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Com dificuldade para atrair alunos, Sedu pode ter forjado lista de inscritos no Escola Viva

Apesar de toda a mobilização para preencher as 480 vagas abertas no piloto do Escola Viva em São Pedro, Vitória, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) está enfrentando dificuldade para atrair alunos para o projeto. A estratégia do governo do Estado de impor o Escola Viva à comunidade escolar, sem discussão, parece ter criado uma forte resistência ao projeto. 
Nas últimas semanas, a Sedu intensificou a divulgação do projeto, mas mesmo assim os alunos não apareceram. No site da Sedu, na semana passada, foram divulgadas três listas com os nomes dos alunos que teriam efetuado inscrição. A Sedu alertava que já havia mais de 300 inscritos e quem quisesse fazer parte “do novo modelo de escola em turno único do Espírito Santo” teria que se apressar. 
Mas as evidências apontam que essa lista de inscritos pode ter sido forjada. Nas últimas semanas, alguns pais de alunos da rede estadual de ensino foram surpreendidos por uma estranha ligação telefônica. Um funcionário da Sedu pedia aos pais que confirmassem a matrícula do filho nas turmas-piloto do projeto Escola Viva, em São Pedro, Vitória.
Foi exatamente o que aconteceu com a mãe de Mykael dos Santos Deolindo, 17 anos, que cursa o segundo ano do ensino médio na Escola Professor Fernando Duarte Rabelo, em Vitória. 
Mykael conta que ligaram para a mãe dele para confirmar a inscrição no Escola Viva. A mãe de Mykael desconfiou da ligação. O filho faz estágio durante o dia e não poderia cursar uma escola em tempo integral, como propõe o Escola Viva. Ela também sabe que Mykael é um dos críticos do projeto.
Juntamente com três alunos, Mykael faz parte do Grupo de Acompanhamento do Escola Viva, criado pelo Ministério Público Estadual (MPES). No grupo também estão quatro professores, um representante da Associação de Pais e o deputado Sérgio Majeski (PSDB), que combateu o projeto na Assembleia Legislativa. 
Presidente do Grêmio estudantil da Duarte Rabelo, Mykael descobriria depois que havia outros colegas da escola na lista do Escola Viva, mas que também não teriam feito inscrição. 
 
“A Sedu tentou induzir minha mãe a fazer a matrícula. No meu caso não funcionou. Olhando a lista, acho que há pelos menos uns 40 alunos do Duarte Rabelo inscritos por iniciativa da Sedu no Escola Viva”. Ele soube que apenas três ou quatro desses inscritos aceitaram se matricular após o assédio da Sedu. 
Karollayne Vaz Siqueira é outra aluna do Duarte Rabelo que foi inscrita “compulsoriamente” pela Sedu. “O pessoal da Sedu ligou para a minha mãe para informar que minha inscrição tinha sido aprovada. Pediram para que comparecêssemos para fazer a matrícula. Minha mãe achou estranho, porque sabe que não concordo com o projeto”, contou a estudante, que é secretária do Grêmio Estudantil da Duarte Rabelo e que teve militância marcante nos protestos contra o Escola Viva.
Como Karollayne não apareceu para fazer a matrícula, a Secretaria Escolar do próprio Duarte Rabelo ligou para a mãe da adolescente, insistindo que ela efetuasse a matrícula da filha ainda nessa segunda-feira (20).
Oficialmente, as inscrições do Escola Viva se encerravam nessa terça-feira (21). Mas quem ligava hoje (22) para a Sedu recebia orientação que ainda era possível fazer a inscrição para o projeto no site da Sedu. O funcionário da Sedu também informava que não sabia até que dia as inscrições continuariam abertas, mas garantia que ainda havia vagas.

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