Terça, 24 Mai 2022

Exposição 'cidades (in) visíveis' estreia na Casa Porto

tadeu_bianconi_capa Tadeu Bianconi

Caminhar, parar, observar e contemplar a cidade, a urbe. Essa é a linha que conecta a exposição cidades (in) visíveis, do fotógrafo Tadeu Bianconi, que será inaugurada na próxima quinta-feira (6), às 17h, na Casa Porto das Artes Plásticas, no Centro de Vitória. Com curadoria de Fernando Pessoa, a exposição relaciona fotos em preto e branco de diversos lugares com frases do livro As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino.

Não importa o local onde foram registrada as 128 fotos que fazem parte da seleção, tiradas em vários municípios e países mas não identificadas na mostra. A fotografia é instante, com a insustentável leveza de seu clique. "Já voltei em alguns desses lugares e eles se transformaram, não conheço as pessoas. Nada foi pensado, foi elaborado simplesmente com o que eu encontrei no meu caminhar, ao explorar as cidades em contínua descoberta de realidades a serem reveladas", conta Tadeu. A preocupação não é com a geografia mas com a narrativa trazida por cada imagem e instante registrado e o que elas provocam para além das fotos, registradas ao longo de cerca de 30 anos de carreira do autor.

Tadeu Bianconi

"É preciso assumir a pausa", sugere o fotógrafo. Caminhar por cidades e países foi a pausa que permitiu seu registro nesses espaços urbanos de constante movimentos e transformações. A exposição, sugere, também é uma pausa. "Foi feita para você ter uma experiência, para passar a observar seu entorno, sua própria cidade. Há uma combinação de várias imagens que poderiam ter sido feitas aqui na esquina ou em outro canto do mundo", diz. São instantes, gestos, ações, momentos, pessoas, registradas nesse caminhar e no pausar fotográfico.

Fotógrafo e artista visual, Tadeu Bianconi começou a ter contato com a fotografia quando cursava Publicidade e Propaganda na Ufes, mas se aprofundou nesta arte durante uma estadia na Alemanha, na década de 1980, onde também passou a observar melhor as cidades nesse hábito de caminhar, observar e fotografar. Perscrutar é a palavra que gosta de usar, que significa examinar, investigar rigorosamente; indagar, perquirir.

Sobre a exposição, no livro que dá origem ao nome da mesma, lançado em 1972, Ítalo Calvino faz uma analogia entre as viagens de Marco Polo e seus diálogos com Kublai Khan, imperador mongol, abordando uma série de ideias e reflexões sobre o espaço urbano, citando várias cidades às quais atribui nomes de mulheres. No caso da exposição, não se trata de fotos com caráter ilustrativo, relacionando um texto a cada imagem, mas sim uma combinação geral entre fotografias e textos para provocar tensões e interrogações nos visitantes.

"É uma experiência que mistura realidade e ficção num retângulo fotográfico, promovendo conflito entre imagem e texto. Uma brincadeira com o visível e o invisível", diz Tadeu. O curador considera ambos, fotógrafo e escritor, como "pescadores de cidades que capturam o oculto de suas ruas".

Tadeu Bianconi
Além das fotos e frases, a Casa Porto contará com o texto curatorial de Fernando Pessoa e ainda um texto do escritor Adilson Vilaça.Tadeu considera que a ideia da exposição começou a surgir numa conversa em Ecoporanga enquanto mostrava algumas de suas fotos a Adilson, que perguntou se ele já havia lido Cidades Invisíveis, de Calvino. "Eu falei que sim. E ele disse para eu reler", conta. Foi aí que conseguiu estabelecer a ponte entre as duas linguagens, depois aparadas pela curadoria de Pessoa. 

A exposição foi aprovada no edital de seleção da Casa Porto em 2019, mas teve que ser adiada por conta do fechamento do espaço durante parte do período de pandemia. "Cidades (in) visíveis" pode ser visitada de terça a sexta-feira das 10h às 19h, e aos sábados de 10h às 14h.

O projeto inclui ainda uma série de atividades educativas, que incluem visitas mediadas para grupos previamente agendados, ações especiais programadas para os sábados, um minicurso de mobgrafia e um seminário semipresencial.

O cronograma dessas atividades será divulgado no site e nas redes sociais da Mosaico Fotogaleria, que Tadeu Bianconi comanda junto com o também fotógrafo Gabriel Lordello.

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