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Para fechar turmas, governo ‘mercantiliza’ Escola Viva

Um animado locutor de uma das rádios de maior audiência na Grande Vitória anuncia em quais escolas o “Invasão Jovem Pan” estará. A chamada alerta: “As equipes de promoções da Jovem Pan vão invadir as escolas da rede estadual de ensino com muita promoção e brindes para lembrar que as inscrições para o Escola Viva acontecem até o próximo dia 21”. Em seguida, aparece a relação das escolas que serão “invadidas” pela rádio. 
O spot reforça: “Quer se matricular num futuro melhor para você? Então venha para a Escola Viva, um novo modelo de escola pública que orienta o jovem a construir seu projeto de vida. Faça a sua matrícula até o dia 21 deste mês para uma das 480 vagas disponíveis”.
Divulgar as inscrições para as turmas-piloto do Escola Viva, que funcionará no campus da Faesa, em São Pedro, Vitória, foi uma das estratégias adotadas pelo governo do Estado para tentar fechar as três turmas, com 160 alunos cada, até essa terça-feira (21), data oficial de encerramento das inscrições. 
Na opinião do deputado Sérgio Majeski (PSDB), a estratégia de contratar os serviços de uma rádio para divulgar o projeto, a princípio, não tem nada de errado, desde que a campanha fosse de alto nível. 
O deputado, porém, julgou inadequada a estratégia de recorrer a uma promoção, com brincadeiras e distribuição de brindes, para atrair alunos para o projeto. 
A bizarra estratégia de mercantilizar a educação como um produto, se valendo de todos os recursos mercadológicos para atrair alunos para o projeto, está entre os questionamentos que o deputado vem fazendo ao governo.
O tucano disse que todos os requerimentos encaminhados ao governo do Estado pedindo informações sobre o projeto ainda não foram respondidos. Majeski quer saber, por exemplo, os detalhes do contrato de locação do prédio da Faesa, em São Pedro, que vai abrigar o piloto do Escola Viva. As informações sobre os gastos com publicidade também estão no alvo do deputado. Ele acrescentou ainda que também quer entender melhor como funciona a parceria entre o governo do Estado e a ONG Espírito Santo em Ação, que é uma das gestoras do projeto.
Sobre o suposto não preenchimento das vagas, como denunciou reportagem do jornal Século Diário, o deputado disse que não era de se estranhar. Ele destacou verdadeiro atropelo promovido pelo governo na Assembleia para aprovar e implantar o Escola Viva ainda este ano. Majeski, que foi o principal crítico da proposta do Palácio Anchieta, apresentou emenda para que o projeto fosse amplamente debatido com a comunidade escolar e, se aprovado, fosse implantado somente em 2016.
Dossiê das incoerências
O professor de filosofia do Colégio Estadual, em Vitória, Weriquison Curbani, que também é um dos quatro professores do Grupo de Acompanhamento do Escola Viva, criado pelo Ministério Público Estadual (MPES), do qual o deputado Sérgio Majeski também faz parte, disse ter ficado chocado com a divulgação promocional do projeto Escola Viva no rádio. 
Curbani afirmou, na condição de membro do grupo do MPES, que está reunindo documentos para a construção do chamado “dossiê das incoerências”. Segundo o professor, o conteúdo desse levantamento está sendo discutido com o grupo e, em breve, poderá virar uma denúncia no Ministério Público. 
Ele adianta que há supostas irregularidades no Escola Viva que vão desde a origem dos recursos para financiar o projeto, passando pela estrutura física, seleção dos docentes e recursos gastos com publicidade para promover o projeto. 

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