A ascensão do deputado federal Paulo Foletto à presidência do PSB capixaba indica que o partido está buscando um novo rumo no jogo político do Estado. As críticas à gestão de Luiz Carlos Ciciliotti à frente da sigla são muitas e em um momento em que o partido precisa buscar uma reconstrução depois do desempenho da eleição de 2014, a mudança na cúpula é o ponto de partida para uma nova dinâmica partidária.
Tendo um deputado federal, o PSB procura fortalecê-lo, para garantir seu espaço político. Além disso, permite que sua principal estrela, o ex-governador Renato Casagrande, possa ficar solto para costurar sua movimentação no cenário do Estado.
Casagrande pode disputar a eleição da Prefeitura de Vitória, embora ainda confie na aliança com o prefeito Luciano Rezende (PPS). Independentemente de seu papel, ele vai influenciar na disputa do próximo ano, se preparando para um embate na disputa estadual de 2018.
Quanto aos deputados estaduais, há duas situações diferentes. Em relação a Eustáquio de Freitas, o parlamentar ganhou espaço no governo de Renato Casagrande, ampliando sua base para além de São Mateus, porque por muito tempo foi o único deputado do norte do Estado. Freitas seria a partir deste ano um alvo do governador Paulo Hartung (PMDB), já que está no campo de influência do secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Roberto Ferreira.
Já o deputado Bruno Lamas, que comandará o PSB do Estado, pode sofrer um abalo político com a saída iminente do prefeito da Serra Audifax Barcelos do partido. Apesar dos esforços do PSB, o prefeito está deixando a sigla, tirando PSB da disputa de uma das mais importantes prefeituras para o partido, já que no município Casagrande venceu Hartung em 2014.
Lamas pode ser alçado pelo ninho da pomba para disputar a eleição e, assim, manter o espaço socialista na disputa municipal. Político novo e com densidade eleitoral, não teria nada a perder, já que continua na Assembleia em caso de derrota.

