Sexta, 24 Junho 2022

Moradores denunciam novo vazamento da Imetame em Linhares

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Um mês e meio após o vazamento de sete mil litros de óleo dos poços de petróleo da Imetame Energia na região da Foz do Rio Doce, em Linhares, norte do Estado, os moradores da região voltaram a se alarmar com uma nova mancha oleosa, encontrada nesse domingo (27), novamente, próximo à comunidade de Areal.

Até o fechamento desta matéria, no entanto, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) ainda não havia divulgado qualquer nota oficial ou respondido aos questionamentos feitos por Século Diário nem sobre o fato de domingo, tampouco sobre as investigações relativas ao vazamento ocorrido em 15 de fevereiro.

Já a empresa nega que tenha ocorrido novo vazamento e alega que o produto encontrado pelos moradores é decorrente de uma atividade de manutenção dos dutos, mas que já foi removido. "Temos realizado testes de pressão e de ultrassom desde o início da ocorrência, há 40 dias aproximadamente. Algumas vezes, na ocasião dos testes e outras vezes no início da operação assistida, identificamos algo a ser trocado, como ontem [domingo, 27], porque as linhas estão sendo testadas a pressões mais altas do que a de operação, para assegurar que não corremos risco de rompimento", alegou o diretor de Sustentabilidade do Grupo Imetame, Sergio Fantini, em comunicado compartilhado em redes de WhatsApp.

Em sua página na internet, a Imetame publicou na sexta-feira (25) a última atualização sobre as ações que estão sendo realizadas no local do vazamento de fevereiro. Segundo a nota, "as áreas com água já apresentam um grau de limpeza que pode ser percebido visualmente" e que "as barreiras continuam sendo utilizadas, agora com função de prevenção em caso de alagamentos futuros".

'O custo da privatização'

No final de fevereiro, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) divulgou uma nota assinada pelo Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), os gabinetes dos deputados Iriny Lopes (estadual) e Helder Salomão (federal), do PT, a Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase) e a Associação de Surf de Regência (ASR). 

Nela, as entidades ressaltam que "a estrutura adquirida recentemente pela Imetame faz parte do lote de operações em terra que a Petrobras tem vendido no Estado" e que tratam-se de "estruturas antigas, muitas sem manutenção, e que, se após o pré-sal não era prioritária para a estatal, voltou a produzir em ritmo acelerado desde a sua aquisição pela Imetame".

Em visita ao local um dia após o vazamento, o Sindipetro/ES já havia denunciado o fato como um dos "custos da privatização" e apontou "nítida falta de experiência" da empresa em lidar com emergências. 

Inimigo do clima

Já o coordenador estadual da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), Marcelo Calazans, chama atenção para o fato de que "assim como a Imetame, a maior parte das empresas que operam nesse submercado da produção nacional não tem expertise no setor, nem capital para o operar com tecnologia mais moderna e segura

Para tornar a atividade mais rentável, aponta, essas empresas necessitam de "muito apoio e incentivos fiscais do Estado, além de baixo investimento em tecnologia e mão de obra, bem como baixa fiscalização e valor das multas, sem nada de reparação".

A atividade está "na contramão de seus discursos [de governos e empresas] sobre mudanças climáticas", sublinha Marcelo Calazans. Ainda assim são grandes receptoras de benefícios fiscais. "Os governos federal e estadual têm incentivado a expansão da indústria petroleira, como os investimentos do Bandes [Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo] no Porto Central, em Presidente Kennedy, e os 40 milhões na Imetame, via Bandes [Banco de Desenvolvimento do Estado] e Banestes [Banco do Espírito Santo]".

Óleo da Imetame vaza próximo à Reserva de Comboios em Linhares

Comunidades atingidas de Areal e Entrerrios alertam sobre contaminação se espalhar por alagados, até chegar ao mar
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