Apesar da proximidade do pleito, a disputa eleitoral para prefeito segue indefinida na maioria dos municípios capixabas. Pelos menos esta é a avaliação da equipe de Século Diário que faz o tradicional quadro de estrelinhas do jornal há mais de uma década.
A menos de uma semana das eleições, só foi possível cravar um prognóstico, digamos, certeiro, em sete municípios. E olhe lá. Um levantamento da disputa nos 78 municípios capixabas mostrou que em pelo menos 59 cidades ainda não dá para falar em favorito e muito menos em vencedor.
Situação análoga àqueles clássicos do futebol cujo resultado é sempre imprevisível. O comentarista esportivo, ao receber a incômoda pergunta: “qual o placar que você arrisca para o jogo tal?”, costuma parar, coçar a cabeça, alisar o queixo e, depois de muito mistério, solta: “Esse é difícil…” Em seguida, encurralado pelo interlocutor, é obrigado a arriscar. Na dúvida, acaba optando pelo empate. Sempre o palpite mais sensato e menos comprometedor.
No nosso caso a situação é parecida. Tanto é que 14 disputas estão rigorosamente empatadas. A diferença das previsões do quadro de estrelinhas para os palpites do futebol é que, até a próxima sexta (5), teremos que apontar um vencedor. E, nesse caso, o leitor não aceita o empate como resposta.
A missão é desafiadora. Em mais de quatro dezenas de municípios o placar favorável a um dos candidatos também não é sinal de que a fatura já está liquidada. Não tem jogo ganho. Longe disso. Aqui também vale a comparação com os clássicos do futebol. Na disputa eleitoral, assim como na bola, o jogo pode ser decidido nos detalhes, segundos antes do juiz apitar o final da partida. Muitas vezes nos descontos.
O torcedor mais precavidos sabe que, em clássico, este clima de “já ganhou” costuma derrubar muito time forte e estragar muita festa. Quantos times já estiveram com o jogo na mão e tomaram viradas históricas. Após o apito final do juiz, embasbacados com o resultado, os derrotados olham para o vazio tentando encontrar uma reposta para o infortúnio.
Na eleição também é assim. Veja o exemplo de Vitória. Há cerca de um mês, o candidato do PSDB Luiz Paulo Vellozo Lucas já dava como certa a vitória no primeiro turno. O tucano, como se diz na gíria futebolística, ficou de salto alto cedo demais, o que é sempre arriscado, pois a queda costuma ser feia. Dito e feito. As últimas pesquisas mostraram uma queda vertiginosa de Luiz Paulo e uma reação tenaz dos seus dois principais adversários – Luciano Rezende (PPS) e Iriny Lopes (PT). A reação fez o tucano descer rapidamente do salto. Ele deve ter percebido que nesta eleição cada disputa é um derby, com todos os ingredientes de um grande clássico.
Audifax Barcelos (PSB), candidato a prefeito da Serra, de acordo com o quadro de estrelinhas, abriu ligeira vantagem sobre Sérgio Vidigal (PDT). Mesmo estando a menos de uma semana das eleições alguém arriscaria um palpite seco no socialista? Difícil, não é verdade?
Vidigal é aquele adversário que honra a camisa e não se entrega até o fim. Às vezes, transparece para o adversário que já está batido, entregue. Quando, de repente, tira forças, não se sabe de onde, para armar um contra-ataque desconcertante. São situações inusitadas como essa que muitas vezes viram uma partida considerada ganha. É isso, a imprevisibilidade, no entanto, que torna a disputa emocionante. Quem sai ganhando é o eleitor.

