O presidente estadual do PT, João Coser, anunciou nessa segunda-feira (27) que o partido está deixando o governo Paulo Hartung (PMDB). Desde o Processo de Eleições Diretas (PED), no início de maio, Coser vem sofrendo pressão interna para cumprir a resolução, que determina o desembarque imediato do governo. A decisão já havia sido endossada pela executiva nacional, que também cobrava um posicionamento do diretório estadual.
Ao anunciar a saída de Carlos Casteglione da Secretaria de Trabalho e Assistência Social, posto de maior relevância que o PT mantinha no governo, Coser quis mostrar que está disposto a cumprir as resoluções. O dirigente petista está supervalorizando a saída de Casteglione, fazendo questão de mostrar que houve um grande esforço de sua parte para convencer o colega a entregar a pasta.
Mas o desembarque anunciado é ainda parcial. Petistas ligados a Coser, que estariam acomodados no segundo e terceiro escalões do governo, também estariam resistindo em acatar a decisão do partido.
Coser também se cala solenemente sobre a decisão que determina o rompimento político com o governo Hartung. Aliado de longa data do peemedebista, o petista “finge” que essa decisão não existe.
Se Coser acatasse o rompimento com o Palácio Anchieta, os dois deputados estaduais — Padre Honório e Nunes — teriam que deixar a base governista na Assembleia e passariam automaticamente a fazer oposição ao governo Hartung.
Padre Honório tem até votado de forma mais independente, algumas vezes contra o Palácio Anchieta. Já Nunes tem se mantido fiel ao governo em todas as votações, num clássico mandato de cabresto.
Caso os dois petistas fossem obrigados a deixar a base, passariam a engrossar a pequena oposição formada hoje por Sergio Majeski (PSDB), Theodorico Ferraço (DEM) e os pedetistas Euclério Sampaio e Josias da Vitória.

