A classe política de Linhares está atenta às sessões da CPI da Sonegação da Assembleia Legislativa, na qual o deputado estadual e ex-prefeito Guerino Zanon (PMDB), na qualidade de membro efetivo da comissão, vem disparando sua metralhadora giratório para cima de gente grande. A estratégia é passar um recado para os vereadores que recusaram suas contas à frente da prefeitura de Linhares, com a seguinte mensagem: “Vocês poderão ter um encontro infortúnio comigo nas próximas eleições”.
É fato que a maior parte dos vereadores conquistou seus atuais mandatos sob o manto protetor de Zanon. Casos do Pastor Miravaldo (PSC) e Tarcísio Silva (PSB). Só os do seu partido, o PMDB, mantiveram-se leais ao ex-prefeito: Cárdia, Amantino Paiva, Fabrício Lopes e Pedro Joel Celestrine.
Desta Câmara que rejeitou suas contas, 10 vereadores foram eleitos com o apoio de Zanon e somente três compartilharam o palanque do atual prefeito Nozinho Correa (PDT). O irmão dele, Zeca Correia (PPL), Stéfano Silote (PDT) e Edimar Vitorazzi (PTN).
Acumulando processos em diferentes instâncias judiciais e no Tribunal de Contas, um veredicto de um colegiado para transformá-lo em ficha suja era a pá de cal que faltava para Zanon. Nove vereadores, em 13, rejeitaram suas contas num fechar e abrir de olhos. Evidente que não houve espontaneidade. Ao contrário, foi uma jogada bem armada pelos edis linharenses. A estratégia, é fato, contou com vários ingredientes extras, inclusive cargos em comissão na prefeitura.
O golpe em Zanon, no entanto, não supriu o fracasso político de Nozinho, eleito para dar um fim ao controle político do ex-prefeito. O tiro de Nozinho saiu pela culatra, o pedetista acabou fortalecendo o crescimento da liderança de Zanon no município, nas eleições de 2014, quando o peemedebista explodiu com a sua candidatura a deputado estadual, enquanto que Luiz Durão, também do PDT, antigo parceiro de Nozinho, não conseguiu se reeleger deputado estadual.
Imaginemos a eleição à prefeitura nesse clima pesado que paira sobre Linhares, com Guerino Zanon candidato. Quem seria os seus adversários? Luiz Durão? Com esse selo de Nozinho, ele não vai longe. A probabilidade vai para o presidente da Câmara, Miltinho Colega (PSDB). Nozinho não teria nenhum constrangimento em colocar a máquina da administração a serviço do tucano. O problema é que o prefeito não tem o controle do PDT. É Durão quem tem o partido na mão.
Outra hipótese é a candidatura de Zanon ser inviabilizada em função de suas pendengas na Justiça. Caso isso aconteça, outro nome que aparece forte é o do vereador Doutor Cardia (PSD), que teve uma excelente votação à Câmara. Ele tem, porém, um grau de independência política que não se ajusta aos critérios de controle de Zanon. Isso pode ser um empecilho.
O ex-prefeito fez uma experiência nas eleições de 2014, quando lançou um ex-secretário a deputado federal, o advogado Lucas Scaramussa (PMDB). A experiência foi positiva. Scaramussa, com 13 mil votos, foi o candidato a federal mais votado de Linhares. Seria esse o candidato de Zanon caso sua candidatura seja inviabilizada?
O jogo em Linhares continua girando em torno de Guerino Zanon, para o bem e para o mal.

