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Servidores convocam novos atos de rua em defesa da reestruturação das carreiras

Funcionalismo estadual critica ausência de propostas do governador Renato Casagrande

Rodrigo Zaca/Governo ES

Após um 2025 marcado por uma das maiores mobilizações do funcionalismo público estadual no Espírito Santo, os servidores iniciaram o ano reafirmando a luta por valorização e reconhecimento. Uma Assembleia Geral Unificada (AGU) está marcada para o dia 21, e haverá também um ato público em Vitória, no próximo dia 28, com concentração prevista na Praça Costa Pereira e caminhada até o Palácio da Fonte Grande, uma das sedes do governo estadual.

Trabalhadores de diferentes categorias avaliaram o andamento das negociações com o governo estadual em Assembleia Geral Unificada realizada nesta sexta-feira (9), e deliberaram pela manutenção do estado de greve, além da intensificação das mobilizações nas ruas e nas redes sociais.

O principal ponto de insatisfação destacado no encontro, que reuniu mais de 200 servidores, foi a ausência de uma resposta formal do governo à pauta de reestruturação das carreiras, entregue ainda em abril de 2025 e considerada prioritária pelos trabalhadores, destacou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), Iran Milanez. Diante do impasse, os servidores decidiram manter a AGU já havia sido convocada para o dia 21 de janeiro e organizar a manifestação de rua.

A assembleia também debateu o impacto do calendário eleitoral sobre o processo de negociação. Com 2026 sendo ano de eleições, os servidores avaliam que há uma janela curta para que qualquer projeto de reestruturação seja encaminhado e aprovado pela Assembleia Legislativa. Para Iran Milanez, essa urgência é um fator central para a retomada da pressão. “O calendário eleitoral impõe essa urgência. Até abril, o projeto precisa estar aprovado e sancionado pelo governador. Depois disso, as possibilidades ficam muito restritas”, alertou.

Aa expectativa da categoria é que o governo apresente, ainda em janeiro, uma proposta concreta de reestruturação das carreiras, permitindo que o projeto seja encaminhado à Assembleia Legislativa e votado no primeiro semestre. Caso contrário, os servidores sinalizam que o Espírito Santo pode enfrentar um novo ciclo de paralisações e conflitos entre o funcionalismo e o Executivo estadual.

Mesmo em um período considerado desfavorável pela dispersão causada pelas férias, Iran afirmou que a categoria entendeu que não há mais espaço para esperar indefinidamente por uma resposta do Executivo. Ele afirma que a assembleia marcou o início de um novo ciclo de mobilização. “A assembleia deliberou dar início ao processo de remobilização da categoria para que o governo dê um retorno para a gente”, completou.

A expectativa dos servidores foi criada a partir de compromissos assumidos pelo próprio governo no final do ano passado, quando a greve foi suspensa para a reabertura da mesa de negociação, reiterou: “No momento em que o governo chamou a categoria e disse que reabriria a mesa de negociação, ficou acordado que seria apresentada uma proposta. Nós estamos aguardando isso e esperamos que venha logo, em breve”. Apesar da suspensão da greve no fim de 2025, ele reforçou que o estado de greve permanece ativo, justamente como forma de pressão diante da falta de avanços concretos.

Ele ressaltou ainda que, apesar das reuniões realizadas ao longo de 2025, nenhuma proposta concreta foi colocada na mesa até o momento. “A retomada efetiva da negociação começou em abril do ano passado e, até agora, não tivemos nenhuma proposta apresentada. Se isso não mudar, a categoria está pronta para usar todas as ferramentas que tem à sua disposição”, disse. Ele explicou que houve reuniões com o secretário de Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmon, que se comprometeu a realizar tratativas internas no governo para construir uma proposta com base no que foi apresentado pelos servidores.

“Nós estamos aguardando esses encaminhamentos, mas, ao mesmo tempo, já estamos trabalhando no processo de mobilização, caso a proposta não venha ou seja insuficiente”, destacou. Questionado sobre a possibilidade de retomada da greve, o sindicalista foi direto ao afirmar que nenhuma alternativa está descartada, pois a suspensão do movimento grevista ocorreu com base em um acordo político que precisa ser cumprido. “Nós suspendemos a greve no compromisso do governo de apresentar uma proposta. Caso esse acordo não seja cumprido, a categoria está pronta para assumir qualquer tipo de decisão, inclusive a retomada da greve”, afirmou.

A avaliação de que o governo tem adotado uma postura de demora e falta de diálogo efetivo, o que tem ampliado o desgaste entre os servidores, também foi compartilhada por outros dirigentes durante a assembleia. Em nota, o Sindipúblicos avalia que o silêncio do Executivo tem ampliado o desgaste entre os servidores. “A paciência da categoria está se esgotando. Não aceitaremos mais silêncio como resposta. A reestruturação das carreiras não é um favor, é uma necessidade para garantir a valorização do serviço público”, declarou o vice-presidente do Sindipúblicos, Mauro Ribeiro.

A mobilização dos servidores estaduais ganhou grande dimensão em 2025 durante a greve geral, considerada a mais ampla desde o governo José Ignácio (1999-2002). O movimento contou com adesão de trabalhadores de ao menos cinco autarquias e órgãos estaduais, alcançando 54 municípios capixabas.

Durante o período, órgãos como o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) chegaram a operar com apenas 30% da capacidade, enquanto o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) registrou redução média de 50% nas atividades. No Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e Departamento de Estrdas e Rodovias (DER) também houve adesões significativas.

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