do governo, mas transferido para a Secretaria de Planejamento. E o que dizer sobre a polêmica em torno do ex-secretário de Justiça, Ângelo Roncalli, que teve a cabeça pedida pelos deputados, mas só saiu porque pediu demissão, pelo menos é o que parece.

Casagrande teve um desempenho elogiado pela classe política no período eleitoral, se estabeleceu como a principal liderança política e é reconhecido pelos integrantes de sua base. Talvez isso amenize a cobrança pelas mudanças internas, mas haverá sempre aquela insegurança pela partilha da gestão com o ex-governador.

Talvez o governador esteja mergulhado demais nas questões externas, como o socorro às prefeituras no próximo ano, o que pode fortalecê-lo ainda mais. É preciso, porém, uma reflexão sobre a arrumação da casa.

Mais Lidas