O PT nacional adiou a discussão sobre a participação do partido no governo Paulo Hartung (PMDB). Um recurso foi apresentado por membros da sigla no Estado à Executiva. O assunto seria discutido ainda este mês, mas os desdobramentos das denúncias envolvendo a Petrobras e a crise no governo federal fizeram a cúpula petista se concentrar nessas discussões.
O assunto, porém, não está encerrado. A expectativa é de que se o partido conseguir contornar a crise, o tema volte a ser debatido. Em nível nacional, a cúpula do PT também não estaria nada satisfeita com a movimentação do PT capixaba após a eleição de 2014.
O recurso apresentado por lideranças do partido à Nacional denuncia que as condições para a ida do grupo para o governo não estão sendo cumpridas por Pauo Hartung. As contrapartidas discutidas internamente no PT não estão sendo cobradas.
As conversas sobre a ida do PT para o governo Hartung se intensificaram após a eleição. Uma série de discussões foi feita neste sentido e muitas lideranças pediram garantias de que haveria uma defesa de Hartung em relação ao governo Dilma Rousseff.
A expectativa dos petistas era de que Hartung assumisse compromissos que são bandeiras do PT, como a não privatização do Banestes e da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), a defesa dos direitos humanos e combate à violência contra a mulher e à juventude negra, além da adesão ao governo petista.
Hartung caminhou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na campanha eleitoral e afirmou que a eleição de Dilma foi um retrocesso. Isso não pegou bem dentro do PT capixaba. Recentemente, os aliados do governador convidaram a população para participar das manifestações do “Fora Dilma”.
Apesar disso, o grupo de Coser permanece no governo, o que estaria causando mal-estar no partido. No início do ano surgiu, inclusive, a possibilidade de o partido ganhar uma segunda secretaria. Uma movimentação política sugeria a ida do deputado José Carlos Nunes para a pasta do Trabalho, que seria criada no governo. O arranjo levaria Nunes para o governo, abrindo a vaga na Assembleia para acomodar Luiz Durão (PDT). Com a efervescência das manifestações contra o governo federal, Hartung segurou as mudanças.
Se os petistas querem a saída do partido do governo, os tucanos se afinam com o grupo neste ponto. O PSDB, que foi parceiro de Hartung na campanha, tem além da vice-governadoria, com César Colnago, a inexpressiva pasta da Ciência e Tecnologia, apenas. No ninho tucano também há muita resistência à aproximação entre Hartung e Coser.
Durante a campanha, muito se comentou sobre uma aliança clandestina entre Coser e Hartung. Embora o PT tivesse colocado um nome na disputa ao governo do Estado, com o ex-deputado estadual Roberto Carlos, Coser, que foi o candidato ao Senado, teve o apoio informal de Hartung que, por sua vez, oficialmente tinha como candidata a senadora eleita Rose de Freitas (PMDB).

