Com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o jornal Valor Econômico aponta um crescimento do PT em todo País, mesmo com a crise política que a sigla enfrenta, tendo como alvo a presidente Dilma Rousseff. No Espírito Santo, porém, o partido está um pouco menor do que estava desde o primeiro mandato de Lula, o que retrata uma estagnação do partido nos últimos 14 anos em que o PT esteve no comando do governo federal e à frente, por oitos anos, da prefeitura de Vitória.
Segundo dados do TSE, em dezembro de 2012, o partido tinha 25.366 filiados e em novembro de 2015 (último levantamento do TSE), 25.313. Esses números, porém não foram estáveis nesse período, conforme mostra a tabela abaixo.

Em 2004, o partido teve seu melhor desempenho em disputas eleitorais, conquistando prefeituras importantes no Estado, inclusive, a da capital, com João Coser. Isso não impediu que o partido tivesse uma queda no número de filiados, quando 765 filiados deixaram o partido naquele período.
No ano seguinte, a perda foi bem mais acentuada. Com a criação do PSOL, o PT perdeu uma corrente inteira. A Ação Popular Socialista (APS), que tinha como liderança de destaque no Estado a ex-deputada estadual Brice Bragato, deixou o partido levando um bom capital de filiados com ela.
O PT então passou a ter 17.443 filiados e só voltou a crescer em 2007, quando o Processo de Eleição Direta (PED) passou a ser um instrumento para que o grupo majoritário no partido arregimentasse grandes números de filiação para manter a hegemonia no partido. Desde então, o partido vem mostrando superação nos números.
Em 2015, porém, o PT sofreu uma queda, ainda que pequena, mas que reflete a crise dentro e fora da legenda. Se em 2014 o partido havia igulaado o número de filiados que tinha em 2002, em 2015 registrou um encolhimento, fechando o ano com 25.313 filiados.
Segundo os dados levantados pelo Valor, no sistema do TSE, na virada de 2014 para 2015 o PT tinha 1.589.699 filiados. Em novembro de 2015, o número é de 1.590.479, um aumento de 0,24%. O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, disse ao Valor Econômico que a explicação para esse crescimento foi a mobilização que os quadros fizeram em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, ameaçada de sofrer um processo de impeachment.
Essa visão ajuda a entender os motivos de o PT capixaba não ter conseguido superar os números de 2002 no Estado. As lideranças do partido hoje – à exceção dos deputados federais Helder Salomão e Givaldo Vieira – não têm feito o papel de defesa intrasigente ao governo Dilma, como esperava a base.
Além disso, para Souza, a onda conservadora estaria concentrada em São Paulo e Paraná e não reflete o sentimento de todo o País em relação ao partido. Souza disse ainda que o perfil de novos filiados é de pessoas ligadas aos movimentos sociais e com convicções ideológicas.
O cenário no Espírito Santo é diferente. Alguns filiados entendem que o partido deixou de ser ideológico e passou a ser pragmático, a partir da tomada de controle pelo grupo do ex-prefeito João Coser e a opção em estabelecer uma aliança com o governador Paulo Hartung (PMDB). Isso fez com que o partido assumisse um papel coadjuvante no jogo político do Estado.
Um reflexo dessa falta de protagonismo do PT acontece na disputa eleitoral de Vitória. Depois de ter administrado a cidade por dois mandatos, o principal nome do partido para a disputa, seria o do ex-prefeito João Coser, que hoje ocupa a secretaria de Desenvolvimento no governo Paulo Hartung. Coser, porém, antecipou-se a abrir mão da disputa.
Outro quadro do partido, que estaria cotado para ocupar o espaço que o PT sempre teve na cidade é o ex-vereador Alexandre Passos. Mas ele mostra que o partido deve ir para a eleição com candidatura própria porque o chamado “plano A” estaria inviabilizado. A ideia seria uma aliança com o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) na cabeça da chapa para prefeito de Vitória. Mas como o deputado federal tem feito discursos forte pró-impeachement, o PT não poderia caminhar com ele em 2016, a não ser que Lelo reveja sua posição em relação ao governo federal.

