Quinta, 27 Janeiro 2022

Servidores federais não descartam possibilidade de greve unificada em fevereiro

manifestacao_pec32_FotoDivulgacao Divulgação

Apesar de não ter sido votada em plenário no ano de 2021, conforme desejava o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2020, que trata da Reforma Administrativa, é uma das motivações para o indicativo de greve unificada dos servidores públicos federais em fevereiro próximo. Os trabalhadores também estudam a possibilidade de uma paralisação em janeiro.

A integrante do Movimento em Defesa de Direitos e Serviços Públicos de Qualidade e diretora da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), Junia Zaidan, informa que, além da PEC, outro fator que motiva o indicativo de greve é a reivindicação de recomposição salarial, uma vez que os servidores públicos federais estão há cinco anos sem correção. A unificação dos servidores, acredita, é resultado das mobilizações contra a reforma, que uniu diversas categorias.

Essas mobilizações, afirma, fizeram com que a PEC não fosse para o plenário em 2021. De acordo com ela, análises feitas pelos movimentos dos servidores concluem que as diversas manifestações feitas desde 2020 fizeram com que parlamentares que não se posicionavam sobre a proposta do governo Bolsonaro se declarassem contrários. No Espírito Santo, informa, isso aconteceu com os deputados federais Neucimar Fraga (PSD) e Ted Conti (PSB).

Junia informa que o deputado federal Helder Salomão (PT) sempre se posicionou contrário, já Evair de Melo (PP) foi favorável desde o início, e Felipe Rigoni (PSB) assumiu a mesma postura. Os demais continuam sem se manifestar sobre o tema. A diretora da Adufes não descarta a possibilidade de a PEC não ser votada em 2022. "Pode ser que não seja votada no ano que vem, pois é pouco provável que se consiga os 308 votos necessários para a aprovação. O governo foi vendo que não tem força para aprovar, por isso que não foi ao plenário", diz.

Em agosto último, a PEC chegou a ser aprovada em comissão especial por 28 x 18 votos. Evair de Melo votou a favor, sendo alvo da campanha "Quem votar não volta", que espalhou outdoors com sua foto em diferentes pontos da Grande Vitória. 

Entre as ações de mobilização recordadas por Junia estão outdoors; abordagens dos parlamentares nos voos, nos aeroportos e nos gabinetes em Brasília; manifestações de rua em Brasília, no Espírito Santo e outros estados; carreatas e a elaboração de uma cartilha, feita pela Auditoria Cidadã da Dívida, explicando, em linguagem popular, os prejuízos que podem ser causados pela aprovação da PEC 32.

Junia destaca que a reforma Administrativa precariza as políticas públicas ao "oferecer todas as áreas do serviço público para a iniciativa privada". Ela salienta também que a proposta altera cerca de 80 pontos da Constituição Federal e é pautada em mentiras. Uma delas, aponta, é de que existe excesso de servidores públicos, quando na verdade há carência diante das demandas. Outra é de que a proposta do presidente Jair Bolsonaro irá acabar com os privilégios, sendo que não vai afetar magistrados, militares e parlamentares. "Vai atingir somente a base dos servidores, que não têm privilégios", denuncia.

Manifestações contra a reforma Administrativa serão intensificadas

Servidores ocuparam as ruas de Vitória na manhã desta quarta-feira contra a reforma e a privatização dos Correios
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