Sexta, 21 Janeiro 2022

Arquitetos lançam campanha pelo fim da obra do Cais das Artes e abertura ao público

cais_Das_Artes_leonardo_sa Leonardo Sá

O Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento Espírito Santo (IAB-ES), lançou nesta segunda-feira (25), uma campanha pelo fim da obra do Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória, e sua abertura ao público. O lançamento foi marcado por um ato na obra do espaço cultural, com colagem de adesivos com o mote da campanha, que é "Tudo isso era para acontecer aqui", referindo-se às diversas manifestações artísticas.

Foto: Angela Gomes

A vice-presidente do Instituto, Daniela Caser, informa que serão lançados vídeos nas redes sociais com artistas capixabas reivindicando o término da obra. O dia 25 foi escolhido para realização do ato por ser o aniversário de 54 anos do Instituto e o aniversário natalício do arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, que projetou o Cais das Artes. 

O projeto foi anunciado há 13 anos pelo então governador Paulo Hartung. As obras começaram em 2010, mas estão paralisadas desde 2015. Para Daniela, o local é "de suma importância, um marco arquitetônico, a primeira obra de Paulo Mendes da Rocha no Espírito Santo". Daniela recorda que o arquiteto capixaba alcançou renome nacional, tendo sido responsável, por exemplo, pelo projeto da reforma da Pinacoteca de São Paulo.

Paulo Mendes da Rocha, arquiteto que projetou o Cais das Artes. Foto: Leonardo Sá

Nesta segunda-feira, o Instituto também lançou um manifesto em que os profissionais afirmam considerar urgente a retomada e finalização da obra. 

"O IAB-ES, que comemora hoje, 25 de outubro, 54 anos de vida, reivindica dos órgãos governamentais competentes uma resposta quanto à continuidade das obras do Cais das Artes, uma resposta quanto ao funcionamento desses processos de requalificação urbana e de proteção dos nossos bens construídos para proteção da paisagem e da segurança das pessoas", aponta a nota.

O Instituto prossegue afirmando sua crença no fato de que "arquitetura e urbanismo quando projetados para a transformação da paisagem das áreas urbanas e quando complementada com o uso e permanência das pessoas nesses locais, transformam essas paisagens para melhor, sendo elas limpas, que tragam dignidade e que respeitem o verde, a natureza, e o entorno". 

Também é destacado que a paralisação da obra do Cais das Artes faz com que o local fique isolado, fechado, com alto custo e em deterioração, produzindo "uma paisagem violenta e opressora para as pessoas, que percebem que o poder público e as entidades privadas não têm condições e atitudes para que a cidade que eles investem, ou que eles trabalham seja melhor. Esta situação traz uma sensação de desordem, de desigualdade, criando ferramentas para que esse medo piore cada vez mais".
Foto: Leonardo Sá

O Instituto defende ainda que a abertura do Cais das Artes possibilitaria maior circulação no entorno do espaço, que, à noite, fica deserto. "Com um espaço como esse, funcionando de noite, para eventos culturais, a situação se transforma radicalmente", dizem os arquitetos. 

Não é a primeira vez que os profissionais reivindicam a continuidade da obra. Em outubro de 2020, eles se manifestaram por meio de uma carta aberta na qual apontam que paralisações de obras desse porte ocasionam problemas urbanos relacionados com a paisagem do local e questões socioambientais.


Histórico

Em 2012, a Santa Bárbara, construtora responsável pela obra do Cais das Artes, faliu, ocasionando o rompimento do contrato da prestação de serviços. Um ano depois, foi contratado o Consórcio Andrade Valladares – Topus, que retomou as obras. Entretanto, elas pararam várias vezes no ano seguinte, sendo encerradas definitivamente no mês de junho. Ainda em 2015, foi anunciada a contratação de uma nova empresa para execução do projeto, cuja previsão de término era 2018.

Foi também em 2015 que a Justiça estadual barrou a retomada as obras do Cais das Artes. A decisão judicial condicionou o reinício da construção à conclusão de uma perícia solicitada pelo consórcio Andrade Valladares - Topus, que alegou prejuízos decorrentes da paralisação das obras, além de serviços realizados que não teriam sido pagos pelo Estado.

Em 2016 foi feita uma licitação de contratação de consultoria de engenharia para avaliação da obra, além de um balanço do que precisaria ser feito, necessitando de investimento de cerca de R$ 100 milhões a mais no orçamento. No ano de 2018, a empresa Planesp Engenharia ganhou licitação para gerenciar a obra, que, segundo a gestão de Paulo Hartung, seriam retomadas naquele mesmo ano. Até então, o gasto com o projeto havia sido de mais de R$ 129 milhões, com a previsão de chegada de um valor total de R$ 229 milhões no final.

Ainda em 2018, último ano do terceiro mandato de Hartung, o governo lançou o edital de contratação da empresa que terminaria a obra, mas o cancelou.

Já na gestão de Renato Casagrande (PSB), em 2019, o Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo (Iopes) iniciou um processo de levantamento para ver o saldo da obra e retomar sua execução com a empresa Andrade Valladares – Topus.

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Comentários: 1

Paulo dos Santos Andion em Sábado, 30 Outubro 2021 02:58


Paulo dos Santos Andion (Vila Velha)
Parece mesmo que aconteceu uma "mão de vaca" no projeto, nós do cidadania, planejávamos o aproveitamento turístico náutico da obra com a volta do Aquaviário, fazendo uma parada no cais das artes mas os deputados estaduais não se interessam por coisas que podem lhes tirar da mesmice, temem o confronto com o Ex e o atual governador num jogo manjado cuja juventude capixaba está mordida com vontade de acabar com esse jogo de cartas marcadas mal acostumada por fazer política sem benefício empregatício, parece que encamparam a luta do quanto pior melhor. Agora com esse aperto nas finanças sociais é bom que se apressem em dar solução em tudo àquilo que possa garantir desenvolvimento econômico social porque os jovens estudiosos no uso de tecnologias e avanço da medicina sobre as células do corpo produzem energia nuclear, estão muito mais rápidos nas suas decisões do que a vinte anos passados e a obra do cais das artes completou 18 anos.

Paulo dos Santos Andion (Vila Velha) Parece mesmo que aconteceu uma "mão de vaca" no projeto, nós do cidadania, planejávamos o aproveitamento turístico náutico da obra com a volta do Aquaviário, fazendo uma parada no cais das artes mas os deputados estaduais não se interessam por coisas que podem lhes tirar da mesmice, temem o confronto com o Ex e o atual governador num jogo manjado cuja juventude capixaba está mordida com vontade de acabar com esse jogo de cartas marcadas mal acostumada por fazer política sem benefício empregatício, parece que encamparam a luta do quanto pior melhor. Agora com esse aperto nas finanças sociais é bom que se apressem em dar solução em tudo àquilo que possa garantir desenvolvimento econômico social porque os jovens estudiosos no uso de tecnologias e avanço da medicina sobre as células do corpo produzem energia nuclear, estão muito mais rápidos nas suas decisões do que a vinte anos passados e a obra do cais das artes completou 18 anos.
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