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Quinta, 29 Outubro 2020

'Devemos ser muito honestos sobre a real capacidade de cumprir as medidas propostas'

nesio_fernandes_proximo_sesa Sesa

"Nós entendemos que é necessário coerência e correspondência de outras decisões com a decisão da possível retomada ou não das atividades escolares. O tema será tratado com maior profundidade pelo governador Renato Casagrande ao longo desta semana e nós iremos acompanhar a evolução da pandemia nas próximas semanas pra poder entender que o momento oportuno, ele existindo, essa decisão poderá ser anunciada com muita franqueza para toda a sociedade". 

A declaração foi feita pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, durante coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (25), junto ao subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin. 

Nésio Fernandes afirmou que "há um amadurecimento grande do protocolo anunciado ao segmento [escolar]" e que "se ele for respeitado e havendo condições para a retomada, ele pode garantir uma redução do risco". Para isso, enfatizou, "é necessário a honestidade, a franqueza de todos no real cumprimento deste protocolo. É necessário que sejamos muitos honestos sobre a nossa real capacidade de poder de fato cumprir as medidas propostas". Hoje, no entanto, ressalvou, "não há condições de afirmar a possibilidade do retorno imediato da educação infantil e do ensino fundamental". 

Ressaltando novamente que o assunto será objeto de fala do governador Renato Casagrande nos próximos dias, Nésio informou que os preparativos para "a possível retomada ou não das atividades escolares" incluem a realização do inquérito sorológico, em elaboração, e a garantia de capacidade de testagem de todas as pessoas sintomáticas e dos contatos mais próximos das pessoas positivas.

"Estamos preparando condições para que a partir de setembro o Laboratório Central [Lacen] realize mais de 2,5 mil testes por dia pra que a gente consiga, acompanhando a redução de casos, voltar a testar todos os sintomáticos sem restrição de idade e comorbidades e também, entre os positivos, testar também os contatos mais próximos. É uma etapa fundamental, pregressa à flexibilização maior de outras atividades", explicou.

Transição

Nésio também afirmou que o mês de agosto de fato está se consolidando, como previsto em julho, como um mês de transição, com queda das curvas de óbitos e casos, havendo inclusive a reabilitação de dezenas de leitos antes exclusivos para atendimento hospitalar dos casos mais graves de Covid-19, para oferta a pacientes com outras enfermidades. Assim, o mês de setembro, consolidando essa transição, "poderá permitir que o governo do Estado aponte um conjunto novo de decisões para os meses de outubro e novembro". 

Sobre o inquérito sorológico escolar, cuja modelagem está sendo concluída nesta semana, o secretário destaca que "será um marco zero da comunidade escolar para ao longo do ano poder monitorar a evolução da pandemia nesse segmento".

A necessidade de prudência sobre o momento seguro de retorno das aulas presenciais encontrou eco também nas falas do gerente estadual de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, e da médica infectologista do Hospital Estadual Central Cristiana Costa Gomes, que, após a coletiva, apresentaram uma síntese das seis etapas dos dois inquéritos sorológicos feitos por amostragem sobre toda a população capixaba, ao lado do médico infectologista e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Crispim Cerutti e do subsecretário Reblin.

O gerente Orlei destacou a existência de "muitas pessoas ainda vulneráveis", que se mantêm em isolamento social dentro de casa. "Se a gente relaxar e banalizar, pode ter quadros complicados. Que a gente continue vigiando, se proteger e proteger as pessoas que a gente ama", pediu.

Assintomáticos

Cristina destacou o alto percentual de assintomáticos entre a população capixaba, o que, mesmo com a alta capacidade de testagem do Lacen, é um alerta sobre a real capacidade de identificar todos os infectados no ambiente escolar. "O percentual de pessoas que não manifestam sintomas ou manifestam pouquíssimos sintomas é da ordem de 35% a 40%.

Percentual similar, de 35%, foi identificado entre a população com idade escolar, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), que analisou dados dos inquéritos sorológicos relacionados à população de 2 a 22 anos e do Painel Covid-19, na faixa etária de 0 a 19 anos.

Termômetro não é o melhor marcador

As análises revelaram dados surpreendentes sobre comorbidades, óbitos e sintomas de Covid-19 entre crianças, adolescentes e jovens em idade escolar, que apontam para a necessidade de reformular as premissas e protocolos voltados à reabertura de escolas no Espírito Santo, segundo declarou uma das realizadoras do estudo, a doutora em epidemiologia e professora da Ufes, Ethel Maciel. 

"Quando pensa em retorno para a escola, isso é uma questão que preocupa muito, os assintomáticos", ressaltou a pesquisadora. Além disso, o sintoma mais comum relatado pelas pessoas positivas para Covid-19 em idade escolar foi a tosse (40%), enquanto a febre foi relatada por apenas 26%. "Então aquela ideia de rastrear pela temperatura as crianças pode não ser um bom marcador", alertou.

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