Quarta, 10 Agosto 2022

Eleições 2022: Apib convoca lideranças indígenas para mobilização nas bases

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Leonardo Sá

A Articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib) iniciou uma campanha de mobilização para as eleições de 2022. Divulgada nessa terça-feira (8), a organização abriu um chamamento para lideranças indígenas de todo o país, com o objetivo de dar visibilidade e apoiar possíveis candidaturas. Lideranças do Espírito Santo acreditam que a falta de apoio e de articulação são os principais obstáculos entre as campanhas locais.

O coordenador-geral da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Paulo Tupinikim, ressalta que, caso tenha adesão dos indígenas, a campanha da Apib pode ser importante para a candidatura das lideranças.

Para ele, a organização das candidaturas indígenas no Espírito Santo ainda precisa avançar em alguns pontos, "principalmente no que tange à articulação política, pelo fato de sermos várias aldeias e sempre ter mais de uma pessoa que pleiteia a candidatura (...) Isso poderia ser resolvido se os líderes das aldeias se conscientizassem e conscientizassem os seus liderados em apoiar um único nome, tendo em vista que este vai lutar na defesa do direito de todos", aponta.

O objetivo da campanha é identificar, acompanhar e capacitar lideranças indígenas para fortalecimento durante o processo eleitoral, bem como promover o combate da desigualdade enfrentada por membros de comunidades originárias nesse período. Um formulário online foi aberto para inscrição de pessoas que tenham interesse.

"Historicamente somos invisibilizados, geralmente em razão da nossa identidade étnica, e por conta do racismo institucional, do preconceito e da discriminação, que induzem a sociedade a ignorar a nossa condição de sujeitos políticos, protagonistas do nosso destino. O resultado dessa exclusão é a sub-representação gritante dos nossos povos nos parlamentos, situação que atinge também as mulheres e os negros", diz um trecho do chamamento da campanha.

Pedro da Silva Karaí, cacique da aldeia Guarani Piraquê-Açu, em Aracruz, norte do Estado, acredita que um dos maiores obstáculos nesse período eleitoral é a falta de suporte. "A gente não tem nenhum recurso. O que manda é quem tem recurso e nós não temos. Não temos nenhum apoiador, empresário, nenhuma dessas pessoas. Somos nós mesmos que nos apoiamos", destaca.

Para o cacique, a ocupação de cargos públicos por indígenas é fundamental para a defesa de pautas importantes para as comunidades, como o direito à terra, que é constantemente ameaçado. "Nós temos preocupação com esse governo, com a preservação das nossas áreas nativas, porque a nossa vida está ali. Para nós, é muito importante colocar mais pessoas indígenas nos cargos políticos e defender os nossos direitos", destaca.

O contexto político brasileiro também é uma preocupação elencada pela Apib, situação que a organização define como "cenário de morte". O manifesto da instituição lembra que o governo Jair Bolsonaro representa o desmonte de políticas conquistadas desde a Constituição de 1988, como a Fundação Nacional do Índio (Funai), entregue ao controle dos ruralistas.

É para combater esse desmonte que a eleição de representantes indígenas para cargos de liderança é crucial . No entanto, a Apib destaca que as lideranças que irão pleitear cargos nas eleições deste ano enfrentarão um cenário complexo, principalmente considerando as mudanças feitas na legislação eleitoral. Nesse contexto, é necessário intensificar o trabalho de articulação nas bases.

No Espírito Santo, os caminhos para as eleições de 2022 entre os povos indígenas ainda não começaram a ser definidos. Nas eleições municipais de 2020, o município de Aracruz contou com pelo menos cinco candidaturas de indígenas ao legislativo municipal. O ex-cacique Vilson Jaguareté (PT) foi o candidato a vereador mais votado na cidade, ocupando o cargo na Casa de Leis.

Anteriormente, o município teve apenas um índio no legislativos municipal, Ervaldo Índio (PMN), também Tupinikim, que chegou a exercer mandato entre 2015 e 2016, após assumir como suplente do então vereador Erick Musso (Republicanos), após sua eleição como deputado estadual. Ervaldo não conseguiu se reeleger.

"É preciso que cada Estado tenha candidaturas indígenas dispostas para disputar e conquistar nestas eleições o direito de ocupar cargos nos parlamentos estaduais e no Congresso Nacional. É preciso entender as novas regras sobre coeficiente eleitoral e montar estratégias para viabilizar nossas lideranças nesta disputa, que segue sendo desigual. Vamos somar nossas forças em candidaturas conectadas com nossas bases e lutas do movimento indígena para darmos continuidade na nossa resistência ancestral", convoca a Apib.

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