Sábado, 04 Dezembro 2021

Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra será no Território do Bem

movimento_negro_leonardo_sa-3436 Leonardo Sá

O Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) já deu início aos preparativos para a 14ª Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra, que acontecerá em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A novidade da edição de 2021, segundo o diretor do núcleo de Viana do Fejunes e presidente do Conselho Estadual da Juventude (Cejuve), Ramon Matheus, é que a Marcha será realizada no Território do Bem, em Vitória, e não no Centro.

Foto: Leonardo Sá

O Fejunes já realizou uma reunião para discutir os preparativos da Marcha. A próxima será na quarta-feira (20), às 18h30, na paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé. De acordo com Ramon, a construção da Marcha está aberta à contribuição dos movimentos sociais.

O Território do Bem contempla as comunidades de São Benedito, Bairro da Penha, Itararé, Bonfim, Consolação, Gurigica, Jaburu, Floresta e Engenharia. Ramon informa que o trajeto ainda não foi definido e que a escolha do local se deu por causa da necessidade de diálogo com as comunidades periféricas sobre violência policial. "A violência policial tem crescido nas comunidades e queremos dialogar sobre isso com quem sofre", destaca.

O militante do Fejunes afirma que as principais vítimas da violência policial são os jovens negros. Também destaca que esse problema sempre foi debatido dentro do Fórum, uma vez que faz parte de um projeto de extermínio da juventude negra. Ramon salienta ainda que está sendo preparada para a edição deste ano uma homenagem para o militante dos Direitos Humanos Lula Rocha, falecido em 11 de fevereiro deste ano.
Lula Rocha. Foto: Redes Sociais

Lula Rocha foi um dos fundadores do Fejunes e um dos idealizadores da Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra. "A gente vê o quanto o Lula foi gigante, o quanto o Fejunes é gigante no Espírito Santo. Queremos continuar o que foi construído pelo Lula, temos um sentimento de continuidade", diz.

Violência policial no Espírito Santo

Levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), publicado no Anuário 2021, aponta um elevado índice de mortes decorrentes de intervenções da Polícia Militar (PM) no Espírito Santo. Segundo a pesquisa, em 2019 foram 35 óbitos causados por ações de policiais em serviço. No ano de 2020, o número aumentou para 39. Dados de falecimentos decorrentes de intervenções da PM fora de serviço também são apontados. Em 2019 foram cinco e, no ano seguinte, seis.

No que diz respeito à Polícia Civil (PC), os números referentes às mortes decorrentes de intervenções dessa corporação em serviço no ano de 2019, segundo o Anuário, não foram disponibilizados. Em 2020, aponta o documento, ocorreu uma morte. Já o óbito decorrente de intervenções da PC fora de serviço é considerado pela pesquisa um fenômeno inexistente no Espírito Santo no ano retrasado. Em 2020, houve uma morte que se enquadra nesse quesito.

Para Cryslaine Zeferina, integrante do Coletivo Beco, entidade da sociedade civil que atua no Território do Bem, em Vitória, o Espírito Santo tem "uma Polícia Militar despreparada e truculenta, que sempre sobe os morros procurando os mesmos alvos". Ela afirma que as comunidades estão cansadas "e gritando que essa violência estrutural e institucional é um plano genocida para nossos corpos".

O Território do Bem, além de outras comunidades de Vitória, a exemplo de Nova Palestina e as da região do Centro, como os morros da Piedade, Capixaba e Fonte Grande, tem sofrido com a violência policial. No bairro Bonfim, por exemplo, em 24 de junho, uma ação policial culminou na morte do adolescente Danilo Cândido de Jesus, de 16 anos, e deixou outro jovem baleado na perna.

Nesta semana, moradores da região afirmaram terem tido suas casas invadidas por policiais, que, sem mandado, adentraram as residências procurando drogas, embora as pessoas tentassem dialogar para deixar claro que não são envolvidas com o tráfico. Os moradores afirmam que tiveram seus móveis quebrados, colchões rasgados e, até mesmo, cesta básica destruída sob a alegação de que era preciso saber se ali continha droga.

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