Ato denunciou empresa terceirizada por salários atrasados e cobrou medidas da prefeitura

Trabalhadoras da limpeza que atuam em contratos terceirizados com a Prefeitura de Vila Velha protestaram nesta sexta-feira (10) em frente ao prédio do executivo municipal após atrasos no pagamento de salários e do tíquete-alimentação. A manifestação terminou nesta tarde com denúncias de agressão por parte de agentes da Guarda Municipal contra diretoras do sindicato representativo da categoria.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Limpeza e Conservação do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), a mobilização teve início ainda nas primeiras horas do dia, no próprio local, e foi motivada pelo não pagamento de direitos básicos referentes ao mês de março. As manifestantes são vinculadas à empresa Soluções, responsável pela prestação de serviços ao município. A via em frente à prefeitura ficou interditada em função da manifestação, com o trânsito sendo redirecionado, até o início da tarde. O movimento acabou após a efetivação dos pagamentos.
A diretora da entidade, Edneia Santos de Jesus, relatou que o problema não é pontual, e que os atrasos e irregularidades têm sido recorrentes. “Essa empresa, todo mês, atrasa. O problema maior não é apenas o atraso. Estão pagando valores menores e não dão retorno quando as trabalhadoras cobram”, disse.
Além da responsabilização da empresa, o sindicato também cobra uma postura mais firme da Prefeitura de Vila Velha, sob gestão de Arnalidinho Borgo (PSDB). Para a entidade, o poder público tem responsabilidade ao manter o contrato mesmo diante das denúncias recorrentes.
Durante o protesto, a situação se agravou quando agentes da Guarda Municipal impediram a entrada das manifestantes no prédio da prefeitura. Segundo o relato da diretora, havia restrição de acesso inclusive para necessidades básicas. “Elas são trabalhadoras, mas também são munícipes. Precisavam usar o banheiro, beber água, e estavam limitando a entrada de um em um, com quase 200 pessoas aqui”, relatou.
A tensão aumentou quando integrantes do sindicato tentaram registrar a situação, afirma Edneia, que relata ter sido agredida fisicamente por um dos agentes da Guarda Municipal. “Eu fui chegar mais próximo para poder filmar, com uma mão segurando o celular e a outra aberta, e ele me deu uma cotovelada bem no peito e me empurrou”, contou. A ação, completa, não foi isolada. “O outro veio por trás e jogou spray de pimenta, tanto em mim quanto nas trabalhadoras”. A diretora destacou ainda que há registros em vídeo e “provas” do ocorrido.
Outras diretoras também teriam sido atingidas. A assessoria do sindicato informou que pelo menos duas dirigentes sofreram agressões durante a ação da Guarda Municipal. Imagens compartilhadas pela entidade mostram marcas no corpo de uma das vítimas. O sindicato avalia medidas jurídicas em relação ao episódio, considerando o “truculência” e “uso desproporcional da força” contra uma categoria composta majoritariamente por mulheres.
A prefeitura afirmou em nota se “solidarizar com os trabalhadores terceirizados da limpeza de prédios públicos” e informou que a empresa justificou o atraso nos salários por “problemas internos”. Informou, ainda, que “a empresa já vinha apresentando falhas” e que abriu “processo para apurar responsabilidades e aplicar as penalidades previstas em contrato”. Ainda de acordo com a gestão, um novo contrato já foi realizado para garantir a continuidade dos serviços à população. O comunicado termina destacando que “a prefeitura respeita o direito de manifestação, mas não aceita atos de violência, depredação ou bloqueios”.
‘Precarização’
O caso remete a um histórico recente de problemas envolvendo empresas terceirizadas no setor. Em janeiro deste ano, trabalhadoras que atuavam pela empresa Speed Serv, em contrato com o município da Serra, também paralisaram as atividades por atraso salarial e falta de pagamento do tíquete-alimentação.
Na ocasião, o Sindilimpe informou que a greve foi motivada pelas mesmas denúncias registradas agora em Vila Velha. Após a paralisação, a prefeitura da Serra antecipou o pagamento do contrato à empresa, o que permitiu o início da regularização dos salários.
A entidade destacou, à época, que manteria o acompanhamento do caso e que formaria uma comissão junto à prefeitura para garantir a responsabilização da empresa e evitar novos episódios. Além disso, reforçou a necessidade de fiscalização permanente dos contratos terceirizados.
Para o sindicato, os dois episódios evidenciam um padrão de precarização nas relações de trabalho envolvendo empresas terceirizadas que atuam em contratos públicos. A entidade sustenta que, embora as empresas sejam as responsáveis diretas pelo pagamento dos salários, cabe às prefeituras fiscalizar e garantir o cumprimento dos contratos.

