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Aparecida Denadai reafirma participação de empresário na morte de irmão

A deputada estadual Aparecida Denadai (PDT), irmã do advogado Joaquim Marcelo Denadai, voltou a declarar que o empresário e ex-militar Sebastião de Souza Pagotto foi o mandante do assassinato ocorrido em abril de 2002. No depoimento que abriu o júri popular do crime, na manhã desta quarta-feira (10), Aparecida relembrou os relatos de testemunhas com detalhes sobre a execução do irmão e desmentiu a possibilidade de outra tese para o crime.  

A deputada afirmou que as investigações foram taxativas quanto à participação de Pagotto. “Quando o Marcelo foi assassinado, duas situações se confundiram: a apresentação da notícia-crime envolvendo Pagotto [sobre fraudes na gestão tucana na Capital] ou algum caso que ele defendia. Mas após as investigações, não há mais dúvidas sobre o crime”, declarou no depoimento, sob a condição de informante. 

Durante o depoimento, a defesa do empresário tentou confrontar a deputada com um depoimento prestado por ela no dia seguinte ao crime. Na ocasião, Aparecida chegou a cogitar a possibilidade de um outro mandante do crime. Tese que acabou descartando com o avanço das investigações, inclusive com as provas que ligam o empresário ao crime. 

Visivelmente emocionada, a parlamentar – que ainda se recupera de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas – afirmou que os seus problemas de saúde se devem em grande parte aos efeitos do crime: “Não tenho dúvidas que parte do AVC foi pela dor da perda do meu irmão. Esse senhor [disse apontando para o Pagotto] não tirou só a vida do Marcelo, mas de toda família – da mãe, do filho [que acabou morrendo um ano depois do crime, aos 11 anos de idade]”. 

Também foram ouvidas outras duas pessoas na parte da manhã, entre elas o o ex-segurança de uma central de caça-níquel, Josenil Soares Nicastro, que foi a primeira pessoa a relatar sobre a possível participação do empresário no crime. Ele confirmou que recebeu propostas de suborno para mudar o depoimento em que relatou o diálogo com uma pessoa próxima a Pagotto que havia dito, no dia do crime, que “Tião [como é conhecido o ex-militar entre os amigos] mandou matar o advogado”. 

O motivo do crime seria a apresentação de uma denúncia pelo advogado que seria protocolizada no dia seguinte à execução. Marcelo Denadai denunciava a existência de irregularidades na contratação da empresa Hidrobrasil (hoje Líder) para o serviço de limpeza de bueiros e galerias de esgoto no município de Vitória. O caso chegou a motivar a abertura da CPI da Lama na Câmara dos Vereadores, trancada por decisão judicial.  

O advogado da empresa à época, Flávio Cheim Jorge, foi o último ouvido na parte da manhã. O causídico confirmou que defendia os interesses da empresa e negou a existência de irregularidades na licitação. Cheim Jorge afirmou que dez empresas compraram o edital da concorrência, mas apenas duas apresentaram propostas. No entanto, essa outra empresas foi inabilitada e apenas a Hidrobrasil disputou – e venceu – o certame. 

Ao final dos primeiros depoimentos, a sessão do Tribunal do Júri foi interrompida para o horário de almoço e retornou aos trabalhos por volta das 14 horas. Não há maiores informações sobre o cronograma de depoimentos das testemunhas. Por conta da complexidade do caso, a previsão é de que o julgamento siga até a madrugada desta quarta. O júri acontece nas instalações do antigo Fórum de Vila Velha, na Prainha.

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