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Sábado, 15 Mai 2021

Chegada da variante indiana no Brasil pode provocar nova onda da pandemia

margareth_dalcomo_virgina_fuchs_fiocruz Virginia Fuchs/Fiocruz
Virginia Fuchs/Fiocruz

A médica pneumologista capixaba Margareth Dalcomo, pesquisadora e professora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), afirmou que a chegada da cepa indiana do novo coronavírus (SARS-CoV-2) ao Brasil pode gerar o surgimento de uma terceira onda da doença, caso a variante não seja sensível à imunização. Ela fez uma apresentação aos deputados da Comissão de Saúde durante reunião virtual nesta terça-feira (4), sobre os 15 meses de pandemia.

"Estamos num momento muito delicado no Brasil, mais de 90% dos casos hoje identificados são causados pela nova variante chamada P.1", afirmou, alertando para a necessidade de intensificar as medidas não farmacológicas de prevenção, como distanciamento social, uso de máscara e lavagem das mãos.

"Novas variantes se tornam dominantes quando conseguem se disseminar de forma mais eficaz que as preexistentes", explicou. A cepa original, salientou, é "muito minoritária" atualmente em território nacional, em relação às três variantes predominantes: a de Manaus (P.1), do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.351).

"O nosso grande temor, particularmente o meu, é que nós recebamos a cepa indiana no Brasil, que será uma tragédia para uma terceira onda. Ela não está claramente identificada como sensível às vacinas que estão em uso", detalhou, lembrando que a cepa sul-africana, por exemplo, não teve boa resposta com os imunizantes AstraZeneca e Novavax.

Como já dito em diversas ocasiões ao longo desse mais de um ano de pandemia de Covid-19, Margareth enfatizou, aos deputados capixabas, a necessidade de acelerar a vacinação, como estratégia fundamental para evitar a proliferação de mais mutações e variantes.

Nesse sentido, reconheceu os esforços dos laboratórios para entregar as vacinas com rapidez, referindo-se às seis em uso e as três que estão em vias de aprovação, mas advertiu: "Não teremos vacina para todo mundo em 2021". A médica fez críticas à condução do governo federal na aquisição dos imunizantes. "Perdemos muito tempo", lamentou.

Sequelas

A grande incidência de sequelas em pessoas infectadas pela Covid-19 pode representar um novo desafio para a medicina. Por isso, a pneumologista considerou positiva uma indicação feita ao governo do Estado pelo presidente do colegiado, Doutor Hércules (MDB), para criação de um centro para receber esses pacientes.

"Eu considero a sequela, a síndrome pós-Covid-19, hoje o maior desafio da Medicina, quase que uma especialidade que será necessária", avaliou. De acordo com Margareth Dalcomo, 80% dos pacientes que se curam, mesmo os casos não graves, ficam com pelo menos um sintoma de sequela, como fadiga, dor de cabeça, e perda do paladar ou olfato.

A pneumologista falou que atualmente existem centros de atendimento multidisciplinar em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), e no Rio de Janeiro, na universidade estadual. Esses serviços vão desde reabilitação motora até cardiovascular. "Muitas pessoas não teriam condição de fazer do ponto de vista privado. Então isso precisa ser oferecido pelo SUS".

Estudo com BCG

Durante a apresentação na Comissão de Saúde, a especialista também explanou sobre um estudo desenvolvido pela Fiocruz que prevê a utilização da vacina BCG – aplicada em recém-nascidos para prevenção da tuberculose – para reduzir efeitos graves da Covid-19 em profissionais da saúde. Ela revelou que 2,5 mil pessoas desse grupo serão acompanhadas durante um ano, com a realização de testes.

Conass

A variante indiana está no radar também dos gestores brasileiros. Conforme informou o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, nessa segunda-feira (3), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) prepara uma posição para apresentar ao governo federal ainda esta semana, com recomendações sobre controle da malha aérea e vigilância de portos e aeroportos. "Não é possível o Brasil seguir enfrentando mais um ano de pandemia sem que boas práticas de vigilância de aeroportos e portos não sejam adotadas pela União", destacou o secretário.

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