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Manobra na Assembleia é a última cartada do governo para rejeitar contas de Casagrande

Com a confirmação do Tribunal de Contas do Estado (TCES) da aprovação das contas do ex-governador Renato Casagrande (PSB), começa a ganhar contorno na Assembleia, que deve receber a peça do TCE nos próximos dias, uma manobra palaciana para o chamado julgamento político dos números apresentados pelo socialista. 
 
A movimentação pode ser percebida pela colocação de aliados importantes do atual governador Paulo Hartung (PMDB) em posições estratégicas já preparando uma eventual manobra. Neste sentido, ganha destaque os posicionamentos de três deputados: Dary Pagung (PRP), Euclério Sampaio (PDT) e Gildevan Fernandes (PV). 
 
O primeiro é o presidente da Comissão de Finanças que vai emitir o parecer a ser apreciado pelo plenário. Embora passe por outras comissões, esse é o principal colegiado a analisar as contas num primeiro momento. Pagung é aliado de primeira linha de Hartung e sua função na movimentação já foi exposta. Ele já adiantou que vai entregar a relatoria da matéria ao deputado Euclério Sampaio. 
 
Um dos principais mobilizadores do plenário da Assembleia no final de 2014, na tentativa de rejeitar as contas do exercício de 2013 de Casagrande, Euclério Sampaio é também o idealizador da CPI dos Empenhos, que trabalha desde o início de 2015 para tentar encontrar na gestão do socialista evidencias de que houve pagamentos sem o devido empenho. 
 
Nos corredores da Assembleia a impressão é de que o parecer de Euclério já é esperado pela rejeição. Para aumentar a pressão política na discussão das contas, o pedetista assumiu o posto de relator da CPI dos Empenhos, que deve dar a linha condutora para seu relatório das contas. 
 
E aí entra no jogo a terceira peça desse tabuleiro, o líder do governo Gildevan Fernandes (PV), que assumiu a presidência da CPI dos Empenhos e deve dar celeridade aos trabalhos para que o colegiado possa entregar um relatório que sirva de subsídio para a manobra de rejeição das contas. 
 
Para os meios políticos, assim como tentou em 2014, os aliados de Hartung teriam a missão de tentar tirar Renato Casagrande do jogo político, o que uma decisão colegiada, com a decisão de uma Assembleia Legislativa pela rejeição de contas, atenderia. Com as contas rejeitadas pela Assembleia, Casagrande se tornaria inelegível por oito anos.
 
A manobra seria essa, só faltaria combinar com o plenário da Assembleia. Isso porque o ano é eleitoral e reviver a disputa de 2014 entre o governador e o ex-governador pode não trazer resultados positivos nas bases. Além disso, a rejeição de contas de um governador seria um fato inédito na história política do Estado, ainda mais contrariando o parecer do Tribunal de Contas, que foi unânime pela aprovação. 
 
Caso aconteça, a impressão das lideranças políticas é de que o governador poderia dar mais força ao seu principal desafeto político. Uma vez que se tiver uma decisão desfavorável, Casagrande não teria dificuldade em reverter a situação em uma instância superior e pode sair vitimizado da história, aumentando seu capital em vez de desgastá-lo. 

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