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ICMBio descontrói discurso do setor ruralista no país

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confrontou os dados apresentados pela presidenta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que pronunciou-se mais uma vez contra a demarcação de terras indígenas e unidades de conservação do país.
 
Kátia, que é uma das líderes da bancada ruralista do Senado, considerou que, se fossem mantidas as médias dos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula, o país “perderia” quase 50 milhões de hectares de produção agrícola entre os anos de 2011 e 2018 para unidades de conservação e terras de demarcação indígena. Para o Instituto, essa afirmação não tem fundamento. Nos últimos 16 anos, segundo o Chico Mendes, a produção de grãos no país teve um forte aumento e isso prova que a criação das unidades de conservação não é uma ameaça à produção rural.
 
Pelo contrário: o ICMBio acredita que o desafio do setor agrícola é buscar a eficiência no processo produtivo das áreas já ocupadas, e afirmou que a disponibilidade de água de boa qualidade, fundamental para o desenvolvimento de atividades econômicas, está diretamente relacionada à proteção da vegetação das proximidades das bacias hidrográficas.
 
Márcio Astrini, coordenador da campanha Amazônia, pelo Greenpeace, considerou que os números apresentados pela senadora são tendenciosos por desconsiderarem a grande queda – o menor índice desde a ditadura militar – na criação de unidades de conservação e de demarcação de terras indígenas no governo Dilma Rousseff.
 
A senadora ainda considerou que as demarcações são “obras de ficção”, porque os produtores não foram indenizados no prazo de cinco anos a partir da expedição de um decreto para tal fim. Segundo Kátia, essas indenizações poderiam ser feitas se o ICMBio aumentasse seu orçamento.
 
Outra afirmação da senadora foi de que, no mesmo ritmo, o país teria perdido todas as áreas de produção agrícola em 2031 e, em 2043, “todo o território nacional seria ocupado por unidades de conservação e terras indígenas”.
 
Mas a diretoria do ICMBio contra-argumentou, declarando que “são as áreas protegidas que sofrem constante pressão para serem convertidas em pasto, lavoura ou expansão urbana”. Para o Instituto, a eficiência, a sustentabilidade e a justiça social são resultados futuros do alinhamento entre crescimento econômico e conservação ambiental.
 
Com informações da Agência Brasil

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