Quinta, 27 Janeiro 2022

​Bancada capixaba será acionada contra fragmentação da Ufes

neucimar_evair_leonardo_sa Leonardo Sá
A mobilização contra a criação de uma nova universidade a partir da fragmentação do campus de Alegre, no sul do Estado, pertencente à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), deu mais um passo nessa sexta-feira (5). Em plenária virtual, a comunidade acadêmica deliberou que irá acionar a bancada capixaba no Congresso Nacional para dialogar sobre os impactos negativos da iniciativa.

A plenária foi realizada pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes), Sindicato dos Trabalhadores (Sintufes) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). Os deputados federais Neucimar Fraga (PSD), Da Vitória (PPS) e Helder Salomão (PT) confirmaram presença. Entretanto, o primeiro, que é um dos autores da proposta de fragmentação, não compareceu, embora tenha afirmado ao Século Diário que estava aberto ao diálogo, o que, segundo a presidente da Adufes, Ana Carolina Galvão, também foi feito em resposta a uma publicação da associação sobre a plenária.

Da Vitória, coordenador da bancada no Congresso Nacional, foi representado por um assessor, que afirmou que as considerações feitas pela comunidade acadêmica serão encaminhadas ao parlamentar. Adiantou, porém, que o mandato se preocupa com a questão de criação de novos cursos, planejamento e orçamento.

Somente Helder Salomão (PT) participou da plenária. Evair de Melo (PP), que também é autor de uma das propostas de fragmentação, afirmou que não poderia comparecer em virtude de "compromissos já assumidos anteriormente". Entretanto, a Adufes informou que questionou se ele poderia enviar um representante, mas não obteve resposta.

Os senadores Rose de Freitas (MDB), Marco do Val (Podemos) e Fabiano Contarato (Rede) também foram convidados, mas não compareceram. Contarato foi o único que justificou, uma vez que no horário da plenária, estaria em um voo rumo a 26ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática (COP-26), em Glagsgow, na Escócia.

A proposta de fragmentação feita pelo deputado Neucimar Fraga consta no PL 1963/2021, que busca a criação da Universidade Federal de Alegre (UFA). A essa proposta foi apensado o PL 2.048/2021, do deputado federal Evair de Melo, com o mesmo objetivo, mas denominando a instituição de ensino a ser criada como Universidade Federal do Vale do Itapemirim (UFVI).

Helder Salomão manifestou sua posição contrária à fragmentação da universidade. Para ele, o debate deveria ter sido feito pelos parlamentares com a comunidade acadêmica antes da apresentação das propostas. "Precisamos de mais universidades no Brasil e no Espírito Santo, mas o sul já tem uma universidade. O nome dela é Universidade Federal do Espírito Santo. A gente só cria o que não existe. O que está sendo proposto não significa abertura de novas vagas e não pode ser levado adiante sem a pactuação com a comunidade acadêmica, pois fere a autonomia universitária", ressaltou. Ele propôs que seja feito o debate de criação de uma nova universidade no Estado, mas não a partir de um campus da Ufes.

Durante a plenária, as entidades representativas destacaram sua posição contrária à fragmentação. O professor do campus de Alegre, Gercílio Alves de Almeida Júnior, fez críticas aos projetos de lei, por defenderem que já existe uma infraestrutura para a criação de uma universidade.

"Nós não temos sala para reitor, para sete pró-reitores, não temos nem sala para os professores atuais e um auditório para solenidades como formatura", diz, destacando também que, no projeto de Evair de Melo, consta que a fragmentação vai incentivar a indústria petroleira no Espírito Santo, sendo que nem há esse tipo de indústria na região. "O que temos é o município de Presidente Kennedy, que recebe os royalties do pré-sal da Bacia de Campos", salienta.

O vice-reitor da Ufes, Roney Pignaton, também enumerou alguns problemas das propostas de Neucimar Fraga e Evair de Melo, que foram o fato de a iniciativa de fragmentação não integrar um programa específico do Ministério da Educação para expansão da graduação e da pós-graduação; a ausência de projeto de infraestrutura; a não especificação de como se dará a indicação de reitor pró-tempore; e falta de diálogo com a comunidade acadêmica.

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Comentários: 3

Paulo dos Santos Andion em Sábado, 06 Novembro 2021 22:48

Paulo dos Santos Andion - Vila Velha
Devido a complexidade do assunto é bem provável que os parlamentares irão rasgar a papelada após tomarem conhecimento da dívida pública e da retirada de recursos da educação para os custeios da pandemia na volta as aulas presenciais nas escolas públicas lembrando que ficou para trás a criação da Universidade Estadual propugnada desde quando resolveram que o ICMS arrecadado pelo estado pertenceria ao estado e não ao governo federal e entra mandato e sai mandato pelas extremidades um inexperiente vira político da noite para o dia e o outro guarda a experiência política, dá nisso!

Paulo dos Santos Andion - Vila Velha Devido a complexidade do assunto é bem provável que os parlamentares irão rasgar a papelada após tomarem conhecimento da dívida pública e da retirada de recursos da educação para os custeios da pandemia na volta as aulas presenciais nas escolas públicas lembrando que ficou para trás a criação da Universidade Estadual propugnada desde quando resolveram que o ICMS arrecadado pelo estado pertenceria ao estado e não ao governo federal e entra mandato e sai mandato pelas extremidades um inexperiente vira político da noite para o dia e o outro guarda a experiência política, dá nisso!
Offset Offset em Segunda, 08 Novembro 2021 15:33

Matéria bem mal escrita. O penúltimo paragrafo distorceu totalmente a fala do professor para condizer com a vontade do autor. O Século Diário sempre foi minha referência de jornalismo no ES mas o texto mal informativo dessa matéria só mostra que eu me iludo fácil.

Enfim. Dividir campus não resolve nada e nem cria nada, só divide e permite aos políticos eternizarem seus nomes como se fossem os heróis que fundaram uma nova universidade pública no estado. Lamentável.

Matéria bem mal escrita. O penúltimo paragrafo distorceu totalmente a fala do professor para condizer com a vontade do autor. O Século Diário sempre foi minha referência de jornalismo no ES mas o texto mal informativo dessa matéria só mostra que eu me iludo fácil. Enfim. Dividir campus não resolve nada e nem cria nada, só divide e permite aos políticos eternizarem seus nomes como se fossem os heróis que fundaram uma nova universidade pública no estado. Lamentável.
Danilo Nogueira em Terça, 16 Novembro 2021 00:12

Isso que dá, ter deputado que nunca sentou numa cadeira de faculdade ou que "adquiriu" diploma por correspondência.

Isso que dá, ter deputado que nunca sentou numa cadeira de faculdade ou que "adquiriu" diploma por correspondência.
Visitante
Quinta, 27 Janeiro 2022

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