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O dia em que o Walmart fechou

 

Era a noite de 25 de dezembro, e pelo boca-a-boca habitual soubemos que o Walmart abriria as portas à meia-noite. Não podemos censurá-los, visto que ao soarem as 12 badaladas, o dia 25 – e, portanto, o Natal – oficialmente termina. Como bem se sabe, é quando tudo fecha que as emergências teimam em nos surpreender. Desta vez nada premente, mas voltávamos para casa e a mastodôntica loja estava na nossa rota.
 
Fomos, pois, ao Walmart à meia-noite do dia 25 de dezembro, ou zero hora do dia 26, dirão os puristas. As luzes estavam todas acesas e havia muitos carros estacionados, mas um policial dentro do carro de patrulha parado na entrada avisou que a loja estava fechada: “Voltem às seis da manhã do dia seguinte”. Já era o dia seguinte, mas não se deve discutir com uma autoridade. Agradecemos e teríamos ido dormir em paz, não fosse pela estranha movimentação em torno.
 
Como dito acima, havia muitos carros no gigantesco estacionamento, o que não surpreende ninguém, mesmo numa loja fechada. É do conhecimento geral que muita gente mora dentro de seus carros, e qual o melhor lugar para fixar a residência que uma loja aberta 24 horas por dia, com banheiros razoavelmente limpos, e que vende de tudo? Os postos de gasolina oferecem menos vantagens, têm parco estacionamento, e cobram.
 
Mas nesta noite sagrada para a cristandade, a movimentação em torno do Walmart era outra. Grupos de adolescentes, somando uns 100 jovens de ambos os sexos, rondavam a área, totalmente desorientados e incrédulos. Parece que não acreditavam no policial; pois a todo instante um deles ia até ele, insistindo na pergunta – Não vai abrir? O homem da lei pacientemente baixava o vidro e repetia a mesma frase: “Voltem amanhã às seis”.
 
Às seis a noite já acabou, e eles queriam entrar agora. Ficamos por ali, apreciando a movimentação, sem entender bem essa nova faceta do Walmart – point de jovens (obviamente classe média baixa) nos fins de semana? Depois de uns 15 minutos observando esse vagar de zumbis pelo estacionamento, fomos embora cuidar do sono. E ficou comigo a grande pergunta que não tive coragem de fazer, O que queriam eles no Walmart?
 
Será que tudo mais fechou e a turma jovem não tinha outro lugar para se divertir? Ou ir ao Walmart nas noites de fim de semana é a melhor opção de lazer? Ouvindo música cubana? Por que insistiam com o policial de plantão, sem poderes para abrir as portas do paraíso? Acho que o policial ali estava justamente por causa deles…  Terei que voltar ao Walmart à meia noite do próximo Natal, porque nos fins de semana comuns, no ano todo, eles se dissolvem na massa de gente que enche a loja, seja 12 horas do dia ou da noite.

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