Sexta, 17 Setembro 2021

Trânsito de cargas para Suzano também é interrompido por indígenas de Comboios

ocupacao_indigenas_es-269_divulgacao Divulgação

Na manhã desta quarta-feira (4), a Rodovia ES-269, que liga o município de Aracruz à fábrica da Suzano (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose), também foi ocupada pelas aldeias indígenas de Córrego do Ouro e Comboios, em busca de atendimento de pautas primordiais de reparação e compensação dos danos oriundos do rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco/Vale-BHP, que completa cinco anos nesta quinta-feira (5). 

Já é a terceira ocupação com esse objetivo desde a última terça-feira (27), quando um trecho da ferrovia da Vale que corta a Terra Indígena de Comboios foi interrompido. Oito dias depois, nessa terça-feira (3), a rodovia ES-10 passou a ter o trânsito de caminhões de cargas interrompido para as grandes empresas da região, que somam mais de dez, entre elas Jurong, Imetame e Tranpetro. 
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No caso das rodovias estaduais 010 e 269, estão liberados os carros de passeio e ônibus, para que não haja prejuízos para a população. A interrupção apenas dos caminhões de carga consiste em uma estratégia de pressionar as empresas a exigirem da Vale que atenda ao pleito dos indígenas, de inclusão de todas as famílias Tupiniquins das duas aldeias no programa de Auxílio Financeiro Emergencial (AFE) e o pagamento de lucro-cessante também a toda a população de Comboios. 

Em Brasília, a Coordenação Geral de Gestão Ambiental (CGGAM) da Fundação Nacional do Índio (Funai) intercedeu junto à Fundação Renova, que designou um novo interlocutor para dialogar com os indígenas, o geógrafo Alessandro Corrêa, especialista em Povos Tradicionais e Indígenas. 

"O Alessandro telefonou pra gente, mas nós queremos uma reunião presencial. Videoconferência não está funcionando", declarou o cacique da Aldeia Comboios, Antonio Carlos, o Toninho.

Acompanhando as negociações, a Defensoria Pública Estadual (DPES) e o Ministério Público Federal (MPF/ES) apoiam o pleito dos indígenas, que é agravado pela "quebra de confiança" provocada pela Renova ao se negar a atender às reivindicações, mesmo se tratando de povos tradicionais, que do ponto de vista constitucional, são prioritários.

"Cinco anos se passaram e as comunidades indígenas não têm sequer uma matriz de danos. Deveriam ser prioridade, mas não são", denuncia a defensora pública Mariana Sobral. "Recebem única e exclusivamente medidas emergenciais, auxílios financeiros e distribuição de água. A pauta é pelo lucro cessante e a inclusão de mais 29 famílias no auxílio financeiro emergencial [AFE]", ressalta.

"É importante a Vale se esforçar para reconquistar a confiança no diálogo e atender às demandas", posicionou-se o procurador da República em Linhares (MPF/ES), Paulo Henrique Camargos Trazzi, durante a reunião que antecedeu a primeira ocupação. "É importante ações propositivas por parte da Vale e demais mantenedoras para restabelecer o ambiente negocial", reforçou o também defensor público estadual Rafael Portella.

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