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Estado em Questão discute cenário político capixaba

Lançado em janeiro deste ano, o livro “Estado em questão vol. 1 – Pequenez, Crime Organizado e Unanimidade”, do professor Roberto Garcia Simões, especialista em políticas públicas, traz um apanhado de seus artigos publicados no jornal A Gazeta, semanalmente. Este é o primeiro de uma serie de três obras que fazem um raio-X da política capixaba.
 
O primeiro volume fala da inserção do Estado no cenário nacional, passa pela discussão do crime organizado no Estado, e culmina com o estabelecimento da política de unanimidade. O segundo vai falar dos desafios socais e o terceiro sobre o crescimento com sustentabilidade.
 
Os temas do primeiro volume são variados, mas o foco recai nas singularidades da dinâmica política do Espírito Santo, sem perder de vista a configuração do quadro político-partidário em âmbito nacional. Aliás, esse é o tema do primeiro capítulo, a inserção do Estado no cenário nacional, que questiona a afirmação da classe política capixaba sobre a dificuldade encontrada diante do tamanho da bancada federal.
 
Simões faz uma abordagem sobre como o Espírito Santo se apresenta para o Brasil e recorre a José Carlos de Oliveira para explicar a timidez política do Estado: “O capixaba é antes de tudo um fraco. É sentimental, modesto e deslumbrado com tudo que vem de fora”. 
 
O tema segue pelo segundo capítulo, que a trata da discussão sobre essa trajetória que passa a ter influência no cenário político, reforçando o discurso de discriminação para esconder incompetências da classe política capixaba. 
 
O terceiro capítulo aborda o momento em que a chamada crise ética e moral toma conta do Estado e atinge seu auge da no final da década de 1990 e início da década de 2000, no governo José Ignácio Ferreira. Simões destaca nessa época o surgimento do Fórum Reage Espírito Santo, que completou 15 anos e caiu no esquecimento.
 
As consequências dessa união em torno da proposta de combater o crime organizado vem no capítulo seguinte, quando o livro entra na era Hartung propriamente dita. A discussão passa da união para superar uma crise ao poder unânime. A situação que exigia convergência de forças em 2003, para o professor, não deveria ter se transformado em subserviência dos poderes ao Executivo.  Uma situação que ganhou força em meados do primeiro mandato de Paulo Hartung (PMDB) e se consolidou no segundo. 
 
O quinto capítulo trata da unanimidade propriamente dita e, neste ponto, Simões destaca um de seus artigos fundamentais para entender essa época. A coluna trata dos “Cinco Us”: União, Unidade, Único poder, Unificação das Forças e Unilateralidade, que mostra a escalada do governo nesse período. Uma situação que levou à criminalização do contraditório e contribuiu para o definhar da sociedade civil.
 
A partir do sexto capítulo, se tem o governo Renato Casagrande em análise. Para Simões, essa fase ganha aparência de unanimidade abrandada, que advinha do estilo político do governador da época, mas que não anulou o sistema. O governo se voltou para o social, mas para o professor, os investimentos foram pensados para um governo de oito anos. Muita coisa ficou inacabada.
 
A Assembleia Legislativa ganha destaque no sétimo capítulo, por sua submissão. De superpoder na Era Gratz, o Legislativo passa na Era Hartung a funcionar como um sindicato de defesa dos parlamentares e total adesão ao Executivo.
 
A regressão dos movimentos sociais é o tema do penúltimo capítulo do livro, que fala dos movimentos de junho e julho de 2013, com uma pauta difusa e sem uma inserção na política institucional propriamente dita. Também  fala da responsabilidade da Justiça posta em xeque com a Operação Naufrágio. 
 
O último capítulo, escrito antes do resultado das eleições de outubro de 2014, aborda o fim da unanimidade, no sentido da disputa eleitoral entre Hartung e Casagrande, mas já aponta para a possibilidade de retomada desse modelo após a disputa. 
 
Ao olhar o apanhado de artigos, Simões afirma que havia um processo de expectativa de que a democracia fosse ampliada com atendimento voltado para as demandas sociais. Mas a redemocratização foi engolida por uma luta interna no Estado voltada para o poder. O legislativo nesse contexto não faz seu papel, daí a crise de representação. 
 
Simões vê a democracia cada vez mais encapsulada , voltada para dentro, alimentando quem está no poder. Isso acontece em um contexto em que não há pluralidade na sociedade, que está silenciada.
 
Para ele o debate plural sobre o Espírito Santo foi atrofiado e o que se tem de relatos sobre o governo são documentos oficiais, patrocinados pelo governo, por isso não há o debate sobre o modelo de unanimidade, então se tem a vigência de um pensamento único. A unanimidade engoliu a análise do Estado porque desqualifica quem se insurge contra ela, reforçando o poder hegemônico. 
 
Sobre o próximo volume, Roberto Garcia Simões revela que a obra parte do primeiro governo Lula, quando aconteceu um aumento da rede e dos serviços, o que facilitou o acesso à informação e, consequentemente, as cobranças. O livro fala sobre as promessas em aberto nas áreas de saúde, educação e mobilidade urbana, entre outros. 
 
Simões ainda deu uma dica sobre o compilado que vai gerar o terceiro volume. O crescimento do Estado e a agenda recorrente da insustentabilidade ambiental no Estado. 
 
Serviço: 
 
Roberto Garcia Simões: Estado em Questão Vol. 1 – Pequenez, crime organizado e unanimidade
O livro está à venda na livraria da Edufes, no Centro de Vivência da Ufes. 
O valor é R$ 50,00.

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