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‘Eu sou contra a federação do Psol com o PT’, afirma Camila Valadão

Deputada ressalta que segue apoiando pré-candidatura de Helder Salomão a governador

Leonardo Sá

No próximo sábado (7), o Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) vai se reunir para discutir uma possível federação com o Partido dos Trabalhadores (PT) visando as eleições de 2026. A proposta tem enfrentado bastante resistência interna. Entre os contrários está a deputada estadual Camila Valadão, uma das principais lideranças do partido no Espírito Santo.

“Eu sou contra a federação com o PT em vários aspectos. Mas, entre eles, defendo a autonomia do Psol em relação ao governo [do presidente Lula, do PT], para votar, defender, se posicionar em diversos temas favoráveis, quando beneficiar a classe trabalhadora, e de forma contrária também, quando não beneficiar”, comentou Camila.

A deputada concedeu entrevista para Século Diário nessa sexta-feira (27), durante a passagem do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, em Vitória. A corrente de Boulos dentro do Psol, a Revolução Solidária, é, internamente, a maior defensora da federação com o PT. Por outro lado, a tendência Movimento Esquerda Socialista (MES), da qual Camila faz parte, firmou posição contrária.

Além da questão da autonomia nas votações, Camila Valadão cita o fato de que o Psol, em uma eventual federação, ficaria submetido às táticas eleitorais do PT nos estados, sendo que em várias regiões existem diferenças significativas de posicionamento entre os dois partidos.

“É importante lembrar que o PT é federado com outros dois partidos [PCdoB e PV]. Já são três partidos nessa federação. Então, trazer mais um, eu acho que diminui a intervenção da esquerda. Ter a federação Psol e Rede [Sustentabilidade], hoje, contribui inclusive para ter mais candidaturas desse campo progressista, da esquerda, nas ruas. Me soa estranho a gente diminuir a nossa intervenção, em vez de ter duas federações com mais candidatos trabalhando, defendendo a candidatura do presidente Lula”, acrescentou Camila, lembrando que há um quase consenso dentro do Psol em relação ao apoio à reeleição de Lula.

Camila ressaltou ainda que a sua posição contra a federação “não é sectária” em relação ao PT, e que inclusive continua apoiando uma aliança com os petistas no Espírito Santo já no primeiro turno das eleições, em torno das pré-candidatura do deputado federal Helder Salomão a governador e do senador Fabiano Contarato, que vai buscar a reeleição.

“Aqui no Estado, embora sejamos firmes na posição contra a federação, nós defendemos uma aliança já nesse primeiro turno da eleição, porque entendemos a importância da esquerda ampliar sua intervenção. E acho que a nossa disputa pode alterar a correlação de forças do Espírito Santo, ampliando a bancada de esquerda na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal e, consequentemente, a nossa intervenção política”, justificou.

Chapas

A prioridade máxima do Psol no Espírito Santo é a reeleição de Camila Valadão, a primeira deputada do partido a conquistar uma cadeira na Assembleia – antes dela, Brice Bragato migrou do PT para o Psol durante a legislatura de 2003-2006. Paralelamente, os psolistas continuam trabalhando na montagem das chapas para as eleições de 2026.

Sem citar nomes, Camila afirmou que o partido vem sendo procurado por “ex-prefeitos” interessados na disputa, mas o foco é formar uma chapa com lideranças oriundas dos movimentos políticos e sociais. “Eu acho que até abril vai ter muita mudança. Hoje, a nossa federação é vista como uma boa alternativa para lideranças médias, eu diria, porque tem duas cadeiras na Assembleia”, explicou.

A deputada estadual disse que não tem muito contato com o seu colega da Rede Sustentabilidade, Fábio Duarte, mas as articulações com a sigla seguem em frente. “Eu não tenho dialogado com ele, mas a Rede tem feito esse diálogo. Confesso que eu não sei a posição dele [sobre as eleições]. Na Assembleia, nós funcionamos como partidos independentes”, afirmou.

Em 2022, a Rede Sustentabilidade lançou o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos como candidato a governador, mas o Psol não abraçou a candidatura. As duas siglas também tiveram dificuldades internas de alinhamento nas eleições de 2024. Atualmente, na Assembleia, Fábio Duarte se mantém na base do governador Renato Casagrande (PSB), enquanto Camila segue um posicionamento mais crítico em relação ao governo.

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