Apesar de o deputado Euclério Sampaio (PDT) ter assumido há duas semanas apenas, a relatoria da polêmica Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Empenhos, vai apresentar o relatório final dos trabalhos no próximo dia 20 de abril. A acelerada nos trabalhos chama a atenção da classe política.
Isso porque, recentemente, as contas do ex-governador Renato Casagrande (PSB) foram aprovadas no Tribunal de Contas do Estado e devem ser enviadas para a Assembleia para análise. Um dos pedidos do Ministério Público de Contas para tentar barrar a aprovação das contas do ex-governador era esperar a definição da CPI.
A Comissão foi criada em abril do ano passado a partir de denúncias noticiadas pela imprensa de que o governo do Estado teria atrasado, em 2014, os pagamentos destinados aos hospitais filantrópicos e a outras entidades que prestam serviços à rede pública de saúde.
Além disso, o Estado teria realizado despesas sem empenho na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Além da Sesa, a Secretaria de Justiça (Sejus), de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), de Transportes e Obras Públicas (Setop) e da Fazenda (Sefaz) também estão sendo investigadas por terem executado despesas sem empenho.
Segundo dados apresentados ao colegiado, os valores chegariam à ordem dos R$ 276,3 milhões. Durante o ano passado, porém, várias auditorias foram feitas nos órgãos e secretarias do Estado, que não comprovaram a denúncia.
Por isso, para a classe política, a aceleração dos trabalhos da CPI teria um perfil político de criar uma forma de subsidiar uma manobra na Assembleia para rejeitar as contas de Renato Casagrande, tornando o ex-governador ficha-suja, ou seja, inelegível para as eleições de 2018.
Inicialmente o colegiado era presidido pelo deputado Euclério Sampaio (PDT) e tinha como relator o então deputado Rodrigo Coelho (PDT). Com a ida de Coelho para a Secretaria de Estado de Assistência Social, Euclério Sampaio assumiu a relatoria.

