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Sábado, 10 Abril 2021

'Abordagem policial em Jesus de Nazareth foi violenta', apontam entidades

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O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e a Associação de Moradores de Jesus de Nazareth, em Vitória, questionam a ação policial ocorrida no bairro na noite dessa quarta-feira (24) e a abordagem das forças armadas na manhã seguinte. Os relatos dos moradores são de uma abordagem violenta por parte da polícia em relação às pessoas que moram no local, inclusive, xingando-as e ameaçando invadir suas casas, conforme relata o vice-presidente da associação, José Antônio Gomes.

Ele recorda que na noite de quarta a PM abordou um grupo de jovens, supostamente envolvidos com o tráfico, sendo que um foi morto, mas não tinha envolvimento com o crime. No dia seguinte, afirma, a polícia foi fazer patrulhamento na região e moradores começaram a filmar, sendo hostilizados e ameaçados. A militante do MNDH, Galdene Santos, acredita que, diante do histórico de violência policial na comunidade, o ato de filmar vem do fato de os moradores se sentirem acuados.

"Se é uma ação realmente correta, digna, não deveria achar ruim que as pessoas filmem", diz Galdene, que acrescenta: "a polícia agrediu, xingou, tratou a todos sem distinção como bandidos". De acordo com ela, o movimento não desconhece que a polícia precisa agir. "O problema é a forma como age, o desrespeito, a truculência e a força maior que a palavra da PM tem em relação à dos moradores", denuncia.

Para ela, é preciso debater como fazer outras políticas públicas chegarem até os morros, uma vez que a violência policial não é algo que ocorre somente Jesus de Nazareth, mas também em outros lugares da Capital, como o Território do Bem e a Piedade.

O posicionamento de Galdene  também é defendido pelo vice-presidente da associação. "Nosso pedido é que não somente a força policial chegue aqui. Nós temos jovens talentosos que vão para o mundo do crime por falta de oportunidades", lamenta.

José Antônio destaca, ainda, que a comunidade é formada também por pessoas honestas e está esquecida tanto pela gestão pública estadual quanto municipal. "A comunidade tem anseio de que as gestões públicas subam o morro, gerando oportunidade de mostrar nossos talentos, com políticas de educação, cultura, esporte e lazer", reivindica.

Para ele, a presença da PM, somente, não muda a realidade de violência da região. "A PM vem, vira as costas, o tráfico volta a atuar. Depois a PM volta, o tráfico se esconde. Quando ela sai, tudo retorna. Fica nesse 'ioiô', nessa gangorra", diz.

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Comentários: 2

João José Barbosa Sana em Segunda, 29 Março 2021 08:34

Ótimo posicionamento do Movimento de Direitos Humanos. É compreensível que a polícia cumpra o seu papel institucional. Não se admite, porém, a afronta a lei. Existe legislação que estabelece parâmetros para o policiamento ostensivo, para as abordagens e para as operações. E pelo que sei, dentro dos meus modestos conhecimentos, toda a ação deve ser permeada pelo respeito aos direitos humanos das pessoas. Não se pode participar do pressuposto que os pobres, negros/negras, moradores de periferia são "elementos suspeitos~" e, consequentemente criminosos. Tais práticas refletem o que Michel Misse denomina com Sujeição Criminal, ou seja, " [...] processo social pelo qual se dissemina uma expectativa negativa sobre indivíduos e grupos, fazendo-os crer que essa expectativa não só é verdadeira como constitui parte integrante de sua subjetividade". Defendemos o Estado Democrático de Direito. Enquanto tal, nenhuma autoridade está acima da lei, inclusive os policiais. Mas, numa situação como está, espera-se também que Ministério Público do Estado do ES, responsável pelo controle externo das policias, possa se posicionar e ouvir os reclamos da comunidade, bem como, conferir as questões propostas do Movimento de Direitos Humanos.

Ótimo posicionamento do Movimento de Direitos Humanos. É compreensível que a polícia cumpra o seu papel institucional. Não se admite, porém, a afronta a lei. Existe legislação que estabelece parâmetros para o policiamento ostensivo, para as abordagens e para as operações. E pelo que sei, dentro dos meus modestos conhecimentos, toda a ação deve ser permeada pelo respeito aos direitos humanos das pessoas. Não se pode participar do pressuposto que os pobres, negros/negras, moradores de periferia são "elementos suspeitos~" e, consequentemente criminosos. Tais práticas refletem o que Michel Misse denomina com Sujeição Criminal, ou seja, " [...] processo social pelo qual se dissemina uma expectativa negativa sobre indivíduos e grupos, fazendo-os crer que essa expectativa não só é verdadeira como constitui parte integrante de sua subjetividade". Defendemos o Estado Democrático de Direito. Enquanto tal, nenhuma autoridade está acima da lei, inclusive os policiais. Mas, numa situação como está, espera-se também que Ministério Público do Estado do ES, responsável pelo controle externo das policias, possa se posicionar e ouvir os reclamos da comunidade, bem como, conferir as questões propostas do Movimento de Direitos Humanos.
Ricardo Pires em Terça, 30 Março 2021 17:26

Também não podemos esperar que a polícia resolva sozinha o problema de violência de qualquer localidade sem a participação da comunidade. Sem denúncias à polícia, por melhor que seja seu serviço de inteligência não conseguirá atingir seus objetivos. Ou seja, a população não confia na polícia e por isso não ajuda a identificar o bandido. Por sua vez o policial que não tem bola de cristal nem lê mentes, se encontra em um ambiente hostil e acaba se comportando de uma forma que não se enquadra nos "parâmetros para o policiamento ostensivo". Em resumo: não é só a polícia que tem que se adequar. A população também tem que fazer a parte dela, denunciando os criminosos de sua comunidade (mesmo de forma anônima) e encarar a abordagem policial como algo natural, desde que seja feita de forma profissional e sem oferecer resistência, afinal, policial não tem bola de cristal nem lê pensamentos. Se o policial está ali, não é porque ele quer. Ele está ali porque ali ocorre o crime e combatê-lo é a missão dele.

Também não podemos esperar que a polícia resolva sozinha o problema de violência de qualquer localidade sem a participação da comunidade. Sem denúncias à polícia, por melhor que seja seu serviço de inteligência não conseguirá atingir seus objetivos. Ou seja, a população não confia na polícia e por isso não ajuda a identificar o bandido. Por sua vez o policial que não tem bola de cristal nem lê mentes, se encontra em um ambiente hostil e acaba se comportando de uma forma que não se enquadra nos "parâmetros para o policiamento ostensivo". Em resumo: não é só a polícia que tem que se adequar. A população também tem que fazer a parte dela, denunciando os criminosos de sua comunidade (mesmo de forma anônima) e encarar a abordagem policial como algo natural, desde que seja feita de forma profissional e sem oferecer resistência, afinal, policial não tem bola de cristal nem lê pensamentos. Se o policial está ali, não é porque ele quer. Ele está ali porque ali ocorre o crime e combatê-lo é a missão dele.
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