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Enivaldo dos Anjos vira alvo do governo na Assembleia

Na última semana o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) virou alvo de um bombardeio de denúncias e críticas às suas ações na Assembleia. Embora os temas em debate sejam realmente controversos, para observadores, há um fundo político nessa movimentação. 
 
O perfil independente e sem papas na língua do deputado seria indesejável ao Palácio Anchieta. Enivaldo dos Anjos é do tipo imprevisível, com posições firmes sobre os temas discutidos na Assembleia. Às vezes, esses posicionamentos são favoráveis ao governo, como no caso da Escola Viva, em que o deputado defendeu a tratoragem do governo do Estado na discussão do projeto. Mas nem sempre ele se coloca como governista. 
 
Esse posicionamento não é confortável ao Palácio Anchieta e vem influenciando outros parlamentares, sobretudo os novatos, que são maioria na Casa. O governador Paulo Hartung (PMDB) que sempre lidou com Assembleia Legislativa submissa e estável, não estaria feliz com o fato de Enivaldo ter se tornado referência para os deputados. 
 
Além disso, Enivaldo preside duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), que estão sendo vistas com muita cautela. A primeira, a da Sonegação, que surgiu com uma imagem de que seria um espaço para que os ex-prefeitos presos na Operação Derrama – deflagrada em janeiro de 2013 – recuperassem seus capitais políticos.
 
Mas as apurações estariam caminhando para outro rumo, que coloca em risco a relação do governo com parte do empresariado, pois pode chegar aos créditos fiscais do  Estado. A outra CPI apura a chamada máfia dos guinchos e estaria investigando a relação de oficiais da reserva da Polícia Militar com o caso. 
 
Enivaldo é primeiro secretário da Mesa Diretoria, o que aumenta a cautela do governo com o deputado, já que ele tem poder de deliberação, embora não atue isoladamente. Exemplo disso é a proposta que delega ao diretor geral da Casa poderes de ordenador de despesa. Já a questão do salário, Enivaldo alega que o mandato de deputado é transitório, uma argumentação controversa, que deve ser discutida juridicamente. 
 
O caso ganhou destaque depois que o deputado reagiu à abordagem de parte da imprensa em relação à transferência de poderes. Como a Assembleia na última década aceitou pacificamente uma série de acusações contra os deputados, devido ao desgaste político da Casa, a reação de Enivaldo surpreendeu. Mas as críticas, embora válidas, ao deputado estariam camuflando a real preocupação palaciana com o fato de Enivaldo se tornar uma liderança diferenciada no plenário. 

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