Quinta, 26 Mai 2022

Reitoria da Ufes é ocupada em protesto às condições do restaurante

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Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) fizeram mais um ato, nesta segunda-feira (9), em protesto às condições do Restaurante Universitário (RU). Após o registro de larvas nas refeições servidas na última semana, alunos ocuparam o prédio da Reitoria, reivindicando o fim do sistema de agendamento, a redução no preço cobrado atualmente, e a melhoria da qualidade da alimentação. "Ei, Paulo Vargas! Come no RU!", gritavam os alunos, mencionando o reitor da instituição.

Os estudantes se concentraram no prédio da Reitoria, no campus Goiabeiras, em Vitória. De lá, seguiram em direção ao restaurante, com cartazes e palavras de ordem. "A qualidade da comida que recebemos é terrível, vai desde marmitas com 80% de arroz, quantidades irrisórias de proteína, até marmitas com a comida azeda e larvas. A segurança alimentar e nutricional é um direito, que está longe de ser só oferecer uma quantidade de alimento sem nem se importar com o que é e em como chega para nós. É uma questão de dignidade!", diz nota do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (DCE/Ufes) publicada nesta segunda.

O protesto também reivindicou medidas para diminuição das filas que, segundo os estudantes, se tornaram ainda maiores após o início da pandemia. Uma das sugestões é a reabertura do espaço anexo ao Restaurante Universitário de Goiabeiras, o "r.uzinho", e a ocupação de 100% dos dois salões.

Outra reivindicação é a contratação de mais funcionários para os serviços dos restaurantes universitários, bem como a realização de concursos.

"É inaceitável que a gestão da Ufes receba seus discentes desta forma, após dois anos de contingências devido ao ensino remoto. É temeroso ver o risco posto à saúde de enorme número de discentes que necessitam se alimentar nos campi. É revoltante ver a precariedade do serviço público avançar a este ponto. O ataque aos serviços públicos por meio das terceirizações de vários setores da universidade escancara suas faces mais cruéis", critica a Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), nas redes sociais.

A entidade cobra providências que assegurem a permanência estudantil com segurança sanitária e nutricional. "São urgentes as apurações que levem à responsabilização de agentes públicos e privados envolvidos neste caso. Todo apoio ao corpo discente que se organiza para denunciar e lutar em defesa da educação pública. Basta de precarização dos serviços públicos!", protestou.

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Larvas nas refeições

Na última quinta-feira (5), alunos de diversos cursos relataram a presença de larvas nas marmitas servidas no restaurante universitário, problema que também foi relatado na sexta (6). "Não sabemos se vem de alimentos que são de baixa qualidade ou se é uma questão de armazenamento, nem como tem sido o processo de preparação, o que nos deixa muito preocupados. O que significa esse aparecimento de larvas? Qual é a procedência dessa comida? Será que daqui a pouco a gente vai ter alunos passando mal com algum tipo de intoxicação?", questionou ao Século Diário a estudante de Geografia na Ufes e integrante do movimento Disparada-ES, Beatriz Pezzin.

Na ocasião, Beatriz relatou que entrou em contato com a direção de gestão do RU, que informou que passaria a demanda para a coordenação de nutrição, com o objetivo de identificar os motivos do problema. A estudante também foi informada que a empresa responsável pelo fornecimento das refeições seria notificada.

Um protesto já havia sido realizado por alunos no dia 2 de maio, por conta dos problemas no RU. Na mobilização, organizada pelo movimento Disparada-ES, os alunos reivindicaram melhores condições de atendimento, o fim do agendamento e a volta do sistema self-service. 

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Comunicado aos alunos

No último sábado, (7), em um comunicado aos alunos, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci) informou que a retomada do fornecimento de refeições por meio de produção própria nos campus de Maruípe, Goiabeiras e São Mateus está prevista para acontecer no próximo dia 23.

"Os fornecedores de matéria-prima e de serviços terceirizados já foram contratados. Nesta semana, começam a ser recrutadas as equipes. Em seguida, serão realizados os treinamentos e a higienização dos espaços, equipamentos e utensílios. Até o início da produção própria nos RUs de Goiabeiras e Maruípe, previsto para o dia 23 de maio, as marmitas continuarão sendo distribuídas mediante agendamento. Os estudantes de São Mateus cadastrados na Assistência Estudantil receberão auxílio-alimentação entre os dias 4 e 20 de maio", informou, acrescentando que, no campus de Alegre, a produção própria seria retomada nesta segunda-feira (9).

De acordo com a universidade, o processo de transição para essa fase foi atrasado "por dificuldades na contratação de empresas fornecedoras e prestadoras do serviço terceirizado". 

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