Sexta, 01 Março 2024

PF apreende passaporte de Bolsonaro e efetiva prisões de aliados e militares

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O Espírito Santo é um dos estados onde a Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (8), a Operação Tempus Veritatis, para investigar uma possível organização criminosa que atuou no 8 de janeiro. Foram cumpridos no País 33 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão preventiva e 48 medidas cautelares, que incluem o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente do seu partido, o PL, Valdemar Costa Neto, preso em flagrante por porte ilegal de armas, e militares de alta patente.

Na decisão que determinou as medidas, expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, consta o nome do major do Exército Angelo Martins Denicoli, de Colatina, noroeste do Estado. Ele chegou a ocupar cargo de direção no Ministério da Saúde, na gestão de Eduardo Pazuello.

Segundo a PF, ele integrava o "Núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral", um dos seis criados pelo grupo para organizar a tentativa de golpe. Este grupo seria responsável pela produção, divulgação e amplificação de notícias falsas quanto à lisura das eleições presidenciais de 2022.

Os generais Braga Neto e Augusto Heleno também foram alvos de busca e apreensão. São investigados por participarem de uma organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, a fim de manter no poder o então presidente Jair Bolsonaro.

Foram presos o ex-assessor especial de Bolsonaro, Filipe Martins; o coronel da reserva do Exército Marcelo Câmara, suspeito de fraudes nos cartões de vacina da família do ex-presidente; e o major das Forças Especiais do Exército, Rafael Martins. O coronel do Exército Bernardo Romão Corrêa Neto não foi preso por se encontrar nos Estados Unidos.

Bolsonaro e os demais envolvidos estão proibidos de manter contato com os outros investigados, se ausentar do País, com entrega dos passaportes no prazo de 24 horas, e suspensão do exercício de funções públicas.

Além do Espírito Santo, os policiais federais cumprem as medidas judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Paraná, Goiás e Distrito Federal.

De acordo com a PF, a investigação apurou que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.

O primeiro eixo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas eleições de 2022, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação. O segundo teria consistido na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.

Comunicado da PF informa que o "Exército Brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados, em apoio à Polícia Federal. Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado".

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