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Hartung vai a Brasília à procura de espaço e para reforçar o discurso do cofre vazio

Dando prosseguimento à agenda política traçada pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o governador Paulo Hartung e outros governadores do PMDB, além de ministros do partido, se reúnem na noite desta terça-feira (8) com o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Oficialmente, o jantar-reunião é para dar continuidade ao encontro da semana passada, no Rio de Janeiro, entre Pezão e os governadores peemedebistas. O governador do Rio havia adiantada que a reunião com Temer seria para formular uma política de consesnso entre os peemedebistas sobre a crise econômica e seus impactos sobre os estados. Mas nos bastidores, a pauta que deve prevalecer é a da crise política e da relação delicada entre PMDB e PT.

Pelo viés local, o encontro vem recheado de nuances que não passam despercebidas pela classe política. A principal delas é que a movimentação de Hartung reforça o discurso de que o cofre do Estado está vazio, embora os dados apresentados pela equipe de governo não corroborem com essa fala, como os resultados do primeiro semestre e os números do Plano Plurianual (PPA).

Ao discutir o cenário de crise do País, Hartung ganha visibilidade no cenário nacional para posar ao lado de lideranças de seu partido que têm esse espaço e com isso consegue reverberar sua fala para dentro do Estado, mantendo vivo o discurso de que seu antecessor, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), teria “quebrado o Estado”, o que por outro lado ajuda a construir sua imagem de “excelente gestor”, que está sempre pronto para enfrentar a crise com competência e criatividade. Ele quer mostrar aos colegas peemedebistas, que a receita para enfrentar a crise não passa pelo aumento de impostos, como propõe o governo federal, e sim por uma política de austeridade severa. Esse discurso serve para justificar os cortes dos serviços públicos e as seguidas negativas de reajustes ao funcionalismo estadual.

Essa estratégia foi observada na semana passada, no encontro dos governadores no Rio de Janeiro. Hartung voltou à tecla de que recebeu o Estado quebrado das mãos do antecessor. Ele afirma que está conseguindo reorganizar as contas e contornar a crise coortando despesas.

O encontro serve também para jogar no campo federal uma mudança de estratégia do governo no que diz respeito a uma das agendas mais cobradas pela população. Desde o início de seu governo, Hartung cancelou os projetos de mobilidade que foram discutidos no governo passado, como o Aquaviário, a Quarta Ponte e o BRT.

Os projetos de alto custo trariam a necessidade de investimentos do governo, mas para os meios políticos, Hartung não quer apostar em seu terceiro mandato em obras e sim no acúmulo de recursos para poder sustentar o discurso de que conseguiu, no fim do mandato, entregar um estado com o cofre cheio.  

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