Sexta, 17 Setembro 2021

Movimentos defendem inclusão de pessoas trans na Ufes

marcela_estudante_ufes Divulgação
Leonardo Sá

Uma pesquisa de 2018 feita pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) ajuda a avaliar o número de pessoas trans (travestis e transexuais) nestas instituições públicas brasileiras. O resultado mostra que 0,3% dos alunos são trans, sendo a maioria deles formados por pretos e pardos, com número próximo de homens e mulheres.

O tema da inclusão das pessoas trans na universidade vem sendo defendido na única universidade pública do estado, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), atualmente em momento chave durante  discussão de seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que define as diretrizes da entidade para os próximos 10 anos e está com consulta aberta até este domingo (21).

Na última década a universidade tem adotado sistemas de ações afirmativas para negros indígenas, pessoas com deficiência e pessoas em situação de refúgio. Agora, grupos como o Núcleo de Estudos Afro-Brasilerios (Neab) e outros movimentos sociais e acadêmicos apontam a necessidade de garantir ações afirmativas como cotas ou reserva de vagas sejam implementadas também para cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado), incluindo também pessoas trans.

O primeiro passo na pós-graduação da Ufes foi dado no final de 2020 pelo Mestrado em Comunicação e Territorialidades, que lançou edital de seleção em que sua política de reserva de 50% das vagas inclui percentuais para pretos, pardos ou indígenas, pessoas trans, pessoas com deficiência e candidatos em condição de refúgio. O desafio é fazer com que esse tipo de prática seja política da universidade, promovendo a inclusão em todos os cursos.

"O acesso às universidades públicas possibilita o rompimento dos muros hegemônicos, os quais foram estruturados para manter a população de travestis e de pessoas trans à margem da sociedade, cerceando o direito à educação", diz Marcela Aguiar, travesti graduada em Biblioteconomia e atualmente cursando mestrado em Ciências da Informação.

Para ela, a política de cotas ajuda a quebrar paradigmas cisgêneros e heterossexuais, mas deve ser discutida considerando a interseção com as questões de raça e classe, privilegiando sujeitos "menos favorecidos cultural e historicamente". Ao contrário da pesquisa nacional da Andifes, que aponta 58% dos estudantes trans como negros, Marcela conta que em sua época de graduação na Ufes, entre 2015 e 2018, havia entre eles maioria de alunos brancos e com renda superior a um salário mínimo e meio.

O recorte para análise de pessoas trans, feito pelo Grupo de Estudos Multidisciplinar em Ações Afirmativas (Gemaa) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) indica que 33%, ou seja, um terço destes alunos tiveram acesso a algum Programa de Assistência Estudantil. O índice sobe para 38% quando o recorte é de pessoas trans negras. A média geral é de 28%.

Outro dado interessante, é o que aponta que as pessoas trans teriam maior engajamento em movimentos ativistas durante sua passagem pela universidade: enquanto o número de pessoas cis envolvidas com algum tipo de organização política ou social foi de 28%, o número de pessoas trans chegou a 45% no mesmo critério, alcançado 50% quando analisado apenas os homens trans. Os movimentos LGBTQIA+, estudantil e feminista são os que mais engajaram estudantes trans.

Marcela Aguiar. Foto: Divulgação
É o caso de Marcela, que durante sua graduação, deu palestras, aulas sobre gênero e sexualidade e co-organizou eventos LGBTQIA+. "Acredito que o ativismo seja substancial para o empoderamento e autoafirmação nessa ambiência, mas também gosto de pensar que os corpos travestis e trans, quando em movimento, compartilham muitas informações sobre identidade, corpo, gênero e performance. Não há nada mais potente que um corpo T em movimentação!", exclama.

Segundo ela, situações como o uso do nome social na biblioteca e outros espaços, os problemas com o uso dos banheiros por conta do gênero, e os cochichos e olhares nos corredores são coisas que fazem parte de um emaranhado de questões que dificultam a permanência nesses espaços e a trajetória acadêmica das pessoas trans. "Ser uma travesti ou uma pessoa transexual já se circunscreve como uma distorção do que a sociedade instaurou como 'correto', então toda a estrutura das universidades tem sido arquitetada para corpos cisgêneros", reclama.

A questão começa ainda antes, no ensino básico, quando os preconceitos e falta de preparo das escolas para lidar com a diversidade sexual, acaba levando muitas pessoas trans a abandonar os estudos ainda antes de concluir o Ensino Médio. Um estudo da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais (ABLGBT) divulgado em 2016 apontou que 73% dos mais de mil jovens ouvidos que não se declaram como heterossexuais já haviam sido agredidos verbalmente no ambiente escolar.

Além da escola, os conflitos familiares e religiosos devido à orientação sexual também levam muitas pessoas trans a uma situação de dificuldades econômicas, sociais e psicológicas. O abandono escolar, a situação de vulnerabilidade e o preconceito encontrado no mercado de trabalho são fatores que levam muitas pessoas trans a encontrarem a prostituição como único meio para sobreviver.

