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Segunda, 02 Agosto 2021

​Manifestantes do 'Fora Bolsonaro' querem quartéis sem partido político

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Além de impeachment, vacina no braço, comida no prato, auxílio emergencial de R$ 600, questões sobre o meio ambiente relacionadas à corrupção no governo, entre outros temas, manifestantes do "Fora Bolsonaro" deste sábado (24) vão exigir quartéis sem partido e se posicionar contra militares da ativa na política, prática que se tornou comum na atual gestão federal. A pauta é nacional e foi acolhida no Espírito Santo por ativistas que protestam contra a presença de cerca de seis mil fardados em cargos civis e, principalmente, no núcleo do poder central da Presidência da República.

Para a presidente da Central Única dos Trabalhadores no Estado (CUT-ES), Clemildes Cortes Pereira, a pauta merece todo o apoio, principalmente a partir da manifestação de sábado, que deverá ser maior do que as outras três. Ela explica: "Está havendo adesão de várias entidades sindicais e de partido político, como o PSB, que não ainda não tinham participado por varias razões, entre elas a segunda dose da vacina contra a Covid". Ela acrescenta que "Militares têm que ficar é no quartel".

"Acho quem tem que incorporar essa pauta, sim", afirma o advogado André Moreira, do movimento "Impeachment Já ES", ressaltando para a chamada "Quartel sem partido", porque "os militares não têm o direito de transformar o Exército, as Forças Armadas, em um partido político".

"Quartel sem partido político" é uma pauta acolhida, também, pela diretora de Mulheres do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Emanuelle Kisse dos Santos Pereira, apesar de destacar que a tema não entrou em votação na plenária sobre a manifestação.

No grupo Geração 68, que reúne ativistas da década de 60, alguns torturados e presos na ditadura militar, vários integrantes acolheram a pauta por entenderem ser relevante colocar o assunto para a população, quando o Brasil vive um período de forte militarização na política.

Perly Cipriano, ex-preso político e um dos integrantes do grupo, diz que a pauta é extremamente importante e que considera um verdadeiro desrespeito à Constituição um militar ainda na ativa entrar na política. E acrescenta que a militarização dá lugar a abusos, também cometidos pelo pessoal da reserva. "Temos aqui no Estado o Capitão Assumção [Patriota], deputado que vai à Assembleia Legislativa fardado", com a prorrogativa de, se cometer algum crime, será julgado por justiça especial".

Os manifestantes estarão concentrados a partir das 14 horas de sábado na praça de Jucutuquara, ao lado do Instituto Federal de Educação (Ifes), na avenida Paulino Muller e na rua João Santos Filho, nas proximidades da Rede Tribuna de Comunicação, dona de veículos de imprensa que praticamente ignoraram as três últimas manifestações, de 19 e 29 de junho e 3 de julho. A alteração do local visa alcançar outras áreas de Vitória que não foram contempladas com as ações anteriores, que tiveram concentração na Ufes.

O estudo "A Militarização da Administração Pública no Brasil: Projeto de Nação ou Projeto de Poder?", do cientista político William Nozaki, aponta que "os tentáculos das armas se estendem de uma maneira mais ampla por toda a estrutura do governo. Tal presença não só é, certamente, uma das maiores da história brasileira de todos os tempos, de fazer inveja até mesmo aos períodos militares, como também ela tem rendido outros ganhos corporativos às Forças Armadas".

Pesquisa

A politização das Forças Armadas, promovida pelo presidente Jair Bolsonaro, é rejeitada pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último dia 12, revelando que 62% discordam que militares da ativa participem de manifestações políticas. Já 58% acreditam que os fardados não deveriam assumir cargos no governo, deixando as funções da administração pública para civis.

Os dados, somados ao percentual de 54% dos brasileiros que apoiam o impeachment de Bolsonaro, mostram que o povo não só deseja ver o atual presidente fora do governo como também quer que as Forças Armadas se preocupem em exercer o papel para o qual foram criadas: defender o país de inimigos externos.

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Comentários: 1

JOSE WALTER DOS SANTOS em Sexta, 23 Julho 2021 08:35

SOMOS DIREITA , ESSA PESQUISA É MENTIROSA, BOLSONARO UM PRESIDENTE HONESTO.

SOMOS DIREITA , ESSA PESQUISA É MENTIROSA, BOLSONARO UM PRESIDENTE HONESTO.
Visitante
Segunda, 02 Agosto 2021

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