Quem esteve na audiência pública que debateu o os planos do Grupo Buaiz para a Enseada do Suá, em Vitória, saiu com a nítida impressão de que o poder público já escolheu seu lado: o do empresariado. O secretário municipal de Desenvolvimento, Kleber Frizzera (foto à esquerda), que deveria atuar como mediador dos interesses, tomou partido e fez as vezes de defensor do projeto privado. As declarações de Frizzera pegaram muito mal e deixaram claro que o debate apenas foi promovido para validar legalmente o que já foi acordado entre empresários e prefeitura a portas fechadas. Outro que caiu de paraquedas por lá, na mesma pegada, foi o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno (foto à direita). No caso dele, para passar uma ideia de que o projeto está em conformidade com o que o Estado planeja na questão da mobilidade urbana, uma das principais preocupações da sociedade civil. A promoção de Frizzera e Damasceno aos empreendimentos tenta diminuir a pressão popular e facilitar o caminho do Grupo Buaiz, que tem muito, muito mesmo a lucrar na região. O cenário está armado. Segue…
Contribuem para essa constatação outros fatores como a audiência pública ter sido realizada na “casa” do próprio grupo, em uma sala de cinema do Shopping Vitória, e a prefeitura querer alterar o Plano Diretor Urbano (PDU) para comportar os projetos logo agora, no apagar das luzes do segundo mandato de João Coser (PT). Intenção é deixar a fatura liquidada.
Outro planeta
O secretário de Estado da Justiça, André Garcia, zomba com os capixabas ao aparecer em A Gazeta, nesta quinta-feira (15), afirmando que o Estado não se encaixa no cenário criticado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em relação aos presídios. Mais ainda, ao garantir que por aqui não há superlotação, “apenas excesso de presos”. Garcia deveria seguir a sugestão do ministro: primeiro passo para solucionar o problema é não negá-lo.
Outro planeta II
O secretário omite o histórico recente do Estado, que não tem muito tempo foi denunciado às cortes internacionais pela prática de tortura, construiu presídios sem licitação para maquiar a realidade, e por conta das constantes violações aos direitos humanos, ficou batizado de masmorras.
Mais
As graves denúncias fizeram inclusive com o que o Tribunal de Justiça implantasse o torturômetro, há um ano, para registrar os casos de tortura. Outro dia, o desembargador Willian Silva, presidente da Comissão de Enfrentamento à Tortura do TJES, enfatizou a necessidade do combate a este tipo de crime nos presídios capixabas. Ou seja, o que virou passado para Garcia, está mais atual do que nunca.
Boa
O senador Ricardo Ferraço (PMDB) defendeu, nessa quarta-feira (14), o fim do voto obrigatório no Brasil. PEC apresentada por ele justifica que o voto facultativo irá melhorar a qualidade do pleito, reduzindo o clientelismo e a quantidade de abstenções. A coluna faz coro.
Boa II
Ferraço lembrou ainda que nas eleições de 2012 a abstenção atingiu 14% no primeiro turno e 19% no segundo turno, fora os brancos e nulos. E completou: “o voto é um direito, não um dever, e o cidadão deve ter a liberdade de não o exercer”.
Fora do contexto
Após as eleições, os políticos do Estado somem das redes sociais. Começa a temporada de abandono total das ferramentas disponíveis na internet, aliás, muito mal exploradas pela maioria.
Missão
Ricardo José Marim foi eleito o novo diretor presidente da Associação Empresarial de Desenvolvimento de Colatina (Assedic), para o biênio 2013/2014. Prioridade será atrair 80 empresas para o Polo Empresarial Assedic. A área já rendeu pano pra manga, tanto no campo de compra dos terrenos, com suspeições, quanto devido a problemas para viabilidade das atividades, já que o preço da energia por lá é muito caro. Apenas três empresas estão no pólo, chegando mais uma em breve.
140 toques
“Nota com valor dos impostos vai aumentar a cidadania fiscal, dizem especialistas”. (Deputado federal César Colnago – PSDB – no Twitter).
PENSAMENTO:
“O país está dividido entre os cinicamente corruptos e os que não conseguem resistir à tentação”. Millôr Fernandes

