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Inversão de ordem

No início do movimento sindical combativo, a grande luta era pela autonomia. Isso porque, havia unidade entre as categorias representadas, mas não havia liberdade deliberativa. O Estado é quem direcionava as atividades e até intervenção se fazia nos sindicatos.

Durante décadas a grande luta foi para  colocar na mão do movimento esse poder de decisão. Para que as categorias pudessem traçar suas próprias diretrizes e ter condições de cobrar do Estado ações que garantissem a igualdade no tratamento entre patrão e empregado.

Conquistada a autonomia, o movimento se mostrou incapaz de lidar com ela. A luta pela unicidade, uma bandeira que é empunhada pela maioria dos dirigentes sindicais, ao longo dos anos foi sendo diluída e o discurso não se efetiva quando observamos as ações dos movimentos sindicais hoje. Basta ver o número de centrais atuando no País.

No que se refere à autonomia propriamente dita, vemos que os dirigentes parecem abrir mão de sua condição deliberativa. Vejamos o exemplo da eleição no Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes).  Para abrir duas urnas foi preciso a intervenção da Justiça do Trabalho.

Parece que o movimento sindical brasileiro se pauta pelas movimentações no ABC paulista. Mas esse tempo já passou. O ABC tem seu foco em São Paulo e o Brasil é muito maior que isso. Cada Estado, cada sindicato e cada trabalhador têm que se sentir responsável pelas mudanças locais e não esperar pelos outros.

Fica a impressão de que o movimento quer passar novamente para o Estado o poder de decisão sobre suas atividades. Incapaz de lidar com o contraditório, ele esvazia o movimento e intoxica a Justiça do Trabalho, enchendo-a de processos sobre assuntos que deveriam ser resolvidos no próprio sindicato.

E não é só eleição que causa esse tipo de transferência de poder. As atividades mais inerentes dos sindicatos, como os acordos coletivos,  as greves e as discussões sobre os direitos trabalhistas queimam a etapa da negociação. Vão direto para a Justiça.

Nesse sentido fica a reflexão: qual o papel do sindicato hoje? Por essas questões vemos o enfraquecimento galopante do movimento, não só no que se refere ao poder político, como ao poder de mobilização. Fica tudo à mercê do poder normativo da Justiça do Trabalho.

Fica prejudicada também a formação das lideranças políticas. Sem conseguir convencer sequer sua categoria, como uma liderança vai convencer o restante da população de que tem condições de representá-la na política institucional?

Final de ano é tempo de balanço. Talvez seja o momento do movimento repensar suas ações e metas para o futuro.

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