Terça, 16 Agosto 2022

​Exposição 'Ato Falho' se inspira em fissuras geológicas

ato_falho_capa_andre_magnano André Magnago

A arte, em sua verve provocadora e transformadora, costuma se ater às fissuras. Mas não de forma tão literal, ou melhor, tão geológica como a exposição "Ato Falho", construída coletivamente por oito artistas na Casa Porto das Artes Plásticas, no Centro de Vitória. É uma fissura na crosta terrestre uma das inspirações para a exposição, considerando a falha que vai do Oceano Atlântico, onde se encontra a Ilha de Trindade, adentrando a América do Sul, passando por Vitória e pelo Espírito Santo.

"Havia uma produção na universidade sobre a questão da paisagem de Vitória e a formação geológica da cidade. O professor João Wesley percebeu que a produção de alguns artistas em relação com as paisagens trazia fissuras. Mas a gente não tinha isso em primeiro plano. Daí o ato falho. Produzíamos relação com essa geomorfologia sem saber", diz André Magnano, um dos artistas. Na exposição, suas obras aparecem junto com as do próprio João Wesley, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e de Junior Bitencourt, Arthur Meirelles Neto, Marcelo Gandini, Jocimar Nalesso, Alegria Falconi e Jovani Dala Bernardina, todos estudantes do curso de Artes Plásticas ou Artes Visuais da Ufes em diferentes momentos.

André Magnago

Foi no final de 2018 que eles começaram a se reunir em torno da ideia, inspirados pela pesquisa de Arthur, que refletia sobre a questão das geomorfologia em sua relação com a arte. O grupo se denominou Ato Falho e teve a exposição contemplada em 2019, para realização no ano seguinte em Vitória.

Porém, por conta do fechamento dos espaços culturais em decorrência da pandemia de Covid-19, a exposição teve que ser suspensa até a reabertura de espaços e realização de outras que estavam previstas antes do "Ato Falho". "A pandemia influenciou muito. Dilatou o trabalho no tempo, depois deixou a gente mais disponível para conversar online", conta André, sobre o fortalecimento dos vínculos entre os artistas durante esse período, apesar do distanciamento físico.

Nesse meio tempo, o grupo intensificou seus diálogos por meio de aplicativo de mensagens, culminando numa curadoria coletiva, construída a partir do diálogo aberto entre os artistas, que apresentaram suas obras e portfólios uns aos outros. Além de obras pretéritas em que se encontram essas linhas fissuras sem perceber, eles também buscaram construir novas em que pudessem já considerá-las de forma mais intencional.

Apesar de concebido por aqui, eis que a "Ato Falho" terminou por estrear em outras latitudes, mais afastada desta falha capixaba. Uma prévia foi realizada entre janeiro e fevereiro no Rio de Janeiro, mais especificamente no Olugar Arte Contemporânea, localizado na antiga Fábrica Bhering, no bairro de Santo Cristo, na capital fluminense. 

Divulgação

Depois disso, foi a vez de acontecer no local para o qual havia sido concebido, a Casa Porto, com algumas obras em comum com a anterior, mas com muitas outras novas, numa montagem mais ampla e feita coletivamente pelos próprios artistas também. Nela aparecem a partir dos oito artistas o uso de diversas técnicas e suportes, como a pintura a óleo e acrílica, desenho, fotografia, intervenção em papel fotográfico, xilogravura, gravura em relevo e objetos feitos em pedra sabão.

"O habitante da falha reconhece nesses fenômenos motivos que se repetem em seu próprio processo criativo, uma vez que o sujeito também pode ser pensado como tendo uma crosta habitual que lhe abafa e que vem a ser rompida no embate com a matéria. Ao trabalhar um determinado material, o artista revela parte do seu conteúdo interior, deixando que suas verdades íntimas extrapolem as rígidas camadas externas, e assim ocorre um ato falho", reflete Arthur Meirelles Neto no texto curatorial que acompanha a exposição.

As obras resultantes desse processo podem ser visitadas até o dia 28 de julho, com acesso gratuito, na Casa Porto, de segunda a sexta-feira, de 10h às 19h, e aos sábados, de 10h às 14h. Dentro da programação, também acontecerão duas oficinas. A primeira no dia 21 de maio sobre Gravura em Materiais Alternativos, e a segunda no dia 18 de junho, sobre Processos Alternativos de Produção de Imagem, ambas com carga horária de 4 horas. Mais informações sobre a exposição podem ser encontradas no site Ato Falho

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