Sexta, 21 Junho 2024

Desportiva tenta reverter leilão de estádio com apoio de deputados

desportiva_ales_maralima_ales Mara Lima/Ales
Mara Lima/Ales

A Desportiva Ferroviária se articula com deputados estaduais para tentar reverter o leilão de seu estádio Engenheiro Alencar de Araripe, localizado no bairro Jardim América, em Cariacica. Nessa terça-feira (14), representantes da diretoria, profissionais e crianças das categorias de base do clube estiveram na Assembleia Legislativa, para pedir apoio em meio a uma ação de interdição do imóvel.

Na ocasião, a deputada Janete Sá (PSB) assumiu a defesa da Desportiva e fez um duro discurso contra o empresário Marcelo Villa-Forte, do Grupo Villa-Forte & Oliveira Empreendimentos e Participações S/A, que se tornou sócio majoritário de uma sociedade anônima formada com o clube no passado; e Vaner Correa Simões Júnior, administrador judicial do patrimônio da desportiva. Janete chegou a chamar Villa Forte de "picareta" e "golpista", e levantou a possibilidade de Vaner estar se articulando com o empresário.

O imbróglio jurídico remonta a 1999, quando a Desportiva, em dificuldades financeiras, decidiu se associar ao Villa-Forte, criando a Desportiva Capixaba Sociedade Anônima (S.A.). O acordo previa que a Associação Desportiva Ferroviária ficasse com 49% das ações, e o grupo empresarial com 51%. Entretanto, o Villa-Forte integralizou apenas 10% do investimento.

A Desportiva tenta se desfazer da sociedade anônima desde 2012. Dez anos depois, o clube teria tomado conhecimento de que Marcelo Villa-Forte colocou o estádio Engenheiro Araripe como garantia de dívidas junto à Receita Federal. No ano passado, Vaner Correa Simões Júnior foi nomeado o administrador judicial do patrimônio do clube pelo juiz da 2ª Vara Cível de Cariacica, Roberto Luiz Ferreira Santos.

Entretanto, Janete Sá mencionou o fato de Vaner ser auditor-fiscal do Estado, classificando sua permanência no processo como "no mínimo, antiética". A deputada afirmou também que "se ele ficou, certamente, interesses econômicos e inconfessáveis devem pairar sobre essa decisão".

Na última decisão referente ao processo, do último dia 3 de maio, o juiz Roberto Luiz Ferreira Santos se declarou suspeito e saiu do caso. Ainda assim, nessa segunda-feira (13), o advogado de Vaner e da Desportiva Capixaba S.A., Sávio Correa Simões, foi até o estádio com uma ordem de interdição.

"Rumores pairam, e chegam aos nossos ouvidos que o administrador judicial está contaminado pelo empresário fraudulento e golpista Marcelo Villa-Forte. Não sou só eu que digo isso, o Estado do Espírito Santo sabe que ele está mancomunado e quer desocupar o estádio com a maior brevidade possível para poder oferecer em aluguel. Querem alugar o estádio por R$ 60 mil para fazer shows, prejudicando as atividades desportivas", acusou Janete Sá, lembrando também que há duas escolas públicas no imóvel.

A deputada afirmou ainda que o empresário tenta alegar que a Desportiva tem uma dívida de R$ 800 milhões, quando, na verdade, seria de R$ 6 milhões em Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), negociável com a Prefeitura de Cariacica.

Além de Janete Sá, os deputados Iriny Lopes (PT), Camila Valadão (Psol) e José Esmeraldo (PDT) fizeram coro a favor da Desportiva. Iriny mencionou a possibilidade de uma intercessão junto ao governador Renato Casagrande (PSB), para que o governo estadual possa contribuir com a questão.

SAF

O anúncio do leilão do estádio Engenheiro Araripe ocorre quando a Associação Desportiva Ferroviária negocia a venda de 90% de participação de sua Sociedade Anônima de Futebol (SAF) à Tiva, com o ex-jogador e ídolo do clube, Sávio Bortolini, a empresa Meden Consultoria e um grupo de investidores com experiência na área de entretenimento esportivo e no mercado financeiro.

As notícias sobre a SAF da Desportiva foram mencionadas no processo contra o Grupo Villa Forte, como argumentação a favor da interdição do estádio, tendo em vista que o imóvel entraria no acordo de venda, e o imbróglio jurídico é um entrave ao negócio.

Entretanto, torcedores do clube e especialistas apontam que essa negociação nada tem a ver com o processo judicial, por ser tratar da área relacionada unicamente ao futebol. A sociedade teria como compromisso do grupo Vila-Forte construir, entre outros itens, um posto de gasolina na área externa do estádio.

O grupo não integralizou o patrimônio no acordo assinado no dia 19 de maio de 1999, quando deveria ter executado o pagamento imediato de 10% do valor total de R$ 1 milhão, em 20 parcelas mensais de R$ 30 mil, além de construir um posto de gasolina de bandeira "Frannel", no valor de R$ 336,8 mil. O Villa-Forte garantiu apenas o pagamento de R$ 104 mil.

Em contato com Século Diário no mês passado, o ex-presidente da Desportiva Ferroviária Wilson de Jesus garantiu que impediu, por três vezes, que o estádio Engenheiro Araripe fosse a leilão para pagamento de dívidas acumuladas a partir da sociedade entre o clube e o Grupo Villa-Forte.

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