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Sábado, 19 Setembro 2020

Jovem quer levar experiência de banco comunitário capixaba à Itália

Jovem quer levar experiência de banco comunitário capixaba à Itália

Fotos: Facebook


Nascida no Bairro da Penha, em Vitória, a jovem Crislayne Zeferina se prepara para mais um desafio: representar sua região, o Território do Bem, no encontro internacional Economia de Francisco, que acontece em março na Itália, com realização do Vaticano e presença do Papa, que convocou jovens economistas, empreendedores e ativistas para uma reflexão crítica sobre a economia internacional.


Crislayne vem de um território popular com problemas complexos mas também com uma organização comunitária que tem construído alternativas. Para o encontro com presença de grandes especialistas e 500 jovens de todo o mundo, ela pretende levar sobretudo a experiência do Banco Bem, que atua desde 2005 como banco comunitário para oferecer microcrédito de maneira descomplicada para moradores que queiram impulsionar iniciativas produtivas, habitacionais ou de consumo, tendo movimentado mais de R$ 2 milhões ao longo do ano, com baixa inadimplência.



O chamado Território do Bem inclui nove comunidades e mais de 30 mil habitantes da capital, articulados por meio do Fórum Bem Maior, que reúne lideranças de cada bairro e assembleias com participação popular. A partir do Banco Bem funciona também na região uma moeda virtual, o e-dinheiro, que ajuda a fazer as riquezas circularem e se manterem no território, fortalecendo-o economicamente.


A trajetória de Crislayne Zeferina com as questões sociais começa ainda aos 15 anos, ajudando a avó na Pastoral da Criança, para coletar doações e apoiar as famílias mais necessitadas. Uma visita a uma casa marcou sua vida, quando encontrou uma jovem grávida e com um filho nascido que comia apenas um mingau, não tinha dinheiro para sequer comprar um pão. A luta para transformar essa realidade passou a fazer parte da então adolescente Crislayne, que aos 27 anos acumula mais de uma década de ativismo e hoje é presidente do Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) e do Conselho Municipal de Juventude de Vitória.


Ao longo do tempo, a questão social foi se juntando a outras não menos importantes como os debates de gênero e raça. Participando de encontros, debates e conversas, e percebendo-se mulher e negra e o que isso significa diante de uma sociedade que também é machista e racista. "Sempre interligo gênero, raça e classe para pensar a construção de um país melhor. Se queremos fazer uma nova economia precisamos debater o racismo estrutural, que é base da desigualdade social". Passou a utilizar Zeferina em seu nome social em referência à rainha africana que lutou contra a escravidão na Bahia.



É essa relação e interseção entre as opressões que ela pretende levar também para os debates com os jovens e especialista internacionais na Itália, numa viagem para qual ainda está buscando apoio financeiro por meio de uma vaquinha online para pagar as passagens e outros custos de viagem.


De certa maneira, Crislayne não vai sozinha, leva o acúmulo do Território do Bem e de outros movimentos sociais capixabas e nacionais. Foi indicada pelas lideranças comunitárias para um grupo de jovens do território que depois se reuniu e a escolheu como representante para ir ao encontro. Se inscreveu e foi aprovada.


Atualmente, a região em que ela mora está realizando um projeto com 50 jovens para trabalhar o empreendedorismo social dentro das comunidades. "É preciso dar acesso ao mercado de trabalho à juventude e também capacidade de se representar e conhecer suas potencialidades. Temos que estar na base para construção de uma economia solidária, que tem a ver com o que o Papa Francisco tem pensado. Trazer os jovens para debater economia é importante porque a economia hegemônica não deu certo e precisamos pensar algo que dê certo para todos", afirma a jovem.



A expectativa para a viagem é grande também para poder aprender, trocar e conhecer experiências e pessoas de outros países, especialmente as que trabalham com espaços segregados e excluídos que possam ser inspiradores para o local em que ela vive. "Minha ida é pensando no debate que vá na raiz do problema e também na criação de vínculos, diálogos e redes com outros países para construir um mundo melhor a partir dos jovens", considera Crislayne Zeferina, que atua como articuladora, mobilizadora, educadora e oficineira e participa de espaços e organizações como Fórum de Juventude do Território do Bem, Coletivo Crias, Nova Frente Negra Brasileira, Coalizão Negra por Direitos, Conselho Estadual de Juventude, além de ser madrinha de grupos locais como os coletivos Bonde da Praça e Jovens do Bem.

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