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Quebrei, e agora?

Quem nunca viveu ou viu alguém próximo “mergulhando” em dívidas crescentes, chegando aquele velho movimento diário de “vender o almoço para comprar o jantar”. Atualmente, 59,2% do total de famílias brasileiras estão endividadas. Deste universo, 20,5% estão com dívidas em atraso e 7% referem que não terão como pagá-las, representando a população vulnerável ao endividamento descontrolado.

E a história parece se repetir… As dívidas vão se avolumando com o tempo, através das diversas opções e facilidades de crédito, como o uso de cheques pré datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros, associados ao comportamento de consumo desregrado.

Quando as famílias chegam ao estágio de endividamento com inadimplência, às vezes acompanhado de redução na renda ou mesmo de desemprego, já estão adoecidas e passam a lhes faltar a razão e mãos estendidas. A visão parece ficar acinzentada e monofocal, vivendo para e pela dívida. O processo é desapropriador, destituidor, individual e familiar. Chegam além dos boletos de cobrança, o medo, a vergonha, o sentimento de incompetência, de fracasso e a insegurança.

O corpo e a mente também reagem. Se há uma herança genética, ainda adormecida, pode deflagrar, como é o caso da hipertensão arterial. Se havia um círculo de amizade e vida social, vão dia a dia diminuindo, assim como diminui a aceitabilidade social que acaba culminando com o que chamamos de isolamento social. O estresse financeiro tira mesmo o sono e com ele a máquina humana vai “rateando”. Geralmente há uma relação direta entre o aumento no endividamento e o aparecimento de sinais e sintomas do estresse, como a insônia, que aumenta a irritabilidade, a queda na concentração e na produtividade, alteração na alimentação, provoca também o aumento nos conflitos interpessoais e familiares, virando um círculo vicioso e perigoso, extremamente prejudicial à saúde individual, familiar e coletiva.

O enfraquecimento do bolso geralmente enfraquece as relações, abala a autoestima e desperta nos envolvidos o pior de si.

Há “remédio” para evitar, assim como também há tratamento para o endividamento, sendo este multidisciplinar e multisetorial, exigindo conhecimento para a apropriação da situação, comprometimento de todos os envolvidos para a reversão, paciência e persistência para travar uma luta que é demorada, mas com alta expectativa de vitória, capaz de reverter a saúde

financeira e juntamente restabelecer a saúde do corpo, da mente e social de todos os envolvidos direta ou indiretamente no processo.


Ivana Medeiros Zon é assistente social,  especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira.

 Fale com a autora, mande suas dúvidas para [email protected]

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