As políticas afirmativas para inclusão nas universidades públicas pode contribuir não apenas para mudar esse estigma e gerar condições dignas para muitas pessoas que podem se encontrar em situação de vulnerabilidade por conta dos preconceitos sociais, mas também estimula a criação de novas referências entre as pessoas trans para ocupar espaços de destaque na sociedade, inclusive na docência das escolas, onde é necessário combater a estrutura homofóbica e transfóbica, e das universidades, para o qual a inclusão de cotas e reserva de vagas nos cursos de mestrado e doutorado é importante para que se possa garantir que cheguem ao grau de professores universitários.

A sugestão do Neab é de adoção de indicadores e metas de curto, médio e longo prazo que garantam um percentual mínimo e crescente de presença de estudantes negros, indígenas, pessoas com deficiência e pessoas trans em todos os programas de mestrado e doutorado da Ufes.

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Comentários: 3

Agmarcarioca em Domingo, 21 Março 2021 12:42

tudo agora e cota assim as pessoas querem vida facil,sai de Colatina terra das mulheres bonitas em 1982 aos 18 anos para o Rio ser paraquedista do Exercito antes fiquei 3 meses no bairro oriente em Cariacica logo fui trabalhar na lanchonete sarlos no parque moscoso sofri muito para ser um paraquedista do Exercito,ja conversei com o cavalao ( Bolsonaro)duas vezes em 2010 e 2020 vou sugeri a ele que acabe com cota geral e as universidades federal so estude quem vem do ensino publico quem vem da particular os pais pagam do propio bolso nas universidades particular e muito mi mi querem muitos direitos meu pai que e santo Abelyr dia 5 de março que esta no ceu dizia para colher tem que plantar minha filha estudou muito foi segundo lugar no Brasil no feminino num concurso federal na area militar vamos correr atraz

tudo agora e cota assim as pessoas querem vida facil,sai de Colatina terra das mulheres bonitas em 1982 aos 18 anos para o Rio ser paraquedista do Exercito antes fiquei 3 meses no bairro oriente em Cariacica logo fui trabalhar na lanchonete sarlos no parque moscoso sofri muito para ser um paraquedista do Exercito,ja conversei com o cavalao ( Bolsonaro)duas vezes em 2010 e 2020 vou sugeri a ele que acabe com cota geral e as universidades federal so estude quem vem do ensino publico quem vem da particular os pais pagam do propio bolso nas universidades particular e muito mi mi querem muitos direitos meu pai que e santo Abelyr dia 5 de março que esta no ceu dizia para colher tem que plantar minha filha estudou muito foi segundo lugar no Brasil no feminino num concurso federal na area militar vamos correr atraz
Maria Helena S. Arnaud em Segunda, 22 Março 2021 13:20

Uma amiga me perguntou como é educar e conviver com uma filha travesti. Eu pensei muito pouco porque pra mim é cuidar como se cuida qualquer outra filha ou filho: com amor, respeito, empatia, acolhimento e claro, ir a luta junto para que elas e el3s conquistem seus direitos. É exigir respeito e solidariedade da propria familia, dos amigos e do grupo social a que t3mos acesso. É na medida das suaa condicoes, possibilitar o desenvolvimento intelectual deles. E é ouvi-las e ouvi-los. Ter mente aberta pra aprender e ensinar. Aprendizado recíproco todos os dias. É sentir a dor junto e minimizar a dor com amor. A mãe e ao pai cabe lutar social e politicamente para que as filhas e os filhos não sejam tratados como diferentes. E que tenham oportunidades onde essas distorçoes sociais exiatam. Parabéns às iniciativas das cotas pois ela é a oportunidade que dá a coragem para que esses jov3ns saibam que seus sonhos podem ser realizados.

Uma amiga me perguntou como é educar e conviver com uma filha travesti. Eu pensei muito pouco porque pra mim é cuidar como se cuida qualquer outra filha ou filho: com amor, respeito, empatia, acolhimento e claro, ir a luta junto para que elas e el3s conquistem seus direitos. É exigir respeito e solidariedade da propria familia, dos amigos e do grupo social a que t3mos acesso. É na medida das suaa condicoes, possibilitar o desenvolvimento intelectual deles. E é ouvi-las e ouvi-los. Ter mente aberta pra aprender e ensinar. Aprendizado recíproco todos os dias. É sentir a dor junto e minimizar a dor com amor. A mãe e ao pai cabe lutar social e politicamente para que as filhas e os filhos não sejam tratados como diferentes. E que tenham oportunidades onde essas distorçoes sociais exiatam. Parabéns às iniciativas das cotas pois ela é a oportunidade que dá a coragem para que esses jov3ns saibam que seus sonhos podem ser realizados.
luiz em Segunda, 22 Março 2021 15:53

Essa pessoa aí da foto é um nojo...eu tive o desprazer de conhecer, sem maturidade, soberba, metida, sem humildade, fofoqueira, ignóbil e antipática. O problema é que por tanto sofrer preconceito social, acaba sendo uma pessoal desprezível, se achando superior. Lamentável.

Essa pessoa aí da foto é um nojo...eu tive o desprazer de conhecer, sem maturidade, soberba, metida, sem humildade, fofoqueira, ignóbil e antipática. O problema é que por tanto sofrer preconceito social, acaba sendo uma pessoal desprezível, se achando superior. Lamentável.
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