Segunda, 18 Outubro 2021

'Tem que ver quem é a prioridade dentro da prioridade', diz pesquisador

vacina_oxford_CreditosSecom Secom ES

Uma das mudanças contidas na nova versão do Plano Nacional de Operalização da Vacinação Contra a Covid-19, divulgado no último sábado (23), é a inserção de odontólogos e médicos veterinários no grupo prioritário composto por trabalhadores da saúde. O professor do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Douglas Ferrari, que é pesquisador da Covid-19 com foco nas pessoas com deficiência (PCDs), faz ressalvas a essa decisão. "O ideal seria ter vacina para todo mundo, mas, no momento, tem que ver quem é o grupo de risco dentro do grupo de risco, a prioridade dentro da prioridade", defende o pesquisador. 

Douglas Ferrari destaca que é preciso levar em consideração em relação aos médicos veterinários que animais não transmitem Covid-19 para os seres humanos. No que diz respeito aos odontólogos, ele afirma que o documento não especifica o local de atuação desses profissionais, devendo ser avaliado, por exemplo, se a pessoa trabalha em consultório próprio ou faz atendimento ambulatorial.

O Espírito Santo recebeu, até o momento, 101 mil vacinas CoronaVac, do Instituto Butatan, em São Paulo, em 18 de janeiro; e 35,5 mil da Oxford-AstraZeneca, da Índia, que chegaram nesse domingo (24). Somando as duas será possível imunizar 76.131 trabalhadores da saúde, restando 48.285, o que corresponde a cerca de 40%. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a população de trabalhadores da saúde que serão vacinados no Espírito Santo é de 124.416 pessoas. 

Há previsão de chegada, ainda nessa segunda-feira (25), de mais 16,2 mil doses da CoronaVac, que devem ser aplicadas em cerca de 8 mil pessoas, totalizando quase 60 mil imunizados com a vacina chinesa, que exige intervalo máximo de quatro semanas entre as duas doses. Da AstraZeneca, que tem janela de intervalo de até doze semanas,  as 35,5 mil doses serão aplicadas em 35,5 mil pessoas, pois até a data da segunda dose, o governo acredita que será possível receber o novo lote de imunizantes. Até o momento, portanto, o Espírito Santo tem a garantia de imunizar uma população de pouco mais de 90 mil pessoas, o que não compreende nem a totalidade dos profissionais de saúde. 

Ocorre que o grupo prioritário do Plano Nacional de Imunização prevê, além dos profissionais de saúde, outros grupos de risco. No Estado, constam nessa primeira fase: 2.979 pessoas maiores de 60 anos residentes em instituições de longa permanência; 210 pessoas maiores de 18 anos com deficiência residentes em Residências Inclusivas e 2.793 indígenas aldeados. 

Outras mudanças contida na nova versão do Plano Nacional de Operalização da Vacinação Contra a Covid-19 são a especificação das comorbidades, detalhando, por exemplo, os tipos de cardiopatia; e o detalhamento dos profissionais da educação a serem vacinados, que, de acordo com o documento, são todos os professores e funcionários das escolas públicas e privadas do ensino básico (creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, ensino profissionalizante e educação de jovens e adultos) e do ensino superior. 

Ao todo, segundo o Plano, serão 27 grupos prioritários. No que diz respeito às pessoas com deficiência (PCDs), elas agora devem comprovar a situação por meio de autodeclaração apenas, sendo excluída a necessidade de laudo. A aquisição de laudo, segundo Douglas Ferrari, que estuda a Covid-19 com foco nas PCDs, era uma das preocupações desse grupo, que poderia ter dificuldade de ter acesso a laudos médicos, principalmente no contexto da pandemia.

